CCJ0006-WL-PA-13-Direito Civil I-Novo-15840
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Os frutos naturais ou animais derivam dos bens gerados pela própria natureza , mesmo que com o induzimento do homem.  
Já os frutos civis, também reputados artificiais, decorrem de uma relação jurídica, em decorrência da qual se auferem resultados econômicos e/ou financeiros, traduzidos 
em renda \u37e os industriais, do trabalho ou engenhosidade do homem que, ao manejar recursos econômica e financeiramente mensuráveis, produz rendimentos extraídos do 
bem principal. 
Ganha expressão jurídica com projeção prática, a divisão dos frutos quanto ao estado, eis que há tratamento específico que o Código Civil adota para disciplinar o direito à 
percepção deles, como consectário dos efeitos da posse.  
Em sendo assim, os frutos pendentes são aqueles ainda argolados ou presos ao bem principal, haja vista que se lhe desaconselha a colheita ou recolhimento precoce\u37e os 
frutos percebidos, aqueles que foram colhidos, com resultado útil\u37e os frutos percipiendos, aptos a serem colhidos, não foram\u37e os frutos existentes, os que, apartados do 
principal, aguardam sejam consumidos; e os frutos consumidos, os que desapareceram pelo uso ou consumo. 
Realce-se que os frutos e produtos, ainda quando não separados do bem principal, podem ser objeto de negócio jurídico , notadamente em se tratando de fruto pendente.  
No caso, o fruto já tem existência presente, mas se encontra ainda conectado ao bem principal, de cuja separação não depende para ser objeto de negócio jurídico, 
porquanto a lei admite que o seja mesmo sob condição de não desligamento.  
A efetividade do negócio não se subordina ao fato de que o fruto ou produto venha a ser separado do bem principal, mas é preciso que o implemento do contrato ocorra 
mediante a transformação do bem pendente em bem percebido. 
O bem pendente, por conseguinte, pode ser objeto de negócio jurídico, que se exaure com o bem percebido, pela transformação do bem pendente.  
B.2. DOS PRODUTOS - Como os frutos, os produtos são bens acessórios, cuja existência supõe a do principal, numa relação de dependência. 
O produto decorre do concurso da exploração pelo homem, que maneja os recursos naturais ou industriais, para a obtenção de utilidade, extraída de um de bem principal, a 
qual satisfaça a uma necessidade.  
No geral, o produto, como bem acessório, tem a característica de provocar, à medida que é explorado e manejado, atrofia ou redução do bem principal, de que resulta e se 
separa, capaz de levá-lo à exaustão, total ou parcial.  
Portanto, distinguem-se o produto e o fruto, haja vista que o primeiro afeta, temporária ou definitivamente, o bem principal, causando-lhe perdas\u37e o segundo, não.  
Sublinhe-se que a correta compreensão de produto e o exato entendimento de fruto repercutem no enquadramento do exercício de direitos de gozo, com o alcance com que 
cada um se apresenta na ordem jurídica.  
  
B.3. DOS RENDIMENTOS - Como bens acessórios, os rendimentos , apropriadamente chamados de frutos civis , consistem no resultado da apropriação das rendas ou 
receitas geradas pelos bens corpóreos ou incorpóreos, as quais se traduzem em valores aferíveis monetariamente. 
O rendimento significa o resultado decorrente do capital empregado econômica ou financeiramente, capaz de gerar juros, rendas, aluguéis e lucros, em propriedades 
mobiliárias ou propriedade imobiliárias.  
O bem principal é que gera o rendimento, em decorrência da exploração econômica ou financeira, na forma de concessão do uso ou gozo.  
B.4. DAS ACESSÕES - Considera-se acessão o fenômeno, natural ou artificial, em decorrência do qual se processa um acréscimo sobre o bem principal, que, assim, o 
incorpora, com os atributos que lhe são próprios, formando um todo jurídico.  
Diz-se, pois, que a acessão decorre de fenômeno:  
a) natural; ou 
b) artificial, chamada, também, de industrial ou intelectual.  
Entre as acessões provocadas por fenômeno natural, destacam-se: 
A) ALUVIÃO - fenômeno causado pelas águas, mediante o qual, gradual e evolutivamente, se acresce ao terreno porção nova de terra, ampliando-se, em conseqüência, a 
propriedade imobiliária, que se desenha em novos perímetros \u37e  
B) AVULSÃO - fenômeno por força do qual se dá deslocamento de uma certa porção de terra que se descola de um terreno juntando -se a outro. 
Na acessão provocada por fenômeno estimulado por artifício do engenho humano, inserem -se as construções e as plantações, que, também, geram a acessão, que se 
credencia à aquisição da propriedade imobiliária.  
B.5. DAS PERTENÇAS - Na categoria de bem acessório, pertenças significam os bens que se empregam num imóvel ou móvel (bem principal), sem o objetivo de lhe alterar a 
substância nem o de se lhe incorporar, situação em que ambos conservam as características que lhes particularizam, formal e funcionalmente. Caracterizam -se as 
pertenças como bens que não constituem parte integrante do bem principal, mas se lhe destinam, de modo duradouro:  
a) ao uso; 
b) ao serviço\u37e e 
c) ao aformoseamento. Na verdade, emprega-se a pertença num bem, com o intuito pejado de interesse utilitário, capaz de gerar um resultado, com múltipla natureza, que 
se diversifica conforme o caso. 
As pertenças concorrem para oferecer ao bem principal o papel agregador de uma serventia, meramente utilitária ou estética.  
Particularidade relevante é a de que o negócio jurídico, ao envolver o bem principal, não abrange as pertenças, salvo se o contrário resultar:  
a) da lei; 
b) da manifestação de vontade\u37e ou  
c) das circunstâncias do caso. 
Portanto, no geral, não seguem as pertenças a sorte do principal, no caso de alienação do bem em que fora empregado, salvo se houver ressalva expressa.  
Tanto a lei quanto a manifestação de vontade haverão de derramar certeza objetiva e formal, no sentido de revelar que a disposição fora a de inserir as pertenças no negócio 
jurídico de que fez parte o bem principal. Descartam-se, assim, a implicitude e a subjetividade como elementos que gerariam a presunção de que, na lei ou na exposição da 
vontade, as pertenças foram envolvidas no negócio jurídico. 
Portanto, à falta de manifestação expressa, colhida na lei ou no contrato em cujo instrumento se fixou o negócio jurídico, as pertenças, devido ao silêncio, não passam a 
integrar o bem principal, insubordinando-se a seu destino. 
Consideram-se circunstâncias as situações de cuja consumação se pode extrair a premissa que, no caso, torna a pertença irrelevante econômica, financeira ou 
operacionalmente ao valor do bem principal, que, sem elas, não perderá seus valores que justificaram o negócio jurídico.  
O exame das circunstâncias que persegue o caso, as quais justificariam a dedução de que, no negócio jurídico combinado, se envolveram, também, as pertenças, exige a 
presença do silêncio das partes, haja vista que se trata de uma exceção.  
Como ordinariamente não envolve a inclusão das pertenças no negócio jurídico, o silêncio das partes poderá, porém, excepcionalmente, provocar a atração das pertenças ao 
negócio jurídico, justificada se as circunstância do caso recomendar a abrangência.  
Deve-se pautar a análise das circunstâncias com reforço de elementos objetivos que se sobreponham aos subjetivos, os quais se credenciam melhor a avaliar e definir se a 
vontade silenciosa das partes é capaz de desenhar a inserção das pertenças no negócio jurídico. 
B.6. DAS BENFEITORIAS - Considera-se benfeitoria tudo o que se emprega num bem imóvel ou móvel, com a finalidade de salvaguardá-lo ou de embelezá-lo. 
Com a benfeitoria, independentemente da natureza, se lhe acresce uma utilidade, que se apresenta capaz de facilitar o uso do bem, conservar o bem ou gerar uma volúpia 
no seu titular. 
Para o sistema jurídico, a benfeitoria dispensa o elemento ideológico, mas a caracterização ou a determinação de sua natureza se dá justamente com a definição da causa 
finalística, em decorrência da qual se emprega um novo predicativo no bem, de ordem funcional,