Aulas de Geologia 2012

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(seg. Poldervaart).

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3 - O tempo geológico

3.1 - A magnitude do tempo geológico
3.2 - As Eras geológicas e subdivisões
3.3 - Métodos de determinação de idade

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EVOLUÇÃO DOS CONCEITOS DE TEMPO GEOLÓGICO
Entende-se por tempo geológico o tempo decorrido desde a formação do nosso planeta até os dias atuais.

Antes de James Hutton (Theory of the Earth), em 1788, o conceito de tempo ilimitado estava reservado só para o homem (pensamento egocêntrico), e a Terra era visualizada como um arcabouço estritamente temporal. Constituiria um sistema fechado, com um início não muito distante no passado e um término não muito afastado no futuro.

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Os cristãos do período pré-científico, visualizavam a Terra como um objeto maciço, inativo, desprovido de movimentação e localizada no centro do universo, além da qual jazia um reino puro, etéreo, livre de toda mancha e corrupção. Este reino incluía o sol, a lua, os planetas e uma esfera celeste que continha todas as estrelas. Tudo girava em torno da Terra uma vez por dia.
Nos primórdios do século XVII, Keppler (1.571 – 1631) e Galileo (1.564 – 1.642) defenderam o sistema heliocêntrico, anteriormente visualizado por Copernicus (1.473-1543). Somente em meados do século XVII, o conceito de sistema geocêntrico cedeu lugar à idéia de uma Terra dinâmica, animada de movimentos de rotação, rodeada de um espaço infinito.

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Para os naturalistas do século XVII, o tempo geológico era um assunto difícil, não palpável. A percepção de suas dimensões exigia um profundo trabalho de investigação. Nesse campo, entretanto, perdurou a visão medieval de tempo terrestre muito curto.

Para os cristãos da época, baseados em escritos hebraicos, a idade da Terra era de 6.000 anos. Desse modo, era inimaginável admitir que a ação das chuvas, das ondas do mar, e dos movimentos crustais imperceptíveis, pudessem ter um papel significante no modelamento lento e contínuo da superfície terrestre.

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A não consideração de um longo tempo para a efetivação dos processos geológicos levou ao pensamento de que as grandes feições resultassem de criações tumultuosas e repentinas do passado (teoria da catástrofe).

Ao final do século XVIII, James Hutton, como observador de notável percepção, acreditava que, se fosse concedido o tempo bastante, as presentes taxas de atividades geológicas seriam suficientes para produzir as feições e configurações observáveis. Hutton imaginava uma máquina quase eterna na qual forças internas elevavam novas terras do fundo dos oceanos, enquanto que outras superfícies expostas estavam sendo erodidas.

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Para Hutton, a Terra dinâmica animada de rotação dos astrônomos, tinha também, uma superfície dinâmica e um interior dinâmico. Hutton disse: “desde o topo das montanhas à praia do mar... tudo está em estado de mudança”.Por meio de erosão, a superfície da Terra deteriora-se localmente, mas, por processos de formação de rochas, ela simultaneamente se reconstrói em outra parte. A Terra, disse ele, “possui um estado de crescimento e aumento; ela tem um outro estado, que é o de diminuição e degeneração. Este mundo é, assim, destruído em uma parte, mas é renovado em uma outra” (trecho transcrito de Eicher, D.L. em Tempo Geológico).

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Ao argumentar que montanhas são modeladas e finalmente destruídas por intemperismo e erosão fluvial, e que seus fragmentos são carreados para o mar por processos idênticos aos atuantes presentemente , Hutton disse: “Temos uma cadeia de fatos que demonstram claramente... que os materiais das montanhas desgastadas foram transportados pelos rios” e “ não há uma só etapa em todo esse progresso ... que não seja realmente percebida”. Então ele resumiu, “ O que mais pode exigir? Nada, se não tempo”. Disse Hutton: “O homem tem hoje diante de si todos os princípios com os quais pode considerar a massa ilimitada de tempo já escoada”

O ponto de vista de Hutton veio a se chamar “Uniformitarismo”.

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O final do século XVIII foi o apogeu da idade da razão.Porém as doutrinas catastróficas evoluíram entre a história bíblica da criação e as observações acumuladas da ciência.

A doutrina prevalecente na época de Hutton sustentava que todas as rochas existentes na Terra se originavam de precipitados de um oceano primitivo que outrora cobria todo o planeta. Uma seqüência definida de rochas teria precipitado em águas turbulentas e profundas do oceano primitivo. Com o recuo destas águas, as rochas teriam ficado à mostra em sua presente configuração.

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Esta concepção de origem das rochas em um oceano primitivo recebeu a denominação “netunismo” e defendida por Werner

Dois fatores combinados tornaram o esquema catastrófico da Terra aceito na época:
1º) O vasto mar primitivo que se referia Werner assemelhava-se ao dilúvio bíblico (substrato teológico);
2º) Era advogado por uma das personalidades mais influentes da época: Abraham Werner

O ponto de vista catastrófico prevaleceu por mais de 4 décadas sobre o uniformitarismo de Hutton.

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O declínio das idéias netunistas, não significou necessariamente o declínio de outras filosofias catastróficas e a ascensão do uniformitarismo de Hutton. Ainda acreditava-se que forças mais poderosas (sobrenaturais) do que as conhecidas na atualidade moldaram a superfície terrestre.
 

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Com Charles Lyell (1797-1875) o conceito de mudanças graduais de Hutton assumiu uma liderança efetiva. Em sua obra Principles of Geology pôde relatar todas as suas observações coletadas em apoio à doutrina de que “o presente é a chave do passado”.

A ampla influencia de Lyell preparou o terreno para as conquistas do século XIX, incluindo as de Charles Darwin sobre a evolução gradual das espécies.

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O UNIFORMITARISMO ATUAL OU ATUALISMO

A grande falha do “uniformitarismo” se deve a não aceitação de que taxas de mudança, ou a importância relativa dos agentes geológicos pudessem diferir do observável pelo homem.

O uniformitarismo na sua concepção original (seguido por Hutton e Lyell) pode ser percebido pelas palavras do próprio Hutton, que dizia: “não vejo nenhum vestígio de um princípio – nenhum indício de um fim”. Atualmente, observamos aspectos mais sutis e variados nas rochas: como um início e, que configurações locais ao acaso podem se repetir de tempos em tempos, mas a combinação total de circunstâncias nunca é perfeitamente a mesma duas vezes.

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A máxima de que “o presente é a chave do passado”, de um lado refere-se a um rígido conceito de que as proporções de atividades e importância relativa dos processos, atualmente existentes, foram sempre uniformes no passado geológico.

O princípio “chave do passado” não pode ser aplicado a todas as coisas, como por exemplo: o registro da vida que nos mostra uma longa sucessão de espécies diferentes no registro litológico, cada uma descendendo de um ancestral um tanto mais primitivo. Mas se aplica às leis físicas e biológicas, por exemplo: acredita-se presentemente que, no passado remoto, a atmosfera da Terra era desprovida de oxigênio. Então, conhecendo-se as leis naturais que governam o comportamento da matéria, podemos predizer as conseqüências de uma atmosfera sem oxigênio nas rochas, na água e na vida.

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Antes de Charles Darwin ter escrito o seu trabalho “The Origin of Species” a idéia da evolução orgânica havia sido cogitado por alguns cientistas como Jean Baptiste Lamarck (1744-1829) e o próprio avô de Darwin, Erasmus Darwin (1731-1802). Porém, até a época de Darwin, a idéia nunca tinha tido ampla aceitação porque faltavam dados importantes para os pesquisadores.

Sustentado pela filosofia uniformitarista popularizada a partir de 1.830, Darwin apresentou um argumento convincente sobre a origem das diversas espécies existentes na Terra. Em sua obra “The Origin of Species” provou a existência da evolução orgânica que, além das observações realizadas, anteviu a necessidade de uma tremenda extensão de tempo geológico para a efetivação dos processos biológicos e físicos.

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Entretanto, algumas objeções não puderam ser refutadas por Darwin, dentre elas