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APOSTILA ED DIREITO E GLOBALIZAÇÃO

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DIREITO E GLOBALIZAÇÃO
MÓDULO 1 - USOS E ABUSOS DO TERMO “GLOBALIZAÇÃO”.
Neste primeiro módulo da disciplina Direito e Globalização trataremos de alguns aspectos introdutórios, dentre eles dos usos e abusos do termo “globalização”.
A tecnologia desenvolvida nos últimos anos propiciou, no século XXI, o “encurtamento” das distâncias, sobretudo no que diz respeito ao uso da internet, tendo em vista que inúmeras transações financeiras são realizadas, contatos com familiares que moram em países distintos são feitos, compras de produtos estrangeiros são efetuadas.
Mas a internet, com relativa abrangência ao público, não tem sequer duas décadas. E representa atualmente somente o topo da pirâmide do desenvolvimento tecnológico (que é sempre relativo) e foi alcançado por meio da constituição do amplo alicerce do conhecimento cientifico desenvolvido de forma espaçada e cadenciada, de mão em mão, tecido por muitas civilizações.
Em meio aos saltos de avanços científicos da humanidade, a globalização, embora tenha começado através da embrionária e fundamental conexão marítima no contexto antropocêntrico do período renascentista, foi potencializada a partir da revolução industrial iniciada no século XVIII na Inglaterra.
Um consistente incremento foi possibilitado através das tecnologias da comunicação dos séculos XX e XXI. Assim, do alvorecer ao esplendor, revolucionou o modo de viver e se relacionar com as coisas.
Dentre os fatos que potencializaram a globalização, a maioria dos acontecimentos se sucedeu no século XX, têm-se na primeira metade, duas grandes guerras mundiais. No contexto Internacional pós-segunda guerra mundial, a globalização comercial promovida pelos Estados Unidos da América através da ação global expansiva das multi e transnacionais, ganha o domínio dos principais mercados mundiais nos países capitalistas.
No tocante à globalização econômica, pode-se afirmar que essa evidenciou com mais intensidade os novos mecanismos ideológico-políticos e econômicos utilizados pelo capital para intensificar a produção e, ao mesmo tempo, sufocar a organização dos trabalhadores. 
Por meio de estratégias de retroalimentação do capital, tais como: a terceirização, a flexibilização, a informalidade, a busca por mão-de-obra barata, o controle de qualidade, entre outras, ela colaborou para o aumento da precarização, da exploração do trabalho e do trabalhador brasileiro. Com o incremento da exportação, empresários de vários setores, vêm investindo em agilidade e aumento do volume de produção para poder atender à demanda externa. Para tanto, priorizam a automação, empregando cada vez menos pessoas, ou seja, investem em atividades de capital intensivo com poucos trabalhadores qualificados.
Isso nos leva a pensar que a globalização atinge inúmeras questões sociais, sobretudo aquelas que se referem ao trabalhador e ao trabalho, e mais, que a raiz dos principais problemas sociais vivenciados pelos mesmos tem sua origem no modo de produção capitalista que, apesar das crises e das retroalimentações sofridas, mantém inalterada a sua base exploratória. Porém, é possível pensar que há formas de intervenção político-social, cultural e econômica neste processo. 
O termo globalização acabou se tornando uma das palavras-chave mais em voga nos anos oitenta e sobrevive nos anos noventa, ao lado de outras tais como, "privatização", "ecologia", "desenvolvimento sustentável" ou o "fim da história", além dos inúmeros neo- e pós- -ismos, como neoliberalismo, pós-fordismo, pós-industrial ou pós-moderno.
No entanto, no caso de globalização, assim como no dos demais neologismos citados, uso frequente ou largamente difundido não é garantia de significado claro ou sequer emprego consistente. De maneira geral, neologismos são utilizados como se fossem novos conceitos quando na verdade procuram encobrir o sentido de conceitos pré-existentes bem definidos, substituindo-os. Eis como no início dos anos de 1970, Hugo Radice, argumentava contra o uso da expressão "firmas multinacionais" ao invés de "internacionais".
O termo geralmente usado para descrever companhias com instalações fabris em mais de um país é empresa (corporação, firma) multinacional. Usamos o termo "empresa internacional", em parte porque é mais acessível, e em parte porque o mesmo enfatiza o movimento de capital através e entre "nações" da economia mundial, enquanto que "multinacional" tem uma falsa conotação de mais de uma nacionalidade. 
No caso de globalização, o termo é usado indiscriminadamente, para explicar fenômenos do capitalismo contemporâneo, para justificar medidas econômicas de governos nacionais e até políticas urbanas de governos locais. O que é geral é que na maioria dos casos a palavra "globalização" vem com uma conotação de inexorável, acompanhante inevitável do rolo compressor da modernidade.
MÓDULO 2 - AS PRINCIPAIS VISÕES SOBRE A GLOBALIZAÇÃO.
Neste segundo módulo vamos abordar as principais visões sobre a globalização.
Para os autores comumente classificados como representantes de uma corrente hiper globalista, a globalização é algo novo e potencialmente revolucionário, pois a partir da crescente influência exercida pelas empresas multinacionais e pelos mercados cada vez mais integrados, diferentes países estariam sendo levados a se adequarem a um padrão mundial de produção e gestão da política econômica. 
Tal processo conduziria a uma homogeneização dos modos de produção e condução macroeconômica no mundo, condicionados pelas práticas fomentadas pelas empresas com unidades produtivas em diferentes partes do globo e pelo surgimento de um mercado global, bem como pela pressão exercida pelos capitais em nome da rentabilidade. 
Neste cenário, os Estados nacionais perderiam poder, ao serem submetidos a uma lógica dissociada do caráter nacional, cuja origem está em empresas e detentores de grandes capitais atuantes em âmbito global. 
A competitividade surge aqui como condição necessária para a atração dos investimentos provenientes de empresas multinacionais, algo que supera em muito a noção de competitividade associada aos produtos exportados por este ou por aquele país. Assim, a globalização é apresentada pelos autores da corrente “hiper globalista” como um processo que afeta os países, mas cuja lógica não obedece aos interesses destes. 
Entre os autores desta corrente, podem ser identificados os que são otimistas em relação ao fenômeno (neoliberais) e os que o vêm de forma negativa – marxistas como David Held – mas reconhecendo-o como uma força capaz de tornar inócuas as políticas sociais tradicionais, de caráter local. 
Outros, como Manuel Castels, são mais moderados, mas reconhecem na globalização uma “nova realidade histórica”, na qual predomina “uma economia capaz de operar como uma unidade em tempo real em escala planetária”.
Tal concepção é criticada pelos céticos, que ao apresentarem dados que evidenciam o caráter fortemente nacional ainda presente nos negócios das empresas multinacionais, bem como a concentração do comércio mundial naqueles países em que estas empresas estão sediadas, buscam fundamentar a tese de que os Estados nacionais são ainda detentores de grande parte do controle sobre os processos característicos da globalização.
Outro ponto criticado pelos autores de postura mais cética seria a crença na existência de um modo de produção padronizado e difundido ao redor do globo através da atuação de empresas multinacionais. 
Segundo estes autores, estas empresas adotariam em diferentes lugares práticas muito distintas, de acordo com as características das sociedades locais. Desta forma, o processo de adaptação teria seu sentido invertido em relação ao que era apregoado pelos hiper globalistas, ou seja: não são somente as sociedades que se adaptam a um padrão global; também as empresas de atuação multinacional buscam se adaptar às condições locais, o que faz com que a globalização não tenha um sentido único e pré-definido, mas muito pelo contrário. Isto seria suficiente para que a ideia de globalização enquanto “homogeneização” também seja

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