CCJ0006-WL-PA-13-Direito Civil I-Novo-15840
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CCJ0006-WL-PA-13-Direito Civil I-Novo-15840

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indisponibilidade do bem público, por força do qual se lhe blinda com o destaque jurídico, segundo o qual não se sujeita aos efeitos da usucapião.

A imprescritibilidade, como garantia, alcança os bens públicos móveis e imóveis, sem restrição, sejam de uso comum do povo, de uso especial ou dominicais, haja vista que o próprio Código Civil não discrimina.

a.2.3 impenhorabilidade - Em decorrência do princípio da indisponibilidade, o bem público qualifica-se, ainda, pela natureza da impenhorabilidade.

Compete realçar que, de regra, um bem inalienável é um bem impenhorável.

Outorga-se ao bem público - de uso comum do povo, de uso especial ou dominical - a qualidade jurídica que o protege de penhora, razão por que não pode ser apreendido nem dado em garantia.

Veda-se, também, sejam os bens públicos gravados com ônus, motivo pelo qual não podem ser penhorados nem hipotecados .

a. 3 O uso comum dos bens públicos

Estabelece o Código Civil que o uso comum dos bens públicos pode ser gratuito ou retribuído, conforme for estabelecido legalmente pela entidade a cuja administração pertencerem.

Verifica-se que, na regra geral, o uso comum dos bens público dá-se de forma:

a) gratuita; ou

b) retribuída.

Não importa a natureza do bem público - de uso comum do povo, de uso especial ou dominical -, de tal sorte que a regra da gratuidade, em situação extraordinária ou excepcional, devidamente arrazoada, pode se transmudar, mediante a exigência de retribuição da entidade a cuja administração pertencer o bem.

Evidencia-se que a retribuição de que fala a norma há de observar os princípios informativos de Direito Administrativo, especialmente os da legalidade, razoabilidade, economicidade, moralidade, proporcionalidade, finalidade e interesse público.

b) Bens particulares - Todos os outros, seja qual for a pessoa a que pertencem - art. 98, in fine, do CC.

c) Bem de família

Para o Código Civil revogado era o ato jurídico em que o casal, ou em que um cônjuge na falta do outro, através de ato formal reserva imóvel urbano ou rústico de seu patrimônio para residência da família, a se tornar assim imune à apreensão por dívida pessoal, desde que não assumida anteriormente pelo instituidor, ou por dívida tributária cujo fato gerador não se pudesse vincular ao próprio imóvel.

Neste estágio, uma vez designado para uso familiar, o prédio ainda se tornava inalienável.

Mas o tempo modificou o conceito.

Sob a roupagem dada pela Lei no. 8.009, o novo bem de família dispensa ato formal de instituição, porque já constituído pela própria lei, ou pelo Estado, e atinge todo e qualquer imóvel onde viva família ou entidade, em o tornando impenhorável, e assim os móveis quitados que o guarneçam, ou ainda esses mesmos móveis quitados existentes na casa que - não sendo própria - for alugada.

Óbvia “norma agendi�. Um direito objetivo, sob este aspecto.

Sem que houvesse a revogação total das disposições do Código Civil a respeito - limitando-se à hipótese de coexistirem no mesmo patrimônio dois ou mais bens passíveis de uso residencial pela família, repita-se - a conviverem assim as normas respectivas, tenho hoje ser possível definir o bem de família como o direito de imunidade relativa à apreensão judicial, que se estabelece, havendo cônjuges ou entidade familiar, primeiro por força de lei e em alguns casos ainda por manifestação de vontade, sobre imóvel urbano ou rural, de domínio e/ou posse de integrante, residência efetiva desse grupo, que alcança ainda os bens móveis quitados que a guarneçam, ou somente esses em prédio que não seja próprio, além das pertenças e alfaias, e eventuais valores mobiliários afetados e suas rendas.

Apenas à impenhorabilidade visa a versão obrigatória do bem de família, pois de inalienabilidade a Lei 8.009 não cogitou.

A única exceção: acrescentar-se-á também a inalienabilidade ao bem de família se houver a escolha de um imóvel residencial, dentre outros de domínio do instituidor, pelo sistema para isso ainda vigente dos arts. 1.711 e seguintes do Código Civil, como já expusemos acima. A venda, a sub-rogação em outros bens, do prédio, dos móveis e valores mobiliários afetados voluntariamente, somente poderão acontecer se observado o art. 1.717.

 

c.1 Os requisitos essenciais para a caracterização do bem de família:

Dois os supostos de direito material para que a residência da família não seja apreendida judicialmente:

c.1.1 o prédio deve ser residencial e, além,

c.1.2 o grupo deverá estar residindo nele efetivamente.

Por primeiro há se tratar de imóvel residencial, apropriado para a moradia de pessoas. Se o normal é a habitação humana em casas ou apartamentos, em princípio não deveriam ser consideradas como residenciais as construções ainda inacabadas ou os prédios que não se prestem a esse fim, tais como galpões industriais, lojas de comércio, postos de gasolina etc.

Poder-se-á demonstrar, ao invés, através de prova a mudança de destinação ou a adaptação de prédios não erguidos para residência, mas que se tenham modificado por motivos quaisquer. Alegações de possíveis alterações de outros tipos de imóvel para o fim residencial não deverão ser descartadas de plano na perquirição probatória do bem de família, mas devem ser objeto da prudente e sensível ponderação do juiz, considerado sempre o quadro sócio-econômico-cultural brasileiro, nas suas diversificadas regiões.

Em segundo lugar, que se trate de residência efetiva do grupo ou núcleo familiar.  Única e permanente, diz o art. 5o. da Lei 8.009.

 

A melhor interpretação que se tira desta norma é a de que as pessoas estejam alojadas no imóvel com ânimo de permanência nele, como sede da família. Domicílio no sentido do art. 70 do Código Civil, o lugar onde a pessoa se estabelece como residente e em definitivo.

Mesmo que seus integrantes, periodicamente, estejam fora (p.ex., executivos que viajam, estudos ou cursos que se freqüentam dentro ou fora do país, residência episódica em outro local, etc.), o que determina esta efetividade é o vínculo do grupo ou da pessoa com a habitação, sem a constituição de moradia definitiva em outro lugar.

A ocupação do imóvel residência de família ou entidade familiar deve ser perene e induvidosa, a ponto de não se a ter como encenação em momento anterior à execução, ato de má-fé ou ilícito civil que tem tido sanção em julgados diversos, com apoio subsidiário no conteúdo ético do art. 4o., “caput�, da Lei referida.

À hipótese de família multi ou pluridomiciliada, que tenha residências onde alternativamente viva (art. 71 do Código Civil) responde a Lei 8.009 com a indicação prévia, pelo proprietário, de apenas uma das casas utilizadas, sob pena de se tornar impenhorável a de valor menor do acervo.

Jamais se designa mais de uma residência, ainda que em cidades diferentes do território nacional. Fica fora do alcance de nossa lei, entretanto, outro imóvel residencial situado no exterior.

A casa de campo ou de praia se excluem, por conseqüência, da inexcutibilidade.

É de se acrescentar, outrossim, a possibilidade de o único imóvel residencial da família ser alugado, temporária ou definitivamente, para custeio de permanência da família em local diverso por necessidade comprovada ou compreensível, sem a desfiguração do bem de família. Há orientação jurisprudencial que não entende descaracterizado por isso o bem de família, porque o objetivo da Lei 8.009 é, justamente, garantir esse patrimônio familiar.

OBS.: Os bens públicos e os bens de família são inalienáveis, e são insuscetíveis de apropriação o ar atmosférico e a luz solar. Existe ainda as legalmente inalienáveis (coisas doadas com cláusula de inalienabilidade, bens de diretores de instituições financeiras em liquidação) além dos bens que constituem