CCJ0006-WL-PA-12-Direito Civil I-Novo-15839
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que um bem, naturalmente 
divisível, trespasse sua realidade física e, pois, se transforme num bem indivisível, se o interesse público assim justificar. 

Mais: à vontade das partes - aqui se entenda pessoas físicas ou jurídicas que protagonizem relação jurídica  - tem autoridade, também, para alterar o regime natural do bem, 
objeto da nuclear do contrato, emprestando-lhe, circunstancialmente, a natureza de indivisibilidade.

Ressalve-se, contudo, que os bens corpóreos somente podem ser juridicamente divididos quando forem naturalmente - diga-se normalmente e não apenas por influência de 
fenômeno natural - divisíveis. 

BENS SINGULARES E BENS COLETIVOS

A) BENS SINGULARES – Embora reunidos, se consideram per si, independentemente dos demais, têm individualidade própria, valor próprio.  À esta singularidade deve-se,
também, emprestar o significado da titulação de um predicativo exclusivo que particulariza o bem, distinguindo-lhe extraordinariamente, como se fosse fora do comum ou
excepcional.

B) BENS COLETIVOS (ou universais) - são as que, embora constituídas de duas ou mais coisas singulares, consideram -se agrupadas num todo.

Os bens coletivos dividem-se em:

a) universalidades de fato (universitas facti); e

b) universalidades de direito (universitas juris).

Na universalidade de fato, concorre a pluralidade de bens singulares, simples ou compostos pertinentes à mesma pessoa, natural ou jurídica, os quais se prestam à 
destinação unitária ou comum.

Justifica-se a lembrança de que, na universalidade de fato - tome-se o exemplo de uma esquadrilha, biblioteca, pinacoteca, manada, esquadra, etc -, emerge a constatação 
da composição homogênea dos bens, sob o mesmo domínio. Consente o Código Civil que os bens que formam a universalidade de fato podem ser objeto de relação 
jurídicas próprias , razão por que se diz que eles, se assim desejar o titular, destacam-se do patrimônio agrupado para servir a negócios jurídicos autônomos.

Na universalidade de direito, reúne-se uma complexidade de bens corpóreos e incorpóreos, a qual se credencia a sedimentar o patrimônio, com ativo e passivo, de uma 
pessoa natural ou jurídica, categorizando-a economicamente.

Identifica-se, na universalidade de direito, um conjunto que forma uma unidade jurídica, por agregação de bens subordinados a idêntico tratamento jurídico, enquanto se 
apresentarem, porém, na projeção patrimonial da mesma pessoa.

Referências bibliográficas:

Nome do livro: Curso de Direito Civil. Vol 1 Parte Geral - ISBN. 8530927923

Nome do autor: NADER, Paulo.

Editora: Forense

Ano: 2009

Edição: 6a

Nome do capítulo: Bens e patrimônio

N. de páginas do capítulo: 13

Aplicação Prática Teórica

CASO CONCRETO 1

Noção de patrimônio. Distinção entre bens e coisas.
Jairo Silva Santos, jovem tímido de 19 anos é convidado pelos colegas de escola para participar de um luau na praia do Peró, em Cabo Frio/RJ. A noite estava estrelada, a 
música envolvente e aquela gente toda dançando freneticamente deixavam o jovem ainda mais deslocado. Até que conhece Maria Priscila, que o leva para o outro lado da 
praia e com quem acaba tendo sua primeira noite de amor. No calor do momento, Jairo enterra uma das mãos no chão e segura um punhado de grãos de areia que resolve 
guardar como recordação daquele momento especial.
Ao voltar para a festa, Jairo tropeça num objeto semi-enterrado na areia, descobrindo que se trata de uma carteira de couro da grife Giorgio Armani contendo R$200,00.
Diante do caso acima relatado, responda:
a) Em razão do grande valor sentimental que aquele punhado de areia possui para Jairo, pertence ele a seu patrimônio? Por quê?
a)Como Jairo não conseguiu identificar o dono da carteira ela passa a fazer parte de seu patrimônio?  Por quê?
 
a)É possível, de acordo com o Direito Civil brasileiro, uma pessoa ser destituída de todo e qualquer patrimônio?
CASO CONCRETO 2

Noção de patrimônio.
Paula resolve entrar para uma comunidade religiosa em que os bens materiais individuais são considerados impuros. Somente pouquíssimos bens, essenciais, para a 
sobrevivência do grupo, são passíveis de serem aceitos e passam a pertencer à comunidade. Sua mãe, viúva, a adverte de que não poderá se desfazer de todos os seus 
bens por causa da teoria do estatuto jurídico do patrimônio mínimo.

a)     Paula poderá se desfazer do patrimônio que possui, herança de seu pai?
b)    A advertência da mãe de Paula está correta?

CASO CONCRETO 3

Classificação dos Bens.
Pertencente a uma expressiva coleção particular mineira - de onde nunca saíra antes a não ser para retrospectivas e salões de arte - a tela Casamento na roça, de Inimá de 
Paula, vai ao mercado. O leilão será no dia 16, na Vitor Braga Rugendas Galeria de Arte, em Belo Horizonte. A obra datada de 1947 traz no verso o carimbo do Salão 
Nacional de Belas Artes de 1949, onde obteve a medalha de prata. Lance inicial: R$ 230 mil.
Além dessa obra também serão leiloados: 137 calças blue jeans da grife Live Strond, um automóvel Lancia Astura, exemplar único, fabricado especialmente para o ditador 
italiano Benito Mussolini, em 1939, com desenho do ateliê Pininfarina, cinco anéis de brilhante, duas pulseiras de esmeraldas, os dois últimos lotes de vinho tinto da marca 
Merci Borreau, safra 1977, confiscados pela Receita Federal e um terreno de 2.000 m² localizado na Av. Paulista/SP.

a)     Levando em consideração a classificação dos bens, estabeleça a natureza jurídica dos bens objeto do leilão ?  JUSTIFIQUE sua resposta.
b)    As roupas referidas no caso acima são consideradas bens consumíveis ou inconsumíveis?

CASO CONCRETO 4

Classificação dos bens
Situada na aprazível cidade de Castro, região da zona rural do Paraná, a fazenda adquirida por Leonor Sigfrid Pandorf possui uma plantação de pinheiros que cobre a maior 
parte da área de 40.000 m², utilizada para a produção de celulose. Ocorre que Leonor resolve mudar de ramo e recebe autorização especial do IBAMA para transformar tudo 
em lenha.
 

a) Com base na classificação dos bens em móveis e imóveis, estabeleça a natureza jurídica das árvores da fazenda e da lenha conseguida pelo seu corte:
b) Qual a importância desta distinção?

Plano de Aula: 6 - DIREITO CIVIL I

DIREITO CIVIL I

Estácio de Sá Página 2 / 6

Título

6 - DIREITO CIVIL I

Número de Aulas por Semana

Número de Semana de Aula

6

Tema

OS BENS

Objetivos

·         Identificar os objetos das relações jurídicas apresentadas.
·         Compreender a noção jurídica de patrimônio
·         Perceber a distinção entre bens e coisas.
·         Reconhecer a classificação dos bens considerados em si mesmos.
·         Compreender a noção jurídica de fungibilidade dos bens.
·         Perceber a distinção entre bens móveis e imóveis.

Estrutura do Conteúdo

1 –   OS BENS - ELEMENTOS EXTERNOS DA RELAÇÃO JURÍDICA

          1.1 Os Bens Jurídicos.

          1.2 Conceito e Espécies.

1.3 Noção de patrimônio.

1.4  Distinção entre bens e coisas.

2 –   OS BENS CONSIDERADOS EM SI MESMOS

          2.1 Bens móveis e imóveis.

          2.2 Bens fungíveis e não fungíveis (ou infungíveis)

2.3 Bens consumíveis e não consumímeis.

2.4  Bens divisíveis e indivisíveis.

2.5  Bens singulares e Bens coletivos.

Segue abaixo uma sugestão de roteiro de apresentação do conteúdo programático:

OS  BENS .

As pessoas procuram nos bens, materiais ou imateriais, a satisfação de seus desejos e a realização de suas necessidades, em torno dos quais gravitam os interesses e 
os conflitos.

Um bem pode preencher uma necessidade de ordem material ou imaterial, sem perder o predicativo que a ordem jurídica reconhece como relevante, a exigir tutela. 

Para um melhor esclarecimento acerca da classificação adotada no Código Civil brasileiro, é importante diferenciar "coisa" e "bem".

Segundo Teixeira de Freitas[1], coisa tem por definição tudo aquilo que possui existência material, seja suscetível de valoração e, conseqüentemente,