Texto_Ética_e_Responsabilidade
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de classe média. Foi o fundador e maior representante do 
materialismo histórico. Partindo do princípio de que o idealismo mistificava 
a realidade ao fazê-lo decorrente dos conceitos e, dessa forma, criava uma 
moral também mistificada, pois embasada em princípios irreais, inaugurou 
uma nova teoria moral com bases assentadas no concreto, no real, na 
prática. 
Entendia que o ser humano era ao mesmo tempo social e histórico, objetivo 
e subjetivo, capaz de criar e de interferir na realidade e transformá-la à sua 
medida. Nesse processo, ele não só construía o seu mundo concreto, como 
também a sua fundamentação valorativa. (PASSOS, 2004, p. 42). 
 
Com a finalidade de enriquecer as abordagens apresentadas nessa pesquisa, torna-se 
oportuno transcrever a opinião de Valls (1994) a cerca da ética na atualidade: 
 
A ética contemporânea aprendeu a preocupar-se, ao contrário das tendências 
privativistas da moral, com o julgamento do sistema econômico como um 
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todo. O bem e o mal não existem apenas nas consciências individuais, mas 
também nas próprias estruturas institucionalizadas de um sistema. Antigos 
compendias de moral, de inspiração católica, ainda afirmavam, há cinqüenta 
anos, por exemplo, que o socialismo seria intrinsecamente mau, enquanto o 
capitalismo permitiria corrigir os seus erros eventuais. Hoje dificilmente um 
livro de ética teria a coragem de fazer uma afirmação deste tipo. (VALLS, 
1994, p. 73). 
 
A prática da Ética pressupõe-se incondicional, ou seja, não se pode ser ético em 
determinados assuntos e não em outros, ou então ético em determinados dias da semana, 
assim como ser ético com determinadas pessoas ou locais e promover arbitrariedades em 
outros momentos. A simples menção da palavra Ética pode indispor uma negociação, desde 
que uma das partes envolvidas não internalize os conceitos inerentes a essa filosofia e que 
haja interesses conflitantes. 
Na atualidade, apresenta-se um sistema socioeconômico que prioriza ações éticas e 
responsáveis por parte das organizações, conforme aborda Srour (1998): 
 
A partir da segunda metade do século XX, e graças ao funcionamento da 
democracia representativa, esses fatores todos desembocaram num novo 
sistema socioeconômico, de caráter capitalista, e esculpiram nele uma dupla 
lógica \u2013 a do lucro e a da responsabilidade social. No capitalismo social, a 
maximização dos lucros dá lugar à sua otimização e a produção de 
excedentes em limites socialmente compatíveis. O que isso significa? Que 
foi incorporado um novo termo à equação capitalista ou uma nova chave-
mestra: as empresas capitalistas deixam de fixar-se apenas na função 
econômica (ainda que esta se mantenha determinante) e passam a orientar-
se, de modo indissociável, pela função ética da responsabilidade social. 
(SROUR, 1998, p. 47). 
 
RESPONSABILIDADE SOCIAL 
 
Por volta do século XIX, nos Estados Unidos e Europa, a Ética e a Responsabilidade 
Social eram aceitas como doutrina, apenas podendo ser aplicadas pelos monarcas nas 
negociações corporativas, mas não pela iniciativa privada. Na trilha da análise evolutiva do 
conceito de responsabilidade social, a história mostra que: após a independência dos Estados 
Unidos e, até início do século XX, a legislação sobre corporações regia a realização de lucros 
para os seus acionistas, sem uma preocupação efetiva das organizações com investimentos 
sociais. 
O julgamento do caso Dodge versus Ford, ocorrido em 1919, motivado pela decisão de 
Henry Ford, presidente e acionista majoritário da empresa Ford, no ano 1916, de não 
distribuir os lucros aos acionistas, revertendo-o para investimento social, postura que os 
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desagradava, promoveu discussão à cerca da Responsabilidade Social. A Suprema Corte de 
Michigan, nos Estados Unidos, deu parecer favorável aos Dodges, baseado no princípio de 
que a corporação existe para o benefício de seus acionistas, tendo os seus dirigentes a única 
obrigação de gerar lucros, e estes não podem ser utilizados para outros fins. A Filantropia 
apenas poderia ser utilizada se fosse baseada em gerar lucros para os acionistas. 
(KARKOTLI; ARAGÃO, 2004). 
Após a Segunda Guerra Mundial, este princípio voltado para o lucro aos acionistas foi 
bastante combatido. As corporações tomavam novas proporções, assim como, também, sua 
influência na sociedade, e estes fatos relatados acima, repercutiram nas domadas de decisões 
das Cortes norte-americanas, passando a serem favoráveis às ações filantrópicas das 
corporações. 
Em 1953, também nos Estados Unidos, a justiça de Nova Jersey julga um caso 
semelhante ao de Ford, mas nesta nova situação, a decisão foi favorável à doação de recursos 
para a Universidade de Princeton, contrariando interesses de um grupo de acionistas e 
estabelecendo uma brecha para o exercício da filantropia corporativa, configurando-se como 
lei (ASLHEY, 2005). Após esta decisão, passou-se a questionar que outras ações, além da 
filantropia e daquelas voltadas ao social, seriam de igual legitimidade. Tal discussão teve 
início nos Estados Unidos, surgindo no final da década de 60, na Europa. 
Na década de 60, para os Estados Unidos, o conflito do Vietnã desencadeia 
manifestações por parte da população, contra a produção e uso de armamentos bélicos, 
principalmente as armas químicas. Emergem as preocupações com os problemas ambientais. 
Nesse período, deu-se início às atividades em defesa dos direitos do consumidor. No ano de 
1962, o então presidente dos Estados Unidos, John Kennedy, em um discurso, reconhece 
quatro direitos básicos do consumidor: direito à segurança, à informação, à livre escolha, e de 
ser ouvido. As organizações não podiam mais vender o que desejassem, da forma que 
desejassem. Surge então, a partir deste fato, um instrumento através do qual a sociedade pode 
questionar os valores sociais e seus direitos como cidadãos (KARKOTLI; ARAGÃO, 2004). 
No Brasil, a criação da Associação dos Dirigentes Cristãos de Empresas (ADCE) é um 
marco do inicio da utilização da expressão Responsabilidade Social, principalmente, após a 
publicação da Carta de Princípios do Dirigente Cristão de Empresas, em 1965, que se 
baseava na função social voltada para os trabalhadores e a comunidade em geral. O período 
marcado pela ditadura militar, após 1964, restringiu a liberdade de atuação (ASHLEY, 2005). 
Na década de 70, surgiu no país as primeiras organizações de defesa do consumidor, assim 
como também aprovação do Código Brasileiro de Auto-regulamentação Publicitária, início do 
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pensamento nas questões de Responsabilidade Social no país. Ocorre a expansão das 
multinacionais originárias da Europa e dos Estados Unidos promovendo choques culturais. 
Iniciam-se questionamentos quanto às organizações e suas obrigações sociais. 
A década de 80 foi marcada pelas mudanças políticas no Brasil, eleições diretas, 
redemocratização, elevação das causas de defesas ambientalistas, crescimento da 
globalização. É nesse cenário que surge as Organizações Não Governamentais (ONGs) que 
voltadas para programas e ações sociais promovam a sustentabilidade das localidades e 
regiões, ganha impulso a mobilização de trabalho voluntário nas organizações da sociedade 
civil e das lutas sindicais. Transformações importantes ocorreram na sociedade, e no mercado 
empresarial e financeiro, promovendo as participações ativas dos cidadãos, refletindo no 
fortalecimento das discussões relacionadas à Responsabilidade Social (TINOCO, 2001). 
Os anos 90 promoveram avanços em relação às práticas da Responsabilidade Social, 
com utilização mais intensa do tema e suas ações efetivas, acentuaram-se as mudanças no 
panorama corporativo no Brasil, no que se refere