CCJ0006-WL-PA-13-Direito Civil I-Novo-15840
7 pág.

CCJ0006-WL-PA-13-Direito Civil I-Novo-15840


DisciplinaDireito Civil I53.191 materiais612.526 seguidores
Pré-visualização30 páginas
si, abstrata e concretamente , independentemente de outra. - art. 92 do CC. 
Considera-se bem principal o que existe sobre si, abstrata ou concretamente, segundo a definição do art. 92 do Código Civil.  
O bem principal, corpóreo ou incorpóreo, tem existência independente e própria, sem subordinação de natureza jurídica que lhe exija vinculação a outro bem.  
Participa das relações jurídicas com a categoria ou atributo de bem superior e imprescindível à existência de outro.  
Não depende nem segue outro bem\u37e ao revés, tem o predicativo que o credencia a fazer com que outro bem se submeta à relação de subordinação, pela qualidade ou 
quantidade. O caráter da superioridade que se origina da natureza da principalidade identifica-se na importância do bem no contexto da relação material ou jurídica de que 
faça parte, a qual se projeta em múltiplos sentidos.  
Não será pelo enfoque da importância econômica ou financeira que se singulariza o bem, atribuindo-lhe o caráter de principal em face ao outro bem considerado secundário. 
A distinção, por conseguinte, repousa no discernimento que define o papel orgânico-funcional de que cada um dispõe na esfera das relações jurídicas ou materiais. 
B) BENS ACESSÓRIOS -  Diz-se bem acessório aquele cuja existência supõe a do principal, de acordo com o que estabelece o art. 92 do Código Civil. Assim, a árvore é coisa 
acessória do solo e os rendimentos são acessórios do imóvel. 
Os bens acessórios, pelas suas características, recebem a seguinte classificação:  
b.1) os frutos; 
b.2) os produtos; 
b.3) os rendimentos; 
b.4) as acessões\u37e 
b.5) as benfeitorias; e 
b.6) as pertenças.  
B1. DOS F RUTOS - Definem-se os frutos como bens acessórios, que resultam de outros bens considerados principais, sem dizimá -los, conservando-os com os mesmos 
caracteres e com as mesmas finalidades. 
Habituou-se a doutrina a dividir os frutos , segundo: 
a) a origem (natural, industrial e civil); 
b) a natureza (vegetal, animal e artificial); 
c) o estado (pendentes, percipiendos, percebidos - ou colhidos -, existentes e consumidos). 
Os frutos naturais ou animais derivam dos bens gerados pela própria natureza , mesmo que com o induzimento do homem.  
Já os frutos civis, também reputados artificiais, decorrem de uma relação jurídica, em decorrência da qual se auferem resultados econômicos e/ou financeiros, traduzidos 
em renda \u37e os industriais, do trabalho ou engenhosidade do homem que, ao manejar recursos econômica e financeiramente mensuráveis, produz rendimentos extraídos do 
bem principal. 
Ganha expressão jurídica com projeção prática, a divisão dos frutos quanto ao estado, eis que há tratamento específico que o Código Civil adota para disciplinar o direito à 
percepção deles, como consectário dos efeitos da posse.  
Em sendo assim, os frutos pendentes são aqueles ainda argolados ou presos ao bem principal, haja vista que se lhe desaconselha a colheita ou recolhimento precoce\u37e os 
frutos percebidos, aqueles que foram colhidos, com resultado útil\u37e os frutos percipiendos, aptos a serem colhidos, não foram\u37e os frutos existentes, os que, apartados do 
principal, aguardam sejam consumidos; e os frutos consumidos, os que desapareceram pelo uso ou consumo. 
Realce-se que os frutos e produtos, ainda quando não separados do bem principal, podem ser objeto de negócio jurídico , notadamente em se tratando de fruto pendente.  
No caso, o fruto já tem existência presente, mas se encontra ainda conectado ao bem principal, de cuja separação não depende para ser objeto de negócio jurídico, 
porquanto a lei admite que o seja mesmo sob condição de não desligamento.  
A efetividade do negócio não se subordina ao fato de que o fruto ou produto venha a ser separado do bem principal, mas é preciso que o implemento do contrato ocorra 
mediante a transformação do bem pendente em bem percebido. 
O bem pendente, por conseguinte, pode ser objeto de negócio jurídico, que se exaure com o bem percebido, pela transformação do bem pendente.  
B.2. DOS PRODUTOS - Como os frutos, os produtos são bens acessórios, cuja existência supõe a do principal, numa relação de dependência. 
O produto decorre do concurso da exploração pelo homem, que maneja os recursos naturais ou industriais, para a obtenção de utilidade, extraída de um de bem principal, a 
qual satisfaça a uma necessidade.  
No geral, o produto, como bem acessório, tem a característica de provocar, à medida que é explorado e manejado, atrofia ou redução do bem principal, de que resulta e se 
separa, capaz de levá-lo à exaustão, total ou parcial.  
Portanto, distinguem-se o produto e o fruto, haja vista que o primeiro afeta, temporária ou definitivamente, o bem principal, causando-lhe perdas\u37e o segundo, não.  
Sublinhe-se que a correta compreensão de produto e o exato entendimento de fruto repercutem no enquadramento do exercício de direitos de gozo, com o alcance com que 
cada um se apresenta na ordem jurídica.  
  
B.3. DOS RENDIMENTOS - Como bens acessórios, os rendimentos , apropriadamente chamados de frutos civis , consistem no resultado da apropriação das rendas ou 
receitas geradas pelos bens corpóreos ou incorpóreos, as quais se traduzem em valores aferíveis monetariamente. 
O rendimento significa o resultado decorrente do capital empregado econômica ou financeiramente, capaz de gerar juros, rendas, aluguéis e lucros, em propriedades 
mobiliárias ou propriedade imobiliárias.  
O bem principal é que gera o rendimento, em decorrência da exploração econômica ou financeira, na forma de concessão do uso ou gozo.  
B.4. DAS ACESSÕES - Considera-se acessão o fenômeno, natural ou artificial, em decorrência do qual se processa um acréscimo sobre o bem principal, que, assim, o 
incorpora, com os atributos que lhe são próprios, formando um todo jurídico.  
Diz-se, pois, que a acessão decorre de fenômeno:  
a) natural; ou 
b) artificial, chamada, também, de industrial ou intelectual.  
Entre as acessões provocadas por fenômeno natural, destacam-se: 
A) ALUVIÃO - fenômeno causado pelas águas, mediante o qual, gradual e evolutivamente, se acresce ao terreno porção nova de terra, ampliando-se, em conseqüência, a 
propriedade imobiliária, que se desenha em novos perímetros \u37e  
B) AVULSÃO - fenômeno por força do qual se dá deslocamento de uma certa porção de terra que se descola de um terreno juntando -se a outro. 
Na acessão provocada por fenômeno estimulado por artifício do engenho humano, inserem -se as construções e as plantações, que, também, geram a acessão, que se 
credencia à aquisição da propriedade imobiliária.  
B.5. DAS PERTENÇAS - Na categoria de bem acessório, pertenças significam os bens que se empregam num imóvel ou móvel (bem principal), sem o objetivo de lhe alterar a 
substância nem o de se lhe incorporar, situação em que ambos conservam as características que lhes particularizam, formal e funcionalmente. Caracterizam -se as 
pertenças como bens que não constituem parte integrante do bem principal, mas se lhe destinam, de modo duradouro:  
a) ao uso; 
b) ao serviço\u37e e 
c) ao aformoseamento. Na verdade, emprega-se a pertença num bem, com o intuito pejado de interesse utilitário, capaz de gerar um resultado, com múltipla natureza, que 
se diversifica conforme o caso. 
As pertenças concorrem para oferecer ao bem principal o papel agregador de uma serventia, meramente utilitária ou estética.  
Particularidade relevante é a de que o negócio jurídico, ao envolver o bem principal, não abrange as pertenças, salvo se o contrário resultar:  
a) da lei; 
b) da manifestação de vontade\u37e ou  
c) das circunstâncias do caso. 
Portanto, no geral, não seguem as pertenças a sorte do principal, no caso de alienação do bem em que fora empregado, salvo se houver ressalva expressa.  
Tanto a lei quanto a manifestação de vontade haverão de derramar certeza objetiva e formal, no sentido de revelar que a disposição fora a de inserir as pertenças no negócio 
jurídico de que fez