CCJ0006-WL-PA-13-Direito Civil I-Novo-15840
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B) AVULSÃO - fenômeno por força do qual se dá deslocamento de uma certa porção de terra que se descola de um terreno juntando -se a outro.

Na acessão provocada por fenômeno estimulado por artifício do engenho humano, inserem -se as construções e as plantações, que, também, geram a acessão, que se 
credencia à aquisição da propriedade imobiliária. 

B.5. DAS PERTENÇAS - Na categoria de bem acessório, pertenças significam os bens que se empregam num imóvel ou móvel (bem principal), sem o objetivo de lhe alterar a 
substância nem o de se lhe incorporar, situação em que ambos conservam as características que lhes particularizam, formal e funcionalmente. Caracterizam -se as
pertenças como bens que não constituem parte integrante do bem principal, mas se lhe destinam, de modo duradouro: 

a) ao uso;

b) ao serviço; e

c) ao aformoseamento. Na verdade, emprega-se a pertença num bem, com o intuito pejado de interesse utilitário, capaz de gerar um resultado, com múltipla natureza, que 
se diversifica conforme o caso.

As pertenças concorrem para oferecer ao bem principal o papel agregador de uma serventia, meramente utilitária ou estética. 

Particularidade relevante é a de que o negócio jurídico, ao envolver o bem principal, não abrange as pertenças, salvo se o contrário resultar: 

a) da lei;

b) da manifestação de vontade; ou 

c) das circunstâncias do caso.

Portanto, no geral, não seguem as pertenças a sorte do principal, no caso de alienação do bem em que fora empregado, salvo se houver ressalva expressa. 

Tanto a lei quanto a manifestação de vontade haverão de derramar certeza objetiva e formal, no sentido de revelar que a disposição fora a de inserir as pertenças no negócio 
jurídico de que fez parte o bem principal. Descartam-se, assim, a implicitude e a subjetividade como elementos que gerariam a presunção de que, na lei ou na exposição da 
vontade, as pertenças foram envolvidas no negócio jurídico.

Portanto, à falta de manifestação expressa, colhida na lei ou no contrato em cujo instrumento se fixou o negócio jurídico, as pertenças, devido ao silêncio, não passam a 
integrar o bem principal, insubordinando-se a seu destino.

Consideram-se circunstâncias as situações de cuja consumação se pode extrair a premissa que, no caso, torna a pertença irrelevante econômica, financeira ou 
operacionalmente ao valor do bem principal, que, sem elas, não perderá seus valores que justificaram o negócio jurídico. 

O exame das circunstâncias que persegue o caso, as quais justificariam a dedução de que, no negócio jurídico combinado, se envolveram, também, as pertenças, exige a 
presença do silêncio das partes, haja vista que se trata de uma exceção. 

Como ordinariamente não envolve a inclusão das pertenças no negócio jurídico, o silêncio das partes poderá, porém, excepcionalmente, provocar a atração das pertenças ao 
negócio jurídico, justificada se as circunstância do caso recomendar a abrangência. 

Deve-se pautar a análise das circunstâncias com reforço de elementos objetivos que se sobreponham aos subjetivos, os quais se credenciam melhor a avaliar e definir se a 
vontade silenciosa das partes é capaz de desenhar a inserção das pertenças no negócio jurídico.

B.6. DAS BENFEITORIAS - Considera-se benfeitoria tudo o que se emprega num bem imóvel ou móvel, com a finalidade de salvaguardá-lo ou de embelezá-lo.

Com a benfeitoria, independentemente da natureza, se lhe acresce uma utilidade, que se apresenta capaz de facilitar o uso do bem, conservar o bem ou gerar uma volúpia 
no seu titular.

Para o sistema jurídico, a benfeitoria dispensa o elemento ideológico, mas a caracterização ou a determinação de sua natureza se dá justamente com a definição da causa 
finalística, em decorrência da qual se emprega um novo predicativo no bem, de ordem funcional, estética ou conservativa.

Portanto, com base na causa finalística, caracterizam-se ou definem-se as benfeitorias:

a) voluptuárias; 

b) úteis; e

c) necessárias. Sublinhe-se, antes de se enfrentar a natureza em que cada uma das benfeitorias é particularizada, que a lei não considera benfeitoria os melhoramentos ou 
acréscimos sobrevindos ao bem sem a intervenção do proprietário, possuidor ou detentor.

DAS BENFEITORIAS VOLUPTUÁRIAS - Diz o Código Civil que a benfeitoria voluptuária é aquela que se realiza por mero deleite ou recreio, sem vocação ou predicativo capaz de 
aumentar o uso habitual do bem, ainda que o torne mais agradável, ou seja, de elevado valor. 

Verifica-se, assim, que, com a benfeitoria voluptuária, conserva-se a qualidade utilitária do bem, a que não se agrega elemento que potencialize a natureza de seu uso. 

Há mera vontade ou vaidade do benfeitor, com o objetivo de deleitar-se ou recrear-se, haja vista que o bem principal a que se junta uma benfeitoria a dispensa, pelo aspecto
utilitário ou funcional, mas fica mais formoso ou recreador. 

O bem se torna mais belo, formoso, prazeroso, atraente, porque aguça a sensibilidade estética e seduz o espírito benfazejo que se deleita ou se recreia na cômoda 
necessidade do prazer.

A rigor, o bem não necessita ou precisa da benfeitoria, mas o benfeitor a quer. Inexiste relação exata e precisa apta a oferecer proporção entre o bem principal e o bem 
acessório (a benfeitoria). 

Ressalte-se que é da tradição do direito brasileiro que as benfeitorias voluptuárias não são aquinhoadas com indenizações e não comportam, por conseguinte, o exercício 
do direito de retenção. 

B.6.2. DAS B ENFEITORIAS  ÚTEIS - Reputam-se úteis as benfeitorias que aumentam ou facilitam o uso do bem principal , em que elas são realizadas, com o intuito de 
enriquecer ou simplificar os meios para usá-lo.

Na benfeitoria útil, ocorre aumento - físico ou funcional - do bem principal, por força da qual se torna maior, melhor ou mais funcional. 

Malgrado a natureza, a benfeitoria útil , além de necessariamente produzir um aumento físico ou funcional, pode gerar, secundariamente, uma vantagem estética, sem lhe 
modificar a natureza jurídica e sem se confundir em benfeitoria voluptuária. 

Constata-se o aumento do bem de que fala a regra pela simples metrificação, aferindo-se, pois, que ele sofreu acréscimo físico, independentemente do tamanho, posto que 
basta a utilidade.

Mais importa a utilidade do que a dimensão da benfeitoria. Verifica-se o aumento funcional do bem pela ordinária experiência que demonstra, por percepção ou utilização, 
que se lhe facilitou e melhorou o uso.

B.6.3. DAS BENFEITORIAS NECESSÁRIAS - Chama-se benfeitoria necessária aquela cuja realização busca conservar ou evitar que o bem principal se deteriore, com risco de 
destruição, parcial ou total. 

Caracteriza-se a benfeitoria necessária pela exigência reparadora que o bem revela, oculta ou ostensivamente, à falta da qual ele resultará em ruína, tornando-se imprestável 
ou insatisfatório para cumprir a finalidade a que se destina. 

A intensidade ou a extensão da intervenção sobre o bem é irrelevante para determinar a natureza da benfeitoria necessária, eis que basta que se reforce a confirmação de 
que era se apresentava indispensável para promover a conservação ou para evitar a deterioração da coisa.

Na benfeitoria necessária, avulta a certeza da indispensabilidade ou da impostergabilidade de sua realização, haja vista que o bem a reclama, pelo fato formal ou funcional. 

 2 - BENS CONSIDERADOS EM RELAÇÃO AO SUJEITO

BENS PÚBLICOS E BENS PARTICULARES

O Código Civil fracionou os bens na dicotomia de: 

a) bens públicos; e 

b) bens particulares. Consideraram-se públicos os bens do domínio nacional pertencentes às pessoas jurídicas de direito público interno; particulares, todos os outros.

Se pertencer à pessoa jurídica de direito público interno - a União, os Estados, o Distrito Federal, os Municípios, os Territórios , as autarquias e as demais entidades de 
caráter público criadas por lei - reputa-se o bem público; fora daí, diz-se que o bem é particular, seja qual