CCJ0006-WL-PA-13-Direito Civil I-Novo-15840
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estética ou conservativa. 
Portanto, com base na causa finalística, caracterizam-se ou definem-se as benfeitorias: 
a) voluptuárias\u37e  
b) úteis\u37e e 
c) necessárias. Sublinhe-se, antes de se enfrentar a natureza em que cada uma das benfeitorias é particularizada, que a lei não considera benfeitoria os melhoramentos ou 
acréscimos sobrevindos ao bem sem a intervenção do proprietário, possuidor ou detentor. 
DAS BENFEITORIAS VOLUPTUÁRIAS - Diz o Código Civil que a benfeitoria voluptuária é aquela que se realiza por mero deleite ou recreio, sem vocação ou predicativo capaz de 
aumentar o uso habitual do bem, ainda que o torne mais agradável, ou seja, de elevado valor.  
Verifica-se, assim, que, com a benfeitoria voluptuária, conserva-se a qualidade utilitária do bem, a que não se agrega elemento que potencialize a natureza de seu uso.  
Há mera vontade ou vaidade do benfeitor, com o objetivo de deleitar-se ou recrear-se, haja vista que o bem principal a que se junta uma benfeitoria a dispensa, pelo aspecto 
utilitário ou funcional, mas fica mais formoso ou recreador.  
O bem se torna mais belo, formoso, prazeroso, atraente, porque aguça a sensibilidade estética e seduz o espírito benfazejo que se deleita ou se recreia na cômoda 
necessidade do prazer. 
A rigor, o bem não necessita ou precisa da benfeitoria, mas o benfeitor a quer. Inexiste relação exata e precisa apta a oferecer proporção entre o bem principal e o bem 
acessório (a benfeitoria).  
Ressalte-se que é da tradição do direito brasileiro que as benfeitorias voluptuárias não são aquinhoadas com indenizações e não comportam, por conseguinte, o exercício 
do direito de retenção.  
B.6.2. DAS B ENFEITORIAS  ÚTEIS - Reputam-se úteis as benfeitorias que aumentam ou facilitam o uso do bem principal , em que elas são realizadas, com o intuito de 
enriquecer ou simplificar os meios para usá-lo. 
Na benfeitoria útil, ocorre aumento - físico ou funcional - do bem principal, por força da qual se torna maior, melhor ou mais funcional.  
Malgrado a natureza, a benfeitoria útil , além de necessariamente produzir um aumento físico ou funcional, pode gerar, secundariamente, uma vantagem estética, sem lhe 
modificar a natureza jurídica e sem se confundir em benfeitoria voluptuária.  
Constata-se o aumento do bem de que fala a regra pela simples metrificação, aferindo-se, pois, que ele sofreu acréscimo físico, independentemente do tamanho, posto que 
basta a utilidade. 
Mais importa a utilidade do que a dimensão da benfeitoria. Verifica-se o aumento funcional do bem pela ordinária experiência que demonstra, por percepção ou utilização, 
que se lhe facilitou e melhorou o uso. 
B.6.3. DAS BENFEITORIAS NECESSÁRIAS - Chama-se benfeitoria necessária aquela cuja realização busca conservar ou evitar que o bem principal se deteriore, com risco de 
destruição, parcial ou total.  
Caracteriza-se a benfeitoria necessária pela exigência reparadora que o bem revela, oculta ou ostensivamente, à falta da qual ele resultará em ruína, tornando-se imprestável 
ou insatisfatório para cumprir a finalidade a que se destina.  
A intensidade ou a extensão da intervenção sobre o bem é irrelevante para determinar a natureza da benfeitoria necessária, eis que basta que se reforce a confirmação de 
que era se apresentava indispensável para promover a conservação ou para evitar a deterioração da coisa. 
Na benfeitoria necessária, avulta a certeza da indispensabilidade ou da impostergabilidade de sua realização, haja vista que o bem a reclama, pelo fato formal ou funcional.  
 2 - BENS CONSIDERADOS EM RELAÇÃO AO SUJEITO 
BENS PÚBLICOS E BENS PARTICULARES 
O Código Civil fracionou os bens na dicotomia de:  
a) bens públicos\u37e e  
b) bens particulares. Consideraram-se públicos os bens do domínio nacional pertencentes às pessoas jurídicas de direito público interno\u37e particulares, todos os outros. 
Se pertencer à pessoa jurídica de direito público interno - a União, os Estados, o Distrito Federal, os Municípios, os Territórios , as autarquias e as demais entidades de 
caráter público criadas por lei - reputa-se o bem público\u37e fora daí, diz-se que o bem é particular, seja qual for a pessoa a que pertencerem. 
Define-se, pois, a natureza jurídica do bem pela qualidade da personalização do seu titular, opção legislativa que induz à constatação de que os bens das pessoas jurídicas 
de direito público externo, localizados no território geográfico do Brasil, são considerados bens particulares , haja vista que pertencem a pessoa jurídica que, por óbvio, não 
se enquadra na categoria de direito público interno. 
Portanto, não há bens públicos fora do domínio das pessoas jurídicas de direito público interno. 
A) BENS PÚBLICOS -   
Pelo critério da titularidade, os bens públicos classificam-se em bens pertencentes à União , aos Estados , ao Distrito Federal e aos Municípios. (art. 98, 1ª parte, e art. 99, 
ambos do CC.) 
Daí a denominação de bens públicos federais, estaduais, distritais federais e municipais.  
Pelo critério da utilização, sublinhe-se que os bens públicos estão divididos em:  
a) bens de uso comum do povo; 
b) bens de uso especial; e 
c) bens dominicais. 
  
Os BENS DE USO COMUM DO POVO são aqueles cujo uso, por característica natural ou jurídica, franqueia-se ao público, sem qualquer discriminação, entre os quais se 
incluem: os rios, mares, estradas, ruas e praças.  
Os BENS DE USO ESPECIAL  são aqueles cujo uso ocorre com certas e determinadas restrições legais e regulamentares, haja vista que se destinam a satisfazer uma utilidade 
ou necessidade pública especial, nos quais se destacam: edifícios ou terrenos destinados a serviço (teatros, universidades, museus ou estabelecimento da administração 
pública, inclusive de autarquia, navios e aeronaves de guerra, veículos oficiais. 
Os BENS DOMINICAIS  são aqueles que constituem o patrimônio das pessoas jurídicas de direito público, como objeto de direito pessoal, ou real, de cada uma delas.  
A.1. AFETAÇÃO E DESAFETAÇÃO - Consoante se abordou, os bens públicos, considerando a destinação ou utilização, classificam-se em bens de uso comum, bens de uso 
especial e bens dominicais. 
A utilização do bem público, por conseguinte, modela a categoria jurídica a que pertence, situação em conformidade com a qual se extrai o conceito jurídico da afetação, 
como fenômeno jurídico que impõe o fim a que ele se destina, definindo, ainda, os limites que se estabelecem para o seu uso. 
A afetação é o ato jurídico mediante o qual se impõe a um bem uma destinação, gravando-o com característica diferente daquela que o identificava e determinando-lhe outra 
finalidade de acordo com a qual será utilizado.  
Em decorrência da afetação, transmudam-se a natureza e a destinação do bem, a qual pode alcançar bens particulares ou bens públicos (bens de uso comum, bens de uso 
especial e bens dominicais ). 
A afetação - e a desafetação, também - processa-se verticalmente por grau, conforme a natureza e a extensão do uso do bem. 
Um bem particular, defectado, pode se transformar em bem público de uso especial, que, a seu turno, pode, também, ser transpassado para bem público de uso comum, a 
mais nobre afetação.  
A desafetação é o fenômeno jurídico por força do qual se processa a regressão ou eliminação da categoria do bem público, com mudança na sua destinação.  
Em situações excepcionais, desde que inspiradas na vontade da lei, é possível um bem público de uso comum sofrer desafetação, com alteração de sua destinação.  
  
A.2. REGIME JURÍDICO - Existem critérios para a classificação dos bens públicos, pelo enfoque da titularidade e da utilização, conforme os mais técnicos.  
Os bens públicos sujeitam-se a regime jurídico especial, sob cujos princípios acomodam-se regras jurídicas que lhes impõem rígida disciplina legal que os diferencia dos 
bens particulares. 
Desfrutam os bens públicos de regime jurídico próprio e excepcional, privilégio que se justifica pela razão de que pertencem