CCJ0006-WL-PA-13-Direito Civil I-Antigo-15846
3 pág.

CCJ0006-WL-PA-13-Direito Civil I-Antigo-15846

Disciplina:Direito Civil I9.716 materiais355.204 seguidores
Pré-visualização8 páginas
conforme o art. 199 do Código Civil de 2002.
 
INTERRUPÇAǂO
Em relação à interrupção da prescrição, que se dará apenas uma única vez, de acordo com o art. 202 do Código Civil de 2002, quando houver qualquer comportamento ativo do 
credor, destacando-se que a citação válida interrompe a prescrição, não mais se considerando interrompida a partir da propositura da ação, mas sim retroagindo ao despacho do juiz 
que ordenar a citação.
Tal modiϐicação acabou com a alegação de prescrição intercorrente quando na demora da citação quando a própria parte não dera causa. Portanto agora, o simples despacho, ou como 
muitos entendem à luz do art. 219, § 1º do Código de Processo Civil, a distribuição protocolar, é suϐiciente para interromper a prescrição.
Agora, se o juiz demora a despachar a inicial e operara-se a prescrição, não poderá ser alegada, conforme súmula 106 do STJ. A opção do art. 202, parágrafo único, do Código Civil de 
2002, quando possı́vel, será veriϐicada em favor do devedor.
 
PRESCRIÇAǂO EM FACE DA FAZENDA PUƵBLICA.
 
A prescrição para cobrança dos créditos ativos da Fazenda Pública, frente ao particular, a que também se submetem quaisquer direitos e ações, inclusive de titularidade de entidades 
paraestatais, tem sido invocada com base no Decreto nº. 20.910, de 6 de janeiro de 1932, verbis, cuja incidência foi estendida para alcançar fundações e outros entes, pelo Decreto-Lei
nº. 4.597/42:

"As dı́vidas passivas da União, dos Estados e dos Municı́pios, bem assim todo e qualquer direito ou ação contra a Fazenda Federal, estadual ou municipal , seja qual for sua 
natureza, prescrevem em 5 (cinco) anos, contados da data do ato ou fato do qual se originarem."

 
Controvertem renomados juristas, a respeito do tema, considerando ora a imprescritibilidade dessas ações, com fundamento no artigo 37, § 5º., da Constituição Federal de 1998, ora 
admitindo a regra geral do artigo 177, Código Civil Brasileiro, dispondo sobre prescrição vintenária para ações pessoais e decenal para as ações reais, ora, invocando o princı́pio da 
isonomia, considerando a prescrição qüinqüenal das dı́vidas passivas da Fazenda Pública exigı́vel contra esta.
 
PRESCRIÇAǂO NO COƵDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR
 
Os prazos prescricionais referem -se à pretensão à reparação pelos danos causados por fato do produto ou do serviço prevista no mesmo CDC. 
 
Esclarece Arruda Alvim (Código Do Consumidor Comentado; 2. ED. rev. e ampl.; Revista dos Tribunais; 1995): "O objeto da reclamação é substancialmente diferente do pedido de 
reparação de danos." A reclamação é exclusiva do vı́cio, a reparação se prende as perdas e danos, fato do produto ou do serviço. 
 
Fato do produto é todo e qualquer dano, podendo este ser oriundo de um vı́cio, que, por sua vez traz em si, intrı́nseco, uma potencialidade para produzir dano. Assim, caso o vı́cio 
não cause dano, correrá para o consumidor o prazo decadencial, para que proceda a reclamação, vindo a causar dano (hipóteses do art. 12), deve se ter em mente o prazo qüinqüenal, 
sempre que se quiser pleitear indenização.
 
A posição de alguns doutrinadores estudados é no sentido de que se o consumidor tiver sido prejudicado, poderá haver perdas e danos (além da reclamação pelo vı́cio) e estas, 
apesar de originadas no próprio vı́cio do produto ou do serviço, não necessitam integrar a reclamação, ϐicando sujeitas o prazo prescricional ϐixado, em lei para estas, pois se 
constituem as perdas e os danos, em sentido lato, o fato do produto ou serviço, abrangendo o que o consumidor perdeu e o que deixou de ganhar em razão do vı́cio
 
Arruda Alvim (Código Do Consumidor Comentado; 2. ED. rev. e ampl.; Revista dos Tribunais; 1995) esclarece, no entanto, que: não há diferença entre os danos advindos de vı́cio do 
produto e o fato do produto. A interpretação diversa, ainda segundo ele, levaria a entender que a indenização pelo vı́cio, restaria à margem das leis de consumo, e que sua prescrição 
se regeria pelo direito comum (15 dias CC, 10 dias Ccom havendo rescisão, ou 20 por ação pessoal, no caso de não se dar a rescisão contratual). Continua: "O vı́cio do produto ou do 
serviço e sua sanação recebe um tratamento jurı́dico que não é dispensado ao dano; este importa em fato do produto ou do serviço. Nada obsta a que um produto ou serviço seja 
viciado e que, este vı́cio ocasione prejuı́zo, devendo este ser considerado como fato." 
 
Entendemos a propósito dessa discussão que fazer esta distinção entre fato do produto ou serviço e dano decorrente do vı́cio é supérϐlua até mesmo para negá-la. Qualquer perda ou
dano implica em fato do produto ou do serviço, que vem a ser precisamente o dano resultante do vı́cio.
 
William Santos Ferreira (Prescrição e Decadência no Código de Defesa do Consumidor, Revista de Direito do Consumidor, n 10, p 77 a 96, abril/junho, 1994), faz observação 
relevante ao observar que quando falamos do direito à incolumidade fı́sica-psı́quica do consumidor falamos de direito não sujeito à decadência. Temos então que a prescrição tem 
inı́cio com o nascimento da pretensão. Da lesão ou violação de um direito faz nascer a ação. Ora, o direito a vida, segurança, saúde nunca deixaram de existir, ao haver o dano, este 
implica em direito resistido, enseja ação e enseja também a prescrição decorrente.
 
Termo Inicial
 
A partir do momento do conhecimento do dano ou de sua autoria. Isto é, a partir do momento em que se conheça o dano e possa -se relacioná -lo com o defeito do produto ou do
serviço. Conhecimento dos efeitos do dano, não é conhecimento do dano, necessário que o consumidor tenha consciência de que aquilo que observa é, de fato, um dano, já que tal 
ilação pode não ser imediata em todos os casos.
 
Quanto à identiϐicação do autor, o comerciante é responsável subsidiário. Inexistindo informação sobre fabricante, construtor, produtor ou importador, bem como quando o fato se 
deve exclusivamente ao comerciante. será diretamente responsável nos casos previstos no art. 13. Nada impede que o consumidor descobrindo demais fornecedores, venha ajuizar 
ação já que só a contar deste conhecimento individualizado terá inı́cio o prazo prescricional. Poderá o consumidor demandar um ou mais dentre os responsáveis (solidariedade 
legal). A propositura de ação contra um não libera os demais. Liberação que só ocorre se houver o pagamento integral.
 
No ajuizamento de ações coletivas: a citação válida interrompe a prescrição, que correrá novamente apenas da intimação da sentença condenatória, esta interrupção aproveita ao 
consumidor individualmente no ajuizamento da ação singular.
 
. Causas Impeditivas, Suspensivas e Interruptivas
 
O parágrafo único prevendo interrupção foi vetado. Regerá portanto a matéria a disciplina do art. 172 e ss. do Código Civil, fonte subsidiária do Direito do Consumidor.

 
Nome do livro: Curso de Direito Civil vol.1 Parte Geral - ISBN - EAN-13: 9788530927929
Nome do autor: NADER, Paulo
Editora: Forense
Ano: 2009.
Edição: 6a
Nome do capítulo: Prescrição e Decadência
N. de páginas do capítulo : 19

Aplicação Prática Teórica

Os conhecimentos apreendidos serão de fundamental importância para a reϐlexão teórica envolvendo a compreensão necessária de que o direito, para ser entendido e estudado 
enquanto fenômeno cultural e humano, precisa ser tomado enquanto sistema disciplinador de relações de poder, a partir da metodologia utilizada em sala com a aplicação dos casos 
concretos, a saber:
 

Caso concreto (1):

 

Em julho de 2000, o veículo de João estava estacionado corretamente na margem direita de uma tranqüila rua de sua cidade, quando foi abalroado por um caminhão em alta 
velocidade e cujo motorista estava alcoolizado. Na época, estava em vigência o Código Civil de 1916, que estipulava um prazo prescricional de vinte (20) anos para