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Disciplina:O Humano e O Fenômeno Religioso75 materiais432 seguidores
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a razão é muito vasta; é vida, é uma vida diante da complexidade e da multiplicidade do real, diante da riqueza do real. Por isso, reduzir a razão a um ou outro método de conhecimento significa não usá-la segundo a sua natureza.
	

 	

		
4. UM PROCEDIMENTO PARTICULARMENTE IMPORTANTE
	Posso dizer: “minha mãe me quer bem”, ou posso dizer: “conheço pessoas das quais posso dizer com certeza: ‘são realmente minhas amigas’”. Com que método eu posso demonstrar isso? Não usaria nenhum dos três métodos acima mencionados. Usaria um outro método. Que método é esse?

	Aqui nós estamos no campo das realidades ou verdades “morais”, isto é, enquanto definem o “comportamento humano”, que em latim se diz mores.
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3. Diversidade de procedimentos
	Que método seguir para chegar à certeza sobre o amor de minha mãe por mim?

	A demonstração para se chegar a uma certeza moral é um conjunto de indícios cujo o único sentido adequado, cujo o único motivo adequado, cuja a única leitura razoável é aquela certeza.

	
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3. Diversidade de procedimentos
	Dois destaques importantes:

	a) Eu estarei habilitado a ter certeza sobre você quanto mais eu estiver atento à sua vida, isto é, quanto mais eu compartilhar a sua vida (exemplo: rapaz que pede a garota em casamento após três anos de namoro...).

	b) Ao contrário, quanto mais alguém é poderosamente humano, mais é capaz de obter certeza sobre o outro a partir de poucos indícios. Isso é próprios do gênio humano.
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5. Uma aplicação do método da certeza moral: a fé
	Que é a fé? É aderir àquilo que um outro afirma. Isto pode ser razoável, se existem razões adequadas; e não-razoável se não existem.

	Mas eu chego à certeza sobre a sinceridade e sobre a capacidade de uma pessoa justamente por meio do procedimento da certeza moral, que é exatamente o método da fé.

	Por isso, sem o método do conhecimento da fé não existiria nem mesmo desenvolvimento humano. Nesse sentido, o problema da certeza moral é um problema capital do próprio desenvolvimento da vida humana, da sociedade, da cultura, da civilização,etc.
MÚSICA SOBRE A ABERTURA DA RAZÃO - vida (FÁBIO JUNIOR)
	Pelas ruas das cidades / Pessoas andam num vai e vem / Não vêem cair a tarde / vão nos seus passos como reféns/ De uma vida sem saída / Vida sem vida, mal ou bem.

	Pelos becos desses parques / Ninguém se toca sem perceber / Que onde o sol se esconde / O horizonte tenta dizer / Que há sempre um novo dia / A cada dia em cada ser.

	Não é preciso uma verdade nova, / Uma aventura / Pra encontrar nas luzes que se acendem / Um brilho eterno / E dar as mãos e dar de si além / Do próprio gesto / E descobrir feliz que o amor esconde / outro universo.

	Pelos becos, pelos bares / Pelos lugares que ninguém vê / Há sempre alguém querendo / Uma esperança, sobreviver / Cada rosto é um espelho / De um desejo de ser, de ter.

	Talvez, quem sabe, por essa cidade / Passe um anjo / E por encanto abra as suas asas / Sobre os homens / E dê vontade de se dar aos outros sem medida / A qualidade de poder viver / Vida, vida, vida.

TERCEIRA PREMISSA
A incidência da moralidade no processo do conhecimento
1. A RAZÃO, INSEPARÁVEL DA UNIDADE DO EU
	Confiar em alguém introduz um fator de postura da pessoa que nós chamamos de “moralidade”. A terceira premissa quer falar da incidência da moralidade no interior da dinâmica do conhecimento. 

	Iniciamos com alguns exemplos:

	1) Uma garota é muito boa em matemática. Há um exercício em sala de aula. Mas naquela manhã ela está sofrendo uma forte dor de estômago...;

	2) Um rapaz é muito bom em redação. Na noite anterior a uma prova de redação, vai a um jantar e exagera na comida, tem uma péssima noite; no dia seguinte não consegue desenvolver bem sua redação... .

	Então: há uma unidade profunda entre a razão e o restante do nosso eu, uma relação orgânica entre o instrumento da razão e o resto da pessoa.

2. A RAZÃO LIGADA AO SENTIMENTO

	Exemplos;
	1) Aula de redação. O tempo passa e nada. Depois de 45 anos surge uma idéia inesperada...;

	2) Uma garota está caminhando na calçada do outro lado da rua e escuta: “pssiu, pssiu”. Há três possibilidades: pode dizer: “De novo aquele chato”; ou: “quem é?”; ou então o coração dela bate mais forte, porque ela sabe quem é.
 
	Com esses exemplos queremos dizer que a razão humana não é um mecanismo desarticulado do restante do nosso eu, mas está ligada ao sentimento e por ele é condicionada.
 
	Leiamos definitivamente a nossa fórmula: para conhecer um objeto, a razão deve acertar as contas com o sentimento, com o estado de ânimo. É filtrada pelo estado de ânimo e, de qualquer forma, está implicada nele.

 

3. a HIPÓTESE DE UMA RAZÃO SEM INTERFERÊNCIAS 

	Segunda a cultura racionalista e iluminista não podemos chegar a uma certeza objetiva quando entra em jogo qualquer fator que tenha interferência sobre a razão, como por exemplo, o sentimento. Portanto, para se chegar a uma certeza objetiva sobre qualquer coisa é preciso eliminar ou reduzir ao máximo o fator sentimento.

	Mas o fator sentimento só pode ser eliminado ou reduzido no campo das ciências, da matemática; em outros campos, não!
 

3. a HIPÓTESE DE UMA RAZÃO SEM INTERFERÊNCIAS 

	Com efeito, existem campos de conhecimento que não podemos evitar, até porque são vitais para a realização da nossa vida e para a vida da sociedade: o campo afetivo (relacionamento entre marido e mulher, pais e filhos, de amizade, etc.), o campo religioso (relacionado ao significado da existência, ao destino último da vida), o campo político (relacionado aos interesses sociais, aos direitos e deveres dos cidadãos). Segundo a cultura racionalista e iluminista, jamais chegaremos à certeza objetiva sobre esses campos de conhecimento, pois pesa demais o fator sentimento.
	Então, o que fazer?

4. UMA QUESTÃO EXISTENCIAL E UMA QUESTÃO DE MÉTODO

	Neste ponto existem duas observações a fazer.
 
	a) Existencialmente, essa posição, se for tomada na sua lógica, deveria levar ao seguinte resultado: quanto mais a natureza faz com que eu me interesse por algo e, portanto, quanto mais desperta em mim curiosidade, exigência e paixão por conhecê-lo, tanto mais me impede de conhecê-lo.
 
	b) Eis a segunda observação: porém seria um erro formular um princípio explicativo que para resolver a questão tenha a necessidade de eliminar um dos fatores (o sentimento) em jogo.
	

5. Um outro ponto de vista
	Exemplo: a lente do binóculo...
	O sentimento deve ser imaginado como a lente de um binóculo: se estiver fora de foco dificulta a visão. Mas se for colocada em foco aproxima o objeto a ser conhecido da retina do olho.

	A questão, portanto, não é eliminar o sentimento, mas colocá-lo no seu justo lugar, de modo tal que ele seja uma ajuda no processo do conhecimento.
7. preconceito
	O verdadeiro problema aqui não é de postura e não de inteligência, ou seja, é um problema “moral”: um problema que diz respeito ao modo de colocar-se diante da realidade.

	Exemplos: 1) Pasteur que descobriu o papel do microorganismo na medicina...;
			 2) A forma como a cultura em que vivemos concebe a experiência religiosa..., particularmente o cristianismo.

6. A MORALIDADE NO CONHECIMEnTO
	De que tipo de moralidade estamos tratando? Trata-se de uma postura adequada e justa na dinâmica do conhecimento de um objeto.

	 Que postura é esta? Ela pode ser definida assim “Amor à verdade do objeto maior do que o apego às opiniões já formadas sobre ele”. Ou, com outras palavras: “Amar mais a verdade do que a si mesmo”

	De fato, quanto mais vital é o valor e, por natureza, é proposta para a vida, tanto mais o problema não é de inteligência, mas de moralidade, isto é, de amor à verdade mais do que a nós mesmos.

7. PRECONCEITO
	“Ausência de preconceito” é impossível. Aliás, quanto mais uma pessoa é inteligente, madura tanto mais formula uma idéia ou imagem sobre as coisas com as quais se depara.

	Então, o verdadeiro problema não é não ter preconceitos, mas é o de estar aberto à realidade, disposto a mudar uma concepção já assumida, convertendo-se a uma nova
Ronieri Aguiar fez um comentário
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