Senso Religioso - Pe Paulo - design 2

Disciplina:O Humano e O Fenômeno Religioso75 materiais430 seguidores
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Esperando o trem/ Esperando a o aumento para o mês que vem/ Esperando um filho pra esperar também/ Que esperança aflita, bendita, infinita/ do apito de um trem/ Pedro pedreiro, pedreiro esperando/ Pedro pedreiro, pedreiro esperando o trem/ Que já vem, que vem, que já vem, que já vem....
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8. O senso religioso como dimensão
	A estrutura do homem é constituída por meio de perguntas fundamentais que exigem uma resposta total.

	Esta resposta não pode ser dada pelo homem, pois ele é frágil, limitado, finito. Por isso, resta uma única hipótese: somente o Mistério insondável, que está na origem de todas as coisas, que é fundamento de tudo, pode ser a resposta exaustiva para as perguntas fundamentais.

	Uma belíssima poesia de Pär Lagerkvist descreve isso de forma magistral:

	É meu amigo um desconhecido, alguém que não conheço./ Um desconhecido distante, distante. Por ele meu coração está cheio de saudades,/ Porque ele não está junto a mim. / Talvez porque não exista de verdade?/ Quem é tu que preenches o meu coração com a tua ausência?/ Que preenches toda a terra com a tua ausência?

8. O senso religioso como dimensão
	Um grande filósofo e teólogo americano, Alfred N. Whitehead dizia que “a religião é aquilo que o homem faz na sua solidão”.
	
	A definição é interessante, mesmo que não expresse todo o valor do qual parte a intuição que a gerou. Com efeito, a pergunta última (que sentido tem tudo?) é constitutiva do indivíduo e, nesse sentido, o indivíduo está totalmente só: ele mesmo é essa pergunta e nada mais. A mesma pergunta, porém, no mesmo instante em que define a minha solidão, coloca a raiz da minha companhia, porque significa que eu sou constituído por uma outra coisa, ainda que misteriosa.

9. a necessidade vital de uma resposta
	
	Esta companhia é mais original que a solidão, já que aquela estrutura de pergunta não é gerada pela minha vontade, mas me é dada. Portanto, antes da solidão está a companhia que abraça a minha solidão; por isso não é verdadeira solidão, mas grito de apelo à companhia escondida (Deus).

	Somente a hipótese de Deus, somente a afirmação do mistério como realidade existente além da nossa capacidade humana de reconhecimento corresponde a estrutura original do homem.

	Se a natureza do homem está em busca de uma resposta; se a estrutura do homem é esta pergunta irresistível e inexaurível, suprimiremos a pergunta se não admitirmos a existência da resposta. E essa resposta só pode ser insondável. Ela existe, mas não cabe nas medidas da razão humana.

	

9. a necessidade vital de uma resposta
		O meu rosto (Adriana Mascagni)

Deus, pra mim olho e eis que descubro: não tenho rosto
Olho no fundo e vejo o escuro que não tem fim
E só quando percebo que Tu és, como um eco ouço a minha voz
E renasço como o tempo da lembrança. Coração, porque tremes? Tu não estás só, tu não és só. Amar não sabes
E és amado. És amado. Fazer-te não sabes, mas és feito, mas tu és feito. Como as estrelas lá céu. No ser, Tu, me faças caminhar. Faze-me crescer e mudar como a luz.
Que aumentas e mudas nos dias e nas noites.
Faze minha alma como a neve que se colore. Como os ternos cimos teus, sob o sol do teu amor.

9. a necessidade vital de uma resposta
	
	Com efeito, o homem é insaciável mendicância e aquilo que lhe corresponde é algo que não é ele mesmo, que não pode dar a si mesmo, que consegue medir, que o homem não sabe possuir.

	"... O mundo sem Deus seria uma fábula contada por um idiota num acesso de raiva", diz um personagem de Shakespeare, e nunca foi melhor definido o tecido de uma sociedade atéia.

		HAWKING E dEUS
	Nestes dias foi publicado na Inglaterra o novo e controvertido livro “The grand design” (“O grande desígnio”), do famoso físico Stephen Hawking. Ele afirma que não precisa de Deus para explicar a origem do Universo. Segundo as leis da física quântica, pode acontecer espontaneamente no vazio quântico o big bang que deu origem ao Universo. Não há dúvida que Hawking é correto na sua interpretação da física contemporânea. Mas não dá uma resposta adequada à pergunta filosófica: por que algo existe, em vez de nada? O vazio quântico, mesmo sem a existência de matéria e energia, já é algo. Satisfaz leis físicas determinadas. Deve-se perguntar por que o vazio tem essas propriedades, por que existem as leis que ele satisfaz. A pergunta fundamental não é respondida, mas se desloca à metafísica, além da física. A física estuda as propriedades da natureza, sem chegar ao que está na origem dessas leis.

		HAWKING E dEUS
	Fica a pergunta: “Por que existe o vazio quântico, com suas propriedades?” Pode-se responder: “Porque simplesmente é assim.” Mas esta resposta não satisfaz a quem busca entender o porquê das coisas. A atitude cientista, diante de um fenômeno, é buscar uma explicação suficiente, não de aceitar o fenômeno sem mais. Esta atitude fundamental do pesquisador nos leva além das leis físicas. Por que existem estas leis? Por que há uma ordem e regularidade na natureza? Esse fato maravilhoso - que a natureza pode ser entendida pela razão humana, nos avanços científicos ao longo dos séculos – é um reflexo do Criador inteligente. Ele criou as leis da natureza e criou o ser humano à sua imagem, com uma parcela da inteligência do Criador.
	Convém lembrar que o físico e padre belga Georges Lemaître, que inventou o conceito de big bang (mas com outro nome, “átomo primevo”), disse que não se deve identificá-lo com a criação do Universo por Deus.

		HAWKING E dEUS
	Quando soube que o Papa Pio XII iria fazer um discurso para a oitava Assembléia Geral da União Astronômica Internacional em Roma, em 1952, viajou à capital italiana para pedir ao Papa que não apresentasse o big bang como ao da Criação do Universo por Deus. O Papa seguiu a orientação do Pe. Lemeître. O fato de Hawinking não reconhecer o big bang como criação por Deus foi antecipado mais de meio século pelo Papa Pio XII.
	Quem crê na fé cristã tem razões de outra ordem para a sua fé. A dimensão espiritual da realidade se manifesta na nossa experiência da consciência pessoal, do “eu”. A tradição do encontro com Cristo vivo depois da sua morte terrível na cruz dá a dimensão histórica da nossa fé. E o cristão que procura viver a fé percebe nela uma sintonia com tudo o que existe e uma orientação para a vida que responde aos anseios mais profundos do coração.
		(O Globo, 13 de setembro: Por Paul Schweitzer, padre e membro da Academia Brasileira de Ciências)

9. a necessidade vital de uma resposta
	Já o grande fisco Einstein afirmava: “Ser religioso é encontrar uma resposta à pergunta sobre qual é o sentido da vida” (1950).

	Wittgentein por sua vez, afirmava: “Crer em Deus é verificar que a vida tem sentido”.

	E, ainda, Victor Frankel sublinhou que “A religião é a realização do desejo de encontrar o sentido último” (1985).

conclusão
	Por fim, é importante sublinhar que pelo simples fato de viver, um homem coloca esta pergunta, porque tal pergunta é a consciência do real.

	E não apenas coloca a pergunta como também lhe responde, afirmando um “ultimo”. Porque pelo simples fato de viver cinco minutos, uma pessoa afirma a existência de um porquê pelo qual vale a pena, no fundo, no fundo, viver aqueles cinco minutos.

	

POSTURAS NÃO-RAZOÁVEIS DIANTE DA
INTERROGAÇÃO ÚLTIMA:
Esvaziamento da pergunta
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1. Negação teórica das perguntas
	São atitudes não razoáveis porque pretendem explicar um fenômeno de modo não-adequado a todos os fatores nele implicados.

	Antes de tudo, chamamos de negação teórica das perguntas o fato de que aquelas interrogações são definidas como sendo “sem sentido”.

	Mas como é possível que tais perguntas não tenham sentido, já que elas fazem parte da essência do nosso ser? Tal postura vai contra a nossa natureza, não tem fundamento algum.
	Carta de um universitário italiano da universidade católica de Milão
	“Tenho consciência de que sou um jovem de sorte. A verdade é que nunca tive de me esforçar para ter qualquer coisa na minha vida; o que quer que pedisse aos meus pais, eles sempre
Ronieri Aguiar fez um comentário
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