Sociologia J. - Anotação (26)
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Sociologia J. - Anotação (26)

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Professor: André Studart Leitão

Aula 8
Lançamento, Deveres Instrumentais,

Prescrição e Decadência

Direito Previdenciário - Custeio

Coordenação: Dr. Wagner Ballera

01

"Proibida a reprodução total ou parcial, por qualquer meio ou processo, assim como a inclusão em qualquer sistema de processamento de dados. A
violação do direito autoral é crime punido com prisão e multa (art. 184 do Código Penal), sem prejuízo da busca e apreensão do
material e indenizações patrimoniais e morais cabíveis (arts. 101 a 110 da lei 9.610/98 - Lei dos Direitos Autorais).”

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1. Lançamento
A ocorrência do fato gerador provoca o nascimento da obrigação principal tributária. Cria-se, daí, a

relação jurídica entre o credor e o devedor, da qual emergem o direito de o credor exigir a prestação a que o
devedor está adstrito e o dever deste de cumpri-la.

Todavia, em regra, a simples ocorrência do fato gerador, com o conseqüente nascimento da obrigação
tributária, não é capaz de exigir do sujeito passivo a efetivação de seu dever obrigacional, consistente no
pagamento do débito. Impõe-se, ainda, a prática de um ato administrativo específico que se traduz na
declaração da existência, quantificação e exigência da prestação previdenciária. Esse ato é denominado de
lançamento e está previsto no art. 142 do CTN.

Pela sistemática do CTN, a obrigação tributária é a relação jurídica que nasce com a ocorrência do
fato gerador (art. 113, § 1º, do CTN). De outro lado, o crédito tributário decorre da obrigação tributária (art.
139 do CTN), sendo constituído pelo lançamento (art. 142 do CTN).

Segundo ALBERTO XAVIER, a distinção entre obrigação tributária e crédito tributário exprime a
consagração pelo direito positivo brasileiro da concepção de lançamento como título abstrato dotado de
eficácia preclusiva, separando com expressões próprias, relação subjacente e relação abstrata e impedindo
a confusão entre ambas as situações jurídicas.

Com isso, o renomado jurista conclui que "obrigação" e "crédito" não são realidades distintas. Muito ao
contrário, este é a própria obrigação, uma vez objeto de lançamento, ou seja, é a obrigação tributária
titulada. Disso resulta que a obrigação não perece com a constituição do crédito, subsistindo como relação
jurídica subjacente, e somente se extinguindo após a extinção da situação jurídica abstrata, conforme
preceitua o art. 113, § 1º do CTN.

Seguindo a teoria dos graus sucessivos de eficácia de ALBERTO XAVIER, o lançamento acrescenta
atendibilidade à obrigação tributária, na medida em que, após a sua ocorrência, o sujeito passivo está
habilitado a efetuar o pagamento do tributo, e o sujeito ativo, a recebê-lo. Opera-se, com ele, a
formalização e a determinação do quantum debetur.

Sucede que, pelo modelo pátrio, existem tributos em que o pagamento antecede o próprio
lançamento, o qual, às vezes, sequer adquire existência concreta. Nesses casos, a atendibilidade não
decorre do lançamento, mas do fato gerador, isto é, ocorrido o fato, o sujeito passivo já está habilitado a
efetuar o pagamento da dívida, e o sujeito ativo, a recebê-lo.

Veja-se que o lançamento apresenta-se como ato nitidamente complementar. Porém, nem sempre
adquire existência positiva concreta, como acontece nos tributos sujeitos à modalidade por homologação,
quando se expira o prazo de homologação sem qualquer pronunciamento da Fazenda Pública.

Até então se viu que o lançamento visa a conferir atendibilidade à obrigação tributária. Contudo,
dependendo dos graus de atuação do contribuinte, pode-se falar em três modalidades de lançamento: a) o
lançamento de ofício; b) o lançamento por declaração; e, c) o lançamento por homologação.

Interessa-nos, no presente estudo, o lançamento por homologação e o lançamento de ofício, por se
tratarem das modalidades presentes na disciplina das contribuições previdenciárias. Examinemos, pois, tais
espécies, começando por aquela.

Inicialmente, é preciso salientar a inexistência no direito brasileiro do "autolançamento". Conquanto

Lançamento, Deveres Instrumentais, Prescrição e Decadência

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termo corrente na doutrina e jurisprudência pátrias, essa expressão revela forte equívoco terminológico. E
isso porque o lançamento é sempre ato privativo da autoridade administrativa, conforme disposto no art.
142, parágrafo único do CTN. O ato do particular limita-se ao pagamento do tributo, que poderá ser
perfeito ou não, a depender da realidade devida.

O lançamento por homologação consiste numa conduta comissiva ou omissiva de aceitação do valor
pago pelo devedor. Qualquer ato contrário que leve à não homologação pela autoridade do montante
recolhido implica a alteração substancial do instituto, quando, então, o lançamento por homologação
converte-se em lançamento de ofício.

As situações que irão ensejar o lançamento de ofício encontram-se previstas no art. 149 do CTN,
cabendo a nós enfatizar as hipóteses constantes dos incisos V e VI, imprescindíveis para o atingimento do
desiderato proposto.

O inciso V cuida do lançamento de ofício, na função de substituto do lançamento por homologação.
Cabe uma observação preliminar: quando o contribuinte se abstém por completo do dever legal de
antecipar o pagamento, não há como se falar de lançamento por homologação, pois não há o que
homologar, sendo certo que a homologação não pode operar no vazio.

Segundo nos parece, o lançamento por homologação somente tem lugar quando haja prévio
pagamento (total ou parcial) pelo contribuinte. Desse modo, a sua conversão em lançamento de ofício
apenas é possível quando haja a inexatidão do pagamento (pagamento a menor). Ausente o pagamento
(omissão total), não é de se falar em conversão do lançamento por homologação em lançamento de ofício,
pois aquele inexiste; apenas cabe, diretamente, o lançamento de ofício.

O inciso VI tem lugar nos casos de transgressão dos deveres instrumentais. Dispõe o § 3º do art. 113
do CTN que a obrigação acessória, pelo simples fato de sua inobservância, converte-se em obrigação
principal relativamente a prestação pecuniária.

2. A constituição do crédito previdenciário
Acima, analisamos as três modalidades de lançamento, conferindo maior ênfase aos lançamentos por

homologação e de ofício.
O destaque justifica-se, porque, na Seguridade Social, normalmente, tem-se o lançamento por

homologação e, apenas eventualmente, o lançamento de ofício.
De efeito, no que diz respeito às contribuições devidas à Seguridade Social, é o contribuinte ou o

responsável tributário que, por conta própria, e independentemente de qualquer provocação administrativa,
comparece no vencimento e quita a obrigação através do pagamento do débito, cujos valores serão
ulteriormente verificados pelo Fisco. Caso haja manifestação positiva expressa da Fazenda, opera-se a
homologação total do pagamento. Presente o silêncio do Fisco, também se opera a homologação do
montante recolhido, ainda que parcial, com a conseqüente extinção do crédito tributário em sua totalidade,
inclusive no que diz respeito à parcela não satisfeita, por força da decadência.

De acordo com o § 7º do art. 33 da Lei n. 8.212/91, com redação dada pela Lei n. 9.528/97, o
crédito da Seguridade Social é constituído por meio de notificação de débito, auto de infração, confissão ou
documento declaratório de valores devidos e não recolhidos apresentado pelo contribuinte.

A Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) deve ser efetivada nos casos de mora no
recolhimento das contribuições ou de pagamento de benefício reembolsado. Consiste no documento pelo
qual a fiscalização cientifica o devedor da existência do débito em atraso, sendo via apta à concretização do
lançamento de ofício. Dela deve constar a discriminação precisa e clara dos fatos geradores, das

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violação do direito autoral é crime punido com prisão