CCJ0006-WL-PA-13-Direito Civil I-Novo-15840
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Título 
7 - DIREITO CIVIL I 
Número de Aulas por Semana 
 
Número de Semana de Aula 
7 
Tema 
OS BENS (Continuação) 
Objetivos 
·         Identificar os objetos das relações jurídicas apresentadas. 
·         Compreender a noção jurídica de patrimônio 
·         Perceber a distinção entre bens e coisas. 
·         Reconhecer a classificação dos bens considerados em si mesmos. 
·         Compreender a noção jurídica de fungibilidade dos bens. 
·         Perceber a distinção entre bens móveis e imóveis. 
Estrutura do Conteúdo 
 1 \u2013   OS BENS RECIPROCAMENTE CONSIDERADOS 
1.1 Bens principais  e bens acessórios. 
          1.2 Dos frutos, produtos, rendimentos, acessões e pertenças. 
1.3 Das benfeitorias: úteis, necessárias e voluptuárias. 
  
 2 - BENS CONSIDERADOS EM RELAÇÃO AO SUJEITO 
          2.1 Bens públicos. 
2.1.1 Bens de uso comum do povo. 
2.1.2 Bens especiais 
2.1.3 Bens dominicais 
2.2 Bens particulares. 
Segue abaixo uma sugestão de roteiro de apresentação do conteúdo programático: 
1. BENS RECIPROCAMENTE CONSIDERADOS 
BENS PRINCIPAIS  E BENS ACESSÓRIOS 
A definição que o Código Civil produziu para retratar bem principal e bem acessório tem precisão suficiente, capaz de superar o tempo, conservando -lhe a atualidade, 
mesmo diante das profusas e profundas transformações por que passa a humanidade, com incremento do fator criativo.  
Cumpre assinalar que o caráter de principalidade ou acessoriedade se amadurece na compreensão que exige que os bens sejam reciprocamente considerados, em cotejo 
ou confronto da supremacia ou preponderância que um exerce sobre o outro, na determinação do papel funcional, pelo prisma da finalidade. 
A) BENS PRINCIPAIS  - são aqueles que existem sobre si, abstrata e concretamente , independentemente de outra. - art. 92 do CC. 
Considera-se bem principal o que existe sobre si, abstrata ou concretamente, segundo a definição do art. 92 do Código Civil.  
O bem principal, corpóreo ou incorpóreo, tem existência independente e própria, sem subordinação de natureza jurídica que lhe exija vinculação a outro bem.  
Participa das relações jurídicas com a categoria ou atributo de bem superior e imprescindível à existência de outro.  
Não depende nem segue outro bem\u37e ao revés, tem o predicativo que o credencia a fazer com que outro bem se submeta à relação de subordinação, pela qualidade ou 
quantidade. O caráter da superioridade que se origina da natureza da principalidade identifica-se na importância do bem no contexto da relação material ou jurídica de que 
faça parte, a qual se projeta em múltiplos sentidos.  
Não será pelo enfoque da importância econômica ou financeira que se singulariza o bem, atribuindo-lhe o caráter de principal em face ao outro bem considerado secundário. 
A distinção, por conseguinte, repousa no discernimento que define o papel orgânico-funcional de que cada um dispõe na esfera das relações jurídicas ou materiais. 
B) BENS ACESSÓRIOS -  Diz-se bem acessório aquele cuja existência supõe a do principal, de acordo com o que estabelece o art. 92 do Código Civil. Assim, a árvore é coisa 
acessória do solo e os rendimentos são acessórios do imóvel. 
Os bens acessórios, pelas suas características, recebem a seguinte classificação:  
b.1) os frutos; 
b.2) os produtos; 
b.3) os rendimentos; 
b.4) as acessões\u37e 
b.5) as benfeitorias; e 
b.6) as pertenças.  
B1. DOS F RUTOS - Definem-se os frutos como bens acessórios, que resultam de outros bens considerados principais, sem dizimá -los, conservando-os com os mesmos 
caracteres e com as mesmas finalidades. 
Habituou-se a doutrina a dividir os frutos , segundo: 
a) a origem (natural, industrial e civil); 
b) a natureza (vegetal, animal e artificial); 
c) o estado (pendentes, percipiendos, percebidos - ou colhidos -, existentes e consumidos). 
Os frutos naturais ou animais derivam dos bens gerados pela própria natureza , mesmo que com o induzimento do homem.  
Já os frutos civis, também reputados artificiais, decorrem de uma relação jurídica, em decorrência da qual se auferem resultados econômicos e/ou financeiros, traduzidos 
em renda \u37e os industriais, do trabalho ou engenhosidade do homem que, ao manejar recursos econômica e financeiramente mensuráveis, produz rendimentos extraídos do 
bem principal. 
Ganha expressão jurídica com projeção prática, a divisão dos frutos quanto ao estado, eis que há tratamento específico que o Código Civil adota para disciplinar o direito à 
percepção deles, como consectário dos efeitos da posse.  
Em sendo assim, os frutos pendentes são aqueles ainda argolados ou presos ao bem principal, haja vista que se lhe desaconselha a colheita ou recolhimento precoce\u37e os 
frutos percebidos, aqueles que foram colhidos, com resultado útil\u37e os frutos percipiendos, aptos a serem colhidos, não foram\u37e os frutos existentes, os que, apartados do 
principal, aguardam sejam consumidos; e os frutos consumidos, os que desapareceram pelo uso ou consumo. 
Realce-se que os frutos e produtos, ainda quando não separados do bem principal, podem ser objeto de negócio jurídico , notadamente em se tratando de fruto pendente.  
No caso, o fruto já tem existência presente, mas se encontra ainda conectado ao bem principal, de cuja separação não depende para ser objeto de negócio jurídico, 
porquanto a lei admite que o seja mesmo sob condição de não desligamento.  
A efetividade do negócio não se subordina ao fato de que o fruto ou produto venha a ser separado do bem principal, mas é preciso que o implemento do contrato ocorra 
mediante a transformação do bem pendente em bem percebido. 
O bem pendente, por conseguinte, pode ser objeto de negócio jurídico, que se exaure com o bem percebido, pela transformação do bem pendente.  
B.2. DOS PRODUTOS - Como os frutos, os produtos são bens acessórios, cuja existência supõe a do principal, numa relação de dependência. 
O produto decorre do concurso da exploração pelo homem, que maneja os recursos naturais ou industriais, para a obtenção de utilidade, extraída de um de bem principal, a 
qual satisfaça a uma necessidade.  
No geral, o produto, como bem acessório, tem a característica de provocar, à medida que é explorado e manejado, atrofia ou redução do bem principal, de que resulta e se 
separa, capaz de levá-lo à exaustão, total ou parcial.  
Portanto, distinguem-se o produto e o fruto, haja vista que o primeiro afeta, temporária ou definitivamente, o bem principal, causando-lhe perdas\u37e o segundo, não.  
Sublinhe-se que a correta compreensão de produto e o exato entendimento de fruto repercutem no enquadramento do exercício de direitos de gozo, com o alcance com que 
cada um se apresenta na ordem jurídica.  
  
B.3. DOS RENDIMENTOS - Como bens acessórios, os rendimentos , apropriadamente chamados de frutos civis , consistem no resultado da apropriação das rendas ou 
receitas geradas pelos bens corpóreos ou incorpóreos, as quais se traduzem em valores aferíveis monetariamente. 
O rendimento significa o resultado decorrente do capital empregado econômica ou financeiramente, capaz de gerar juros, rendas, aluguéis e lucros, em propriedades 
mobiliárias ou propriedade imobiliárias.  
O bem principal é que gera o rendimento, em decorrência da exploração econômica ou financeira, na forma de concessão do uso ou gozo.  
B.4. DAS ACESSÕES - Considera-se acessão o fenômeno, natural ou artificial, em decorrência do qual se processa um acréscimo sobre o bem principal, que, assim, o 
incorpora, com os atributos que lhe são próprios, formando um todo jurídico.  
Diz-se, pois, que a acessão decorre de fenômeno:  
a) natural; ou 
b) artificial, chamada, também, de industrial ou intelectual.  
Entre as acessões provocadas por fenômeno natural, destacam-se: 
A) ALUVIÃO - fenômeno causado pelas águas, mediante o qual, gradual e evolutivamente, se acresce ao terreno porção nova de terra, ampliando-se, em conseqüência, a 
propriedade imobiliária, que se desenha em novos perímetros