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Disciplina:O Humano e O Fenômeno Religioso75 materiais416 seguidores
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para adubar com minhas culpas e meus sofrimentos uma harmonia futura em favor de sabe-se lá de quem! Quero ver com meus olhos o cervo brincar com o leão e assassinado levantar-se e abraçar o assassino. Também eu quero estar presente quando todos saberão finalmente por que as coisas aconteceram assim”.

	

conclusão
	
	Depois desta série analítica de posições, devemos recordar que o valor dialético da nossa denúncia é um só: elas não correspondem inteiramente aos fatores que a experiência nos mostra em ação.

	Todas têm um aspecto justo, ou um pretexto verossímil, ao qual, porém, se dá um relevo desproporcional.

	SIINTESE DAS NEGAÇÕES DAS PERGUNTAS
	Negação das perguntas:

	1. Teórica: as perguntas são vistas como sendo “sem sentido”.

	2. Substituição voluntarista das perguntas: afirma a si mesmo ou alguma coisa à qual se apega como o sentido de.

	3. Negação prática das perguntas: as perguntas machucam, fazem mal. Portanto, a pessoa busca viver a vida de modo tal que as perguntas não venham à tona. A forma mais geral desta postura pode ser descrita assim: “não pense nisso”. Além disso, a sociedade cria interesses para obscurecer o verdadeiro interesse do coração humano. Enfim, temos o ideal da impertubabilidade: buscar vias que leva a pessoa a não ser mais afetada pelo sofrimento (fuga da realidade).
	SIINTESE DAS NEGAÇÕES DAS PERGUNTAS
	4. Evasão estética e sentimental: a pessoa percebe as perguntas, fica tocadas por dar-se conta delas, mas não há empenho da sua liberdade na busca da resposta.

	5. Negação desesperada das perguntas: postura mais dramática, pois aqui a pessoa leva a sério as perguntas, vive-as; mas, dada a dificuldade em respondê-las, chega a afirmar: “não é possível”. Aqui se dá a pura opção entre o sim e o não. Mas qual das duas opções é a mais razoável, ou seja, que considera todos os fatores implicados nas perguntas? Certamente, se a pergunta é constitutiva da essência do nosso ser, não admitir a possibilidade de uma resposta é irracional, isto é, vai contra a nossa natureza.

	6. Alienação: a resposta às perguntas estaria num possível progresso (econômico, proficional, etc) no futuro...

	AINDA SOBRE AS ATITUDES NÃO RAZOÁVEIS: CONSEQUÊNCIAS
Conseqüências das atitudes não razoáveis diante da interrogação última
1. A ruptura com o passado
	Negar ou reduzir as perguntas últimas leva a negar o significado da vida e da realidade. E isso traz consequências.

	A perda do significado, traz conseqüências graves. O homem perde o controle de si, da integridade dos seus fatores.

	Primeira conseqüência: ruptura com o passado

	A perda do significado tende a anular a personalidade. Sem a apreensão do significado de uma coisa, ela permanece estranha a nós.

	O homem fica enrijecido, incapaz de compreendê-la e de utilizá-la: a perda do significado leva, portanto, a uma depressão da personalidade, e esta ofusca o senso do passado.
1. A ruptura com o passado
	Gostaria de explicar por meio de uma analogia. Sem conhecer o significado de um instrumento que tivéssemos à nossa frente, como poderíamos tratá-lo? Do mesmo modo como faria uma criança, ou seja, brincando.

	O que caracteriza esse “brincar” com um objeto? Que o nexo entre a pessoa e o objeto é determinado por uma finalidade não adequada ao objeto (a não ser, evidentemente, que esse objeto seja um brinquedo).

	O nexo não é inteligente, não ordenado, controlado ou guiado. Exemplo: uma criança de um ano e meio com uma máquina fotográfica nas mãos....; Como ela a trataria? Brincando! Ou seja, usaria a máquina de uma forma não adequada, pois não respeitaria a finalidade para a qual a máquina foi feita.

1. A ruptura com o passado
	
	Não é diferente o homem quando perde o significado do seu viver, a resposta para essas perguntas. Não e pode dizer que ele brinca com o mundo, porque a vida é muito dramática e, no fundo, até trágica.

	A palavra “brincar valeria somente em alguns casos. O homem reage. O critério do seu nexo com a realidade é a reatividade, a reação; a reação tem como critério o puro instinto e não a consciência do valor...

	
2. INCOMUNICABILIDADE E SOLIDÃO

	a) Incomunicabilidade

	 A perda do senso do passado, que torna árida a fecundidade do futuro, reduz de modo vertiginoso o diálogo e a comunicação humana.

	O passado é, de fato, o húmus no qual o diálogo lança as suas raízes. O diálogo e a comunicação humana têm raiz na experiência.

	Sobre isso destaco dois pontos:
	Primeiro: a experiência é tutelada e protegida pela memória. A memória é lugar onde se guarda a experiência; com efeito, eu não posso dialogar com você se a minha experiência não está guardada em mim.

	Segundo: a experiência deve ser verdadeiramente tal, isto é, julgada pela inteligência. Como a inteligência julga a experiência? Comparando o conteúdo expressivo com base nas exigências constitutivas do nosso ser (exigência de felicidade, de verdade, de amor, etc.)

	

2. INCOMUNICABILIDADE E SOLIDÃO

	b) Solidão

	A incomunicabilidade como dificuldade de diálogo e comunicação faz com que a solidão que o homem experimenta diante da próprio destino se torne mais trágica.

	Diante da própria vida como ausência de significado, o homem experimenta uma solidão terrível. De fato, a solidão não é estar sozinho, mas é ausência de significado.

	Podemos estar no meio de um milhão de pessoas e estar totalmente sozinhos, se aquelas presenças não tem significado para nós.

	De fato, segundo Teilhard de Chardin, a maior tragédia dos tempos modernos é, sobretudo, a perda do gosto de viver. Esse é o pior dos males, até está relacionado diretamente ao drama da existência pessoal de cada ser humano

	

2. INCOMUNICABILIDADE E SOLIDÃO

	Um grande escritor italiano, Cesare Pavese, descreve muito bem o que está por traz desse vazio que assola tantas pessoas nos dias atuais:

	"Todos procuram quem escreve, querem falar-lhe e, todos querem 	poder dizer 	amanhã 'sei como você é', e aproveitar-se disso, mas ninguém lhe concede um dia de simpatia total de homem para homem".

	Velhice aos vinte anos, e até antes; velhice aos quinze anos: esta é a característica do mundo de hoje.

	

	

	

2. INCOMUNICABILIDADE E SOLIDÃO

	
	A mesma coisa é testemunhada neste assustador poema de Ciudakov, um poeta russo clandestino:

	Quando gritam \ "Homem ao mar!"\ o transatlântico, grande como uma casa,\ pára de repente, \ e o homem, \ pescam-no com cordas.\ Mas quando\ o que está fora de bordo é a alma do 	homem, \ quando ele se afoga \ no horror \ e no desespero, \ nem mesmo a sua própria casa \ pára, mas se afasta.

3. A perda da liberdade
	1. O que se entende por liberdade?

	2. Com que método a pessoa pode definir a liberdade?

	3. Quando é que a pessoa se sente realmente livre?

	4. O que seria da pessoa humana se ela fosse apenas êxito dos seus antecedentes físico-biológicos, isto é, se dependesse apenas do fluxo material?

	5. Qual é o único caso em que o homem é livre do mundo inteiro?

	6. Por que a liberdade está na religiosidade, e esta, por sua vez, é a única hipótese que torna o homem verdadeiramente livre?

3. PERDA DA LIBERDADE

	
	Para você, o que é a liberdade? Quando é que você se sente realmente livre?
	
	a) A percepção da liberdade

	Para compreender o que a liberdade, nos devemos partir da experiência que temos do sentirmo-nos livres.

	Experimentalmente, nós nos sentimos livres pela satisfação de um desejo.

	Exemplos: uma bela viagem...

 uma rapaz pede uma garota em namoro...

			
	
	

3. PERDA DA LIBERDADE

	
	
	Como se vê, nós nos sentimos livres quando fazemos experiência da realização de algo que desejamos muito.

	Mas nós não queremos ser livres só em algumas momentos; queremos ser livres sempre; ser livre, livre, isto é, a liberdade, não um momento de liberdade.

	Vale dizer: a liberdade se apresenta a nós como a satisfação total. Por isso, a liberdade é a capacidade do fim, da totalidade, a capacidade da felicidade.

3. PERDA DA LIBERDADE

	
	A liberdade é a realização total de si. “A verdade vos libertará”:
Ronieri Aguiar fez um comentário
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