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Disciplina:O Humano e O Fenômeno Religioso75 materiais416 seguidores
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concepção que se mostra mais verdadeira, mais completa, mais adequada. Para isso é preciso um amor à verdade das coisas. É claro que não se adquirir essa postura moral de forma automática; isso exige uma educação, um trabalho, uma amor à verdade das coisas.
O SENSO RELIGIOSO:
O PONTO DE PARTIDA
introdução
	A verdade é como encontrar uma coisa linda pelo caminho: só a vemos e reconhecemos se estivermos atentos. O problema, portanto, é de atenção.

	Como abordar a experiência religiosa de modo a captar seus fatores constitutivos? Definamos por ora, o método.
	a) Se a experiência religiosa é uma experiência, não podemos senão partir de nós mesmos, para olhá-la em de frente e colhê-la em seus aspectos constitutivos.

	b) Mas “partir de si mesmo” é uma proposição que pode prestar a equívocos.

		

1. Como proceder
	
	Perguntemo-nos: como eu identifico a mim mesmo? Este “eu mesmo” pode correr o risco de ser definido a partir de uma imagem que tenho de mim ou de um preconceito.

	Partir de si mesmo é realista quando a própria pessoa é olhada em ação, isto é, observada na experiência cotidiana.

	Vale dizer: “uma pessoa percebe que existe - que vive – pelo fato de que pensa, sente e executa outras atividades semelhantes” (Tomás de Aquino).

	

2. O eu-em-ação
	É no eu-em-ação que aparecem os elementos sustentadores do sujeito humano. Exemplos:

	- Um jovem que não gosta de aritmética; mas movido pela pressão de uma iminente prova, tem aula de apoio com um excelência professor, que o leva a descobrir uma grande capacidade para a matemática ... ;

	- Uma garota de 16 anos que acorda pela manhã iniciando o dia dizendo: “eu não valho nada, não há nada que eu saiba fazer, eu não sou capaz...”; mas na tarde daquele dia, o rapaz ao qual ela está apaixonadíssima supera a sua timidez e declara o seu amor por ela. Duvido que no dia seguinte, ela acordará com o mesmo sentimento do dia anterior...

	- Um pai de família desempregado tem um sentimento negativo de si mesmo, se sente péssimo; mas, quando consegue novamente outro trabalho, muda radicalmente sua postura sobre si e sobre os filhos...

2. o eu-em-ação
	Mas atitudes análogas ao “não sou capaz” da jovem de nosso exemplo, pode ser assumida por um adulto em relação ao fato religioso.

	Com efeito, uma pessoa pode dizer: “Não sinto Deus, não tenho necessidade de enfrentar esse problema”. Porém , a pessoa assume esta atitude impelida por uma série de condicionamentos centrífugos, distrativos, mas não conduzido pela razão, a qual, corretamente empenhada, não poderia eliminar tal problema.

3. o empenho com a vida
	
	Quanto mais alguém está empenhado com a vida, tanto mais percebe também em cada experiência os próprios fatores da vida.

	Estar empenhado com a vida não significa um compromisso exasperado com um ou outro de seus aspectos: o compromisso com a vida nunca é parcial; é compromisso com a vida inteira, na qual tudo está compreendido: amor, estudo, dinheiro, até a alimentação, o repouso, a amizade, sem esquecer nada.
3. o compromisso com a vida
	COMPROMISSO (Fábio Junior)

	A gente tem um compromisso com a verdade / Não dá mais pra ficar brincando de viver /Tô muito a fim da minha verdadeira identidade / Bateu em mim uma vontade de me conhecer.

	Eu sei que a gente tem um compromisso com a vida / Passa o tempo e a gente não desvenda o seu mistério / Parece muita ousadia, muita pretensão / Mas é meu coração que pede, eu tô levando a sério.

	Quero saber de onde venho, quero saber para onde vou / Não posso passar pela vida sem saber quem eu sou / Quero sentir dentro de mim todo o universo em ação / Quero sentir o amor profundo no meu coração .

4. Aspectos do compromisso com a vida
	Deste empenho pessoal com a vida emerge dois fatores:

	a) A tradição
	
	Este fator da vida está fortemente conectado com o problema religioso. De fato, o valor religioso unifica passado, presente e futuro e é, na sua autenticidade, profundamente amigo e valorizador da riqueza da tradição.

4. Aspectos do compromisso com a vida

4. Aspectos do compromisso
	A tradição é, pois, aquela complexa herança com a qual a natureza arma a nossa pessoa; é como a hipótese de trabalho com a qual a natureza arma a nossa pessoa no grande canteiro de obra da vida e da história.

	Por isso, o empenho com a vida implica, antes da mais nada, ser leal com aquilo que a própria natureza nos doou, com a tradição; e ser leal à tradição implica, por sua vez, “agir com” o que foi dado,

4. Aspectos do compromisso
	Mas para que a lealdade com a tradição possa realizar-se como hipótese de trabalho verdadeiramente ativa, é preciso que a riqueza tradicional seja aplicada à problemática da vida através do senso crítico (“experiência elementar”).
	
	Portanto, temos dois passos importantes:
	a) “Agir com” o que nos foi dado;
	b) Aplicar o senso crítico sobre o que nos foi dado.

	“Aquilo que tu herdaste de teus pais, ganha-o novamente para possuí-lo” (Gethe).
4. Aspectos do compromisso
	Cito como exemplo uma colocação de um grande amigo meu, Franco Nembrini:
	“Eu entendi que os filhos precisam ter diante de si uma adulto que viva uma hipótese explicativa da realidade quando o meu filho Stefano tinha seis anos. Eu, num domingo à tarde, estava corrigindo provas e, a certo momento, eu levantei a cabeça e vi que meu filho me observava, que me olhava. Ele não tinha nada de especial para me perguntar, não estava nem com sede nem com fome e não tinha nenhuma necessidade particular. Ele me olhava e basta. Eu me lembro que naquele dia, cruzando com o olhar do meu filho, uma idéia me atravessou a mente: no olhar do meu filho eu senti se dirigir a mim uma pergunta totalmente radical. Era como se meu filho me olhasse pedindo: ‘Papai me assegure que vale a pena vir ao mundo’. A única que eu podia fazer para comunicar ao meu filho uma resposta positiva 	era viver, eu mesmo, a certeza de um bem, a certeza de que a vida tem um sentido totalmente positivo. Essa experiência me fez entender a importância da tradição como uma hipótese de significado para a vida: os filhos aprendem aquilo que os pais vivem e testemunham.”
4. ASPECTOS DO COMPROMISSO
	2) O VALOR DO PRESENTE

	Partir do presente é inevitável. Alguém é tanto mais pessoa humana, quanto mais abraça e vive no instante presente tudo aquilo que o precedeu e o circunda.

	O presente é sempre uma ação, é o lugar, ao mesmo tempo enigmático e esplêndido, da liberdade, a energia que manipula o conteúdo do passado, liberando uma criatividade responsável. É no presente que acontece a decisão de se empenhar ou não com a riqueza que é transmitida; se não existe este empenho, o futuro fica comprometido.

5. Dupla realidade
	Numa reflexão atenta sobre a sua própria experiência, o homem descobre no seu presente dois tipos de realidade.
		a) Um tipo de realidade quantitativamente descritível. Digamos com uma palavra: mensurável, divisível: a matéria.
		b) Mas se eu estiver totalmente empenhado neste instante de reflexão sobre mim mesmo, noto em meu “eu” um tipo de conteúdo que não se identifica com aquilo que até agora descrevemos. A idéia da bondade que está dentro do nosso ser, por exemplo, nos permite dizer que alguém “é bom”; essa idéia é algo real, mas não se identifica com a matéria: é uma realidade espiritual.
5. Dupla realidade
	A observação que o sujeito faz de si mesmo em ação lhe mostra, então, que o seu eu é composto de duas realidades diversas. Tentar reduzir uma realidade à outra seria negar a evidência da experiência que se apresenta diversas.

	Essas duas realidades com características irredutíveis podem ser chamadas de muitos nomes: foram denominadas matéria e espírito, corpo e alma. Porém, o importante é considerar firmemente irredutibilidade de uma à outra.

 
 

	6. Corolário
	O fenômeno da morte é freqüentemente associado, na Bíblia, a uma expressão de grande eficácia: corrupção. No conjunto de uma unidade, identificada pela raiz cum (com-), repentinamente cada fragmento, cada parte ruit, vai embora, separa-se das outras, ou rumpitur, rompe-se, destaca-se.
Ronieri Aguiar fez um comentário
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