CCJ0006-WL-PA-12-Direito Civil I-Novo-15839
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sem alteração da substância ou da destinação 
econômico-social".

Também são considerados, para os efeitos legais, bens móveis : 

a) as energias que tenham valor econômico; 

b) os direitos reais sobre objetos móveis e as ações correspondentes; e 

c) os direitos pessoais de caráter patrimonial e respectivas ações. 

Percebe-se que o Código Civil, na definição de bem móvel, calcou-se em dois critérios: 

a) natural; e

b) ficcional ou legal.

Na classe dos bens móveis, pelo critério natural, existem os: 

a) os bens suscetíveis de movimento próprio ;

b) os bens suscetíveis de remoção por força alheia. A nova disposição desenhada é quase a reprodução legal da regra vigente no Código anterior, que oferecia classificação 
dos bens móveis, pelo critério natural, com base na definição de que se expurgava a expressão "sem alteração da substância ou da destinação econômico-social".

Para a lei, acomoda-se indiferente a natureza da força física ou jurídica mediante a qual o bem se movimenta, situação que lhe confere o atributo de bem móvel.

A força que estimula a movimentação ou mobilidade do bem pode ser própria ou alheia, posto que se lhe guarda o atributo de bem móvel, desde que a interferência não lhe 
altere a substância ou a destinação econômico-social.

Mostra-se a regra indiferente, por conseguinte, à causa que fomenta a movimentação ou a mobilidade do bem, haja vista que ela mais se preocupa com a conservação da 
substância ou da destinação econômico-social.

Mas se ressalte que a tração capaz de mover o bem decorre da interferência direta ou indireta do homem, que maneja recursos físicos ou jurídicos, em decorrência dos 
quais sucede a movimentação do bem. 

Nada obsta, contudo, a que a natureza ofereça o seu concurso para viabilizar a mobilidade ou movimentação do bem, de que venha o homem a se apropriar. 

O importante, porém, é que, para a movimentação própria ou remoção por força alheia, exige-se a disposição e a intervenção do homem. 

Na classe dos bens móveis, pelo critério ficcional ou legal, houve a inovação, com a introdução das energias que tenham valor econômico e os direitos pessoais de caráter 
patrimonial e as respectivas ações , como bens móveis. 

A energia que se considera bem móvel é aquela que o homem, aproveitando-se dos recursos naturais e científicos, produz, transmite e distribui, com agregação de valor 
econômico, por força de sua utilidade e necessidade. 

Os direitos reais sobre objetos móveis, com as ações correspondentes, foram considerados bens móveis, para os efeitos meramente legais. 

Em relação aos direitos pessoais de caráter patrimonial, com as respectivas ações, diz-se que o conceito é ampliativo ou extensivo, sob cujo alcance acham-se todos os
direitos que dizem respeito aos atributos da pessoa, natural ou jurídica. 

Ressalte-se, ainda, que o Código Civil conservou a regra segundo a qual "os materiais destinados a alguma construção, enquanto não forem empregados, conservam sua 
qualidade de móveis; readquirem essa qualidade os provenientes da demolição de algum prédio".

OS BENS MÓVEIS DIVIDEM-SE EM:

BENS FUNGÍVEIS E NÃO FUNGÍVEIS (OU INFUNGÍVEIS)

A) BENS FUNGÍVEIS - são aqueles que podem substituir-se por outros da mesma espécie, qualidade e quantidade. Fungível = substituível - art. 85 do CC.

O dinheiro é o bem fungível por excelência, dado que quando se empresta uma quantia a alguém (por exemplo, R$100,00), não se está exigindo de volta aquelas mesmas 
cédulas, mas sim um valor, que pode ser pago com quaisquer notas de Real (moeda).

Se a utilização de um bem fungível implica na sua destruição ou transformação em outra substância (como uma xícara - ou chávena - de açúcar emprestada para se fazer 
um bolo), este bem é denominado consumível.

Como os bens fungíveis podem ser substituídos por outros da mesma espécie, quantidade e qualidade, esse predicativo da permuta, sem prejuízo da essência ou natureza, 
favorece a faculdade que se confere ao devedor no cumprimento da obrigação. 

Decerto, pela propriedade da equivalência, admite-se que o devedor entregue ao credor uma coisa em substituição à outra, situação mediante a qual se tem como adimplida 
a obrigação, se observadas, evidentemente, as particularidades referentes ao gênero, à qualidade e à quantidade.

B) BENS INFUNGÍVEIS - não podem substitui-se por outros da mesma espécie e qualidade e quantidade.

Infungibilidade é o princípio que define os bens móveis que não podem ser substituídos por outros da mesma espécie, quantidade e qualidade. Logo, todo bem móvel único é 
infungível, assim como todo bem imóvel.

São infungíveis as obras de arte, bens produzidos em série que foram personalizados, objetos raros dos quais restam um único exemplar, etc.

BENS CONSUMÍVEIS E NÃO CONSUMÍMEIS

A) BENS CONSUMÍVEIS - são bens móveis cujo uso importa destruição imediata da própria substância, sendo também considerados tais os destinados a alienação, ou seja, 
coisas que se excluem, num só ato, com o primeiro uso, podendo ser coisas fungíveis ou infungíveis. 

Na caracterização do bem consumível, deixa-se de investigar a natureza a causa ou a natureza do consumo, haja vista que importa constatar que, com o uso, lhe ocorreu a
destruição imediata da própria substância. 

Consumir não significa, apenas, alimentar-se biologicamente, como característica ímpar que se agrega ao bem chamado consumível, porquanto a expressão alarga -se na
extensão necessária para alcançar todo processo natural ou artificial que gere ou provoque, com o uso, a destruição imediata da própria substância. 

Não basta a descaracterização formal do bem para se lhe atribuir o caráter de consumível, se cujo uso não lhe implicar a destruição imediata da própria substância. 

É interessante observar que a lei também emprestou o caráter de bem móvel consumível a todo bem que se destina à alienação, o que reforça o entendimento segundo o 
qual o processo que lhe explica a natureza não é apenas o consumo biológico.

No entanto, vale a ressalva de que consumibilidade não se confunde com deteriorabilidade, atributos que se impregnam nos bens, conforme a natureza.

A deteriorabilidade é, no geral, caráter de coisa inconsumível; a consumibilidade, de coisa consumível, obviamente.

B) BENS INCONSUMÍVEIS - bens que proporcionam reiterada utilização do homem, sem destruição da sua substância. Assim, não é consumível a roupa, de uso de uma 
pessoa, já que lhe proporciona o uso reiterado. Todavia, a mesma roupa torna-se consumível numa loja, onde se destina à venda.

BENS DIVISÍVEIS E INDIVISÍVEIS

A) BENS DIVISÍVEIS - são as que se podem fracionar sem alteração na sua substância, diminuição considerável de valor, ou prejuízo do uso a que se destinam. Podem partir-
se em porções reais distintas, formando cada qual um todo perfeito - art. 87 do CC.

B) BENS INDIVISÍVEIS - são aquelas que não comportam fracionamento ou aquelas que, fracionadas, perdem a possibilidade de prestar serviços e utilidades que o todo 
anteriormente oferecia.

Um exemplo de bem indivisível é um carro ou um diamante lapidado (uma vez que sua divisão irá acarretar uma diminuição considerável de valor). Vale lembrar que um bem 
fisicamente divisível pode ser transformado em indivisível por vontade das partes ou por determinação legal. Também, ressalta -se que a divisão física em partes iguais de 
coisa indivisível, quando possível (um terreno, por exemplo) é denominada pro indiviso.

Analisa-se a divisibilidade com base em dois atributos de natureza:

a) física; e 

b) jurídica. A caracterização da divisibilidade sob o aspecto físico prende-se à natureza da possibilidade de fracionamento do bem. 

Quando pode ser dividido fisicamente, diz-se que o bem é divisível; ao contrário, fala-se em bem indivisível. 

Essa obviedade permite a instalação da assertiva de que a primeira referência que se busca para a definição da divisão de um bem é a da aceitação física.

Em sendo assim, a própria natureza do bem sugere ou aceita