Marcos Mendes - Falhas de Governo
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Marcos Mendes - Falhas de Governo

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devem esperar
na fila a oportunidade para serem votados. Assim, um projeto de lei que revogue um
privilégio injustificado de um grupo social pode simplesmente não ser aprovado porque
o lobby dos beneficiários obtém sucesso em mantê-lo no final da fila.

Conclusões

As falhas de governo aqui apontadas não devem ser interpretadas como uma
apologia ao estado mínimo, nem devem levar à falsa ideia de que as decisões de
governo são sempre equivocadas ou enviesadas. É inconcebível, nas sociedades
modernas, prescindir da ação estatal.

O que se pode concluir, após a constatação de que as “falhas de governo” existem
e representam grandes distorções, custos e perda de bem-estar, é tentar minimizá-las.
Isso pode ser feito de duas formas.

A primeira delas é sempre procurar questionar quais são os benefícios e custos de
uma política estatal antes de implementá-la

A segunda abordagem seria no sentido de reduzir o espaço para a ocorrência de
falhas de governo, buscando-se:

. A discussão acerca da oportunidade de se
criar um novo programa público deve sempre buscar responder às seguintes questões:
(a) qual é a falha de mercado que se está procurando resolver? (b) que falhas de governo
podem vir a ser criadas pelo novo programa? (c) como minimizar as possíveis falhas de
governo? (d) o risco de criar falhas de governo compensaa possível correção das falha
de mercado que se pretende combater?

• transparência e prestação de contas pelas instituições públicas e imprensa
livre;

• entidades de controle externo (como o TCU, a Controladoria Geral da
União ou o Conselho Nacional de Justiça) são instituições de supervisão
cuja função é justamente induzir as instituições públicas a perseguir
objetivos públicos, penalizando os agentes que buscam benefícios privados
(sempre havendo o risco de que as próprias instituições de controle passem
a ser utilizadas em favor dos interesses de quem as controla);

• uma legislação que limite a prática do lobby;

• regras eleitorais que reflitam o melhor possível as preferências do eleitor
mediano e tornem as eleições baratas, evitando que os eleitos se tornem
reféns de seus financiadores de campanha;

• restrições ao gasto, à carga tributária, à dívida e ao déficit público, como as
que estão estabelecidas na Lei de Responsabilidade Fiscal, reduzem o
espaço de manobra para aqueles que querem usar o orçamento público
como veículo para interesses privados;

• organização das carreiras do serviço público com incentivos ao esforço e
ao mérito, como promoções por bom desempenho, minimização da
influência política e regras salariais baseadas na remuneração do setor
privado;

• manter a economia aberta à competição externa, o que cria um clima de
competição e menor espaço para criação de privilégios legais. Em uma
economia aberta e competitiva, o governo não pode sobretaxar as empresas
(sob pena de reduzir sua competitividade) o que limita o tamanho do
estado; o judiciário é induzido a ser rápido e eficiente (para solucionar
controvérsias comerciais sem demora); e sobra pouco espaço para políticas
de subsídios a setores privilegiados.

Para ler mais sobre o tema:

Arvate, P., Biderman, C. (2006) Vantagens e desvantagens da intervenção do governo
na economia. In: Mendes, M. (Org.) Gasto público eficiente: 91 propostas para
o desenvolvimento do Brasil. Instituto Fernand Braudel/Topbooks. São Paulo, p.
45-70.

Stiglitz, J. (1999) Economics of the public sector. W.W. Norton & Company, 3rd
edition. Capítulos 1 e 4.