Aulas de Geologia 2012

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que resultaram de uma intensa trituração de rochas preexistentes, com grãos da ordem de 1 micra. A intensa deformação mecânica produz foliação e lineação marcantes.

 Quando o processo de recristalização é mais intenso as rochas cataclásticas passam a filonitos e gnaisses facoidais.

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Filonitos – são rochas cataclásticas de granulação média (+ 1 milímetro), nas quais as feições de recristalização são tão desenvolvidas quanto às texturas cataclásticas;
Gnaisses facoidais ou augen gnaisse (augen do alemão = olho) – são rochas tipicamente bandeadas, totalmente recristalizadas e nas quais o cisalhamento produziu o alongamento de grandes cristais (porfiroblastos).
 FIGURA 05 – Gnaisse facoidal ou augen gnaisse: os porfiroblastos de feldspato encontram-se dispersos numa matriz fina de feldspato, quartzo e biotita (Fonte: Ernst, W.G., 1.977).

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Metamorfismo de soterramento
Desenvolve-se em bacias sedimentares em subsidência, quando espessas camadas sedimentares e vulcânicas são soterradas em profundidades, onde a temperatura pode chegar a 300ºc.

Predominância da pressão litostática e ausência de pressão dirigida.

Ocorre a formação de uma foliação incipiente horizontal e paralela aos planos de estratificação em razão da cristalização de micas orientadas devido a pressão sobrejacente.

A transformação metamórfica se realiza mediante a formação de novos minerais sob influência de fluídos intergranulares dos sedimentos, porém verifica-se a preservação das estruturas e texturas originais.

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Metamorfismo hidrotermal
Resulta da percolação de fluídos superaquecidos em fraturas e espaços intergranulares das rochas;

É um processo metassomático que se realiza mediante trocas iônicas entre as soluções aquosas e as paredes das fraturas, sob temperaturas que variam de 100 a 370ºc;

Ocorre nas bordas de intrusões graníticas, em áreas de vulcanismo basáltico submarino, e em campos geotermais.

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Metamorfismo de fundo oceânico
Ocorre próximo de rifts de cadeias meso-oceânicas, onde a crosta recém-formada, quente, interage com a água fria através de processos metassomáticos e metamórficos termais;

A água aquecida carrega íons dissolvidos e percola as rochas básicas e ultrabásicas da litosfera, removendo ou precipitando elementos e compostos químicos.

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Metamorfismo de impacto
Ocorre em áreas que sofreram impactos de grandes meteoritos;

Forma crateras de impacto por ondas de choque e geração de calor que pode chegar a 5.000ºc;

As ondas de choque são transmitidas às rochas em fração de segundo e produzem pressões extremamente elevadas (1.000 kbar);

O quartzo se transforma em polimorfos de alta pressão (stishovita e coesita).

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Graus de metamorfismo
 Entende-se por grau de metamorfismo a intensidade em que ocorreu o metamorfismo de uma rocha, isto é, a intensidade das transformações sofridas por uma rocha. O grau de metamorfismo é condicionado pela intensidade com que a pressão e/ou a temperatura agiram sobre uma rocha. Quanto maior o grau de metamorfismo, tanto maior será a transformação sofrida pela rocha.

De acordo com a intensidade das condições de pressão e/ou temperatura, o grau de metamorfismo é classificado da seguinte forma: grau incipiente, baixo grau, médio grau e alto grau.

O grau incipiente é aquele que se situa no limiar entre a diagênese e o metamorfismo.

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Noções de fácies metamórficas
A variação do grau metamórfico é definida por assembléias minerais (paragênese) características.

Segundo Eskola rochas de mesma composição, mas de terrenos distintos, apresentarão paragênese similares quando submetidas a condições idênticas de metamorfismo.

Assim, rochas com paragêneses desenvolvidas sob as mesmas condições são referidas como pertencentes a uma mesma fácies metamórfica.

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Fácies metamorficos
Fácies de grau incipiente ou sub-xisto verde (fácies da zeólita e fácies da prehnita – pumpellyita) – ocorre em áreas de metamorfismo por soterramento de rochas vulcânicas e sedimentares em profundidades de poucos quilômetros. Desenvolve minerais de baixa temperatura: zeólitas, clorita, quartzo, albita, carbonatos. Com o aumento do grau metamórfico a laumonita desaparece e dá lugar a prehnita e pumpellyita.

Fácies xisto-verde – representa fácies de baixo grau metamórfico associado a cadeias de montanhas fanerozóicas, áreas de escudos pré-cambrianos e no assoalho oceânico. Os minerais característicos deste facies são: albita, epidoto, clorita, fengita e actinolita. Na transição de grau incipiente para fácies xisto-verde a pumpelleyita dá lugar ao epidoto.

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Facies anfibolito – representa grau metamórfico intermediário a alto. Rochas básicas quando submetidas a tais condições geram uma paragênese composta de hornblenda (anfibólio cálcico) e plagioclásio (+ de 20% de anortita), resultando em uma rocha metamórfica denominada anfibolito. Rochas pelíticas (argilosas) sob a mesma condição dão origem a muscovita, biotita e granada. Dois minerais são diagnósticos de condições intermediárias de metamorfismo: cianita e a estaurolita.

Fácies granulito – representam condições alta pressão e temperatura. Acham-se presentes em áreas de escudos pré-cambrianos. O limite inferior do facies granulito é caracterizado pela presença de ortopiroxênio e olivina em mármores magnesianos silicosos. O quartzo e a calcita reagem formando a wollastonita.

Facies horblenda-hornfels – desenvolvem-se em condições de baixa pressão em torno de corpos intrusivos (gabros e granitos). Em rochas pelíticas ocorre a formação principalmente de cordierita e, secundariamente, de granada e presença de andalusita (no lugar da cianita).

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Facies piroxênio hornfels – desenvolve-se em zonas mais profundas, de temperaturas mais elevadas, em auréolas de contato. A seguinte paragênese é observada: cordierita, ortopiroxênio, feldspato potássico, plagioclásio, quartzo (rochas pelíticas) e ortopiroxênio, clinopiroxênio, plagioclásio e quartzo (rochas básicas).

Facies xisto azul – presença de minerais de alta densidade (lawsonita e aragonita) e de baixa temperatura (clorita), o que indica ambiente de pressão elevada e temperatura baixa.

Facies eclogito – é caracterizado por assembléias minerais desenvolvidas sob condição de pressão muito elevada (+ de 12 bar) e temperatura elevada em zonas de subducção de placas tectônicas.

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Estruturas de rochas metamórficas
 As estruturas são reflexos do ambiente em que as rochas metamórficas foram geradas. Assim, rochas que se formaram sem a interferência da pressão dirigida apresentam estrutura maciça ou a estrutura primária (reliquiar) do protólito.
 Por outro lado, quando a pressão dirigida age sobre estas rochas durante a sua formação, desenvolve-se estrutura orientada dos tipos foliação e xistosidade.

Estrutura maciça – estrutura em que não se verifica qualquer tipo de orientação preferencial de minerais.
Estrutura foliada – denominação genérica dada a estruturas orientadas de rochas metamórficas que podem ser resultantes de orientação de minerais micáceos finos (ardósia), minerais prismáticos ou fragmentos alongados de rocha (cataclasitos). A xistosidade pode ser considerada um tipo particular de foliação

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Estrutura xistosa ou xistosidade – caracterizada pela orientação de minerais placóides (micas) em arranjos mais ou menos paralelos, graças a ação da pressão dirigida.

Estrutura gnaíssica – caracteriza-se pela alternância de faixas de largura milimétrica a centímetrica compostas predominantemente de minerais placóides orientados alternadas com faixas de minerais granulares não orientados. Rochas que ostentam esta estrutura são denominadas gnaisses.

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Texturas das rochas metamórficas
 Via de regra, as rochas metamórficas são caracterizadas pela recristalização de minerais, ainda no estado sólido. Dependendo das condições de pressão e temperatura, as rochas metamórficas podem se apresentar mais ou menos recristalizadas. O tipo de pressão atuante pode ser a dirigida ou a uniforme (tipo hidrostática), o que leva a rocha a exibir orientação de minerais,