Sociologia J. - Anotação (26)
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Sociologia J. - Anotação (26)

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e multa (art. 184 do Código Penal), sem prejuízo da busca e apreensão do
material e indenizações patrimoniais e morais cabíveis (arts. 101 a 110 da lei 9.610/98 - Lei dos Direitos Autorais).”

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contribuições devidas e dos períodos a que se referem.
Após o recebimento da notificação, instaura-se o processo fiscal de cobrança, e o suposto devedor

terá o prazo de quinze dias para efetuar o pagamento, formalizar acordo para parcelamento ou apresentar
defesa administrativa. Transcorrido o prazo quinzenal sem a manifestação do sujeito passivo, será
automaticamente declarada a sua revelia, e considerado, de plano, procedente o lançamento.

Outro modo de constituição do crédito previdenciário é o auto de infração, que tem lugar em caso de
ofensa a algum dever instrumental. Também se trata de hipótese de lançamento de ofício, haja vista a sua
perfeita subsunção ao comando previsto no art. 149, VI, do CTN.

Recebido o auto de infração, o autuado terá o prazo de quinze dias, a contar da ciência, para opor
defesa ou efetuar o pagamento da multa com redução de cinqüenta por cento.

Ausente o recolhimento da multa, a autoridade fiscal julgará o feito. Após a decisão, será oportunizado
ao sucumbente o direito ao recurso. Nesse instante, prevê a legislação nova possibilidade de o autuado
efetuar o recolhimento do débito, agora com redução de vinte e cinco por cento, até a data limite do prazo,
ato que de igual modo gerará a extinção do crédito tributário.

Até agora, examinamos duas hipóteses de constituição do crédito previdenciário plenamente
compatíveis com o CTN, por se enquadrarem na definição jurídica de lançamento traçada por este diploma
legal. Tanto a notificação de débito quanto o auto de infração constituem exemplos de lançamento de ofício.
Todavia, a Lei n. 9.528/97, ao acrescentar o parágrafo 7º ao art. 33 da Lei n. 8.212/91, criou outras duas
formas de constituição do crédito: a confissão e o documento declaratório de valores devidos e não
recolhidos.

No que diz respeito à terminologia, pensamos ser plenamente dispensável a lei mencionar, como
veículo de constituição do crédito, o documento declaratório de valores devidos, afinal o mesmo nada mais
é senão uma espécie de "confissão documental". Se o sujeito declara o débito, logicamente, confessa-o,
assumindo, perante o Fisco, a condição de devedor.

Não obstante a inclusão da confissão como hipótese de constituição do crédito previdenciário propicie
uma atuação mais eficiente da Administração Fazendária, destoa por completo da sistemática do CTN. Daí
se questiona: haveria inconstitucionalidade dessas disposições?

A razão dessa indagação está em que o art. 146, III, "b", da Carta da República delega ao legislador
complementar a missão de estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente
sobre "crédito". E parece-nos fora de dúvida que, dentre as normas gerais sobre o crédito tributário, figura a
listagem dos casos que irão ensejar a sua constituição.

Pelo CTN, presente a confissão ou o documento declaratório de dívida (confissão documental),
deveria a autoridade administrativa, após o análise da exatidão do montante confessado, proceder ao
lançamento de ofício, oportunidade em que o crédito estaria devidamente formalizado, com a conseqüente
geração do efeito da atendibilidade.

É certo que o modelo traçado pela lei ordinária melhor se amolda à realidade atual, dispensando a
burocracia administrativa e agilizando a satisfação creditícia. Sem embargo, questões práticas esbarram em
determinadas formalidades imprescindíveis para a sustentação da ordem jurídica. Se as disposições
constantes do CTN estão ultrapassadas, que sejam feitas as alterações legislativas, e não conspurcada a
sistematicidade do ordenamento.

Entretanto, é preciso ressaltar que a novel sistemática de constituição do crédito foi amplamente
chancelada pela jurisprudência pátria, que se firmou no sentido de que a declaração do valor pago já
importa na formalização do crédito, sem a necessidade de lançamento.

"Proibida a reprodução total ou parcial, por qualquer meio ou processo, assim como a inclusão em qualquer sistema de processamento de dados. A
violação do direito autoral é crime punido com prisão e multa (art. 184 do Código Penal), sem prejuízo da busca e apreensão do
material e indenizações patrimoniais e morais cabíveis (arts. 101 a 110 da lei 9.610/98 - Lei dos Direitos Autorais).”

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3. Deveres instrumentais
O § 2º do art. 113 do CTN preceitua que a obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem

por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da
fiscalização dos tributos. A seguir, o § 3º do mesmo dispositivo determina que a obrigação acessória, pelo
simples fato de sua inobservância, converte-se em obrigação principal relativamente a penalidade
pecuniária.

As obrigações acessórias substanciam deveres positivos (fazer) e negativos (não-fazer), sendo
destituídas de valor patrimonial, em razão de seu caráter não pecuniário. Advirta-se, nesse contexto, que,
quando a penalidade pecuniária ganha corpo, já não mais se tratará de obrigação acessória, tendo em vista
a alteração substancial do instituto.

Importante atentar, ainda, para o fato de que, a despeito da elástica definição de "legislação tributária"
constante do art. 96 do CTN, esses deveres instrumentais precisam decorrer de lei em sentido estrito (lei em
sentido formal e material). E isso porque ninguém está obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa
senão em virtude de lei, a teor da Constituição da República (art. 5º, II).

A grande maioria dos deveres instrumentais previdenciários da empresa, seguindo o preceito magno
insculpido no inciso II do art. 5º da Constituição Federal, está inserida no art. 32 da Lei n. 8.212/91. Referida
listagem não é exaustiva, havendo outras obrigações acessórias com fundamento no mesmo diploma legal,
a exemplo das previstas nos arts. 52 e 91.

4. Decadência e prescrição das contribuições de seguridade social
O exercício de um direito não pode ficar pendente indefinidamente, sob pena de gerar instabilidade

social. Exige-se, pois, como medida necessária à segurança jurídica, que o decurso do tempo tenha
influência tanto na aquisição, como na extinção de direitos.

No presente estudo, examinaremos a fluência temporal como causa extintiva de direitos no âmbito
previdenciário, mais especificamente, no custeio do Sistema de Seguridade Social. Falar-se-á da decadência
e prescrição das contribuições previdenciárias.

Porém, antes de adentrarmos na temática proposta, uma questão prejudicial se impõe: a
constitucionalidade dos arts. 45 e 46 do plano de custeio da previdência social, Lei n. 8.212/91.

O art. 146, III, "b", da Constituição Federal dispõe caber à lei complementar o estabelecimento de
normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre prescrição e decadência.

Todavia, o constituinte não desceu a minúcias quanto ao que caracterizaria "normas gerais de
prescrição e decadência", remanescendo dúvidas no que diz respeito à respectiva delimitação conceitual. O
que seriam afinal normas gerais de prescrição e decadência?

Caso se considere a fixação de prazos como norma geral, então, os arts. 45 e 46 da Lei n. 8212/91
estariam eivados de inconstitucionalidade, por trazerem disposições diversas das constantes do CTN. Nesse
sentido, há o entendimento majoritário dos Tribunais Regionais Federais.

Sem embargo da natureza tributária das contribuições sociais, parece-nos ausente o vício de
inconstitucionalidade. A definição uniforme de prazos não é uma exigência razoável, devendo-se atentar,
antes de tudo, para as especificidades (mormente as econômicas) próprias de cada sistema.

Além disso, considerando como norma geral a fixação de prazos, exaure-se praticamente o conteúdo
material do instituto, afinal quais pontos seriam passíveis de regulação pela lei