CCJ0006-WL-PA-13-Direito Civil I-Novo-15840
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que aumentam ou facilitam o uso do bem principal , em que elas são realizadas, com o intuito de 
enriquecer ou simplificar os meios para usá-lo.

Na benfeitoria útil, ocorre aumento - físico ou funcional - do bem principal, por força da qual se torna maior, melhor ou mais funcional. 

Malgrado a natureza, a benfeitoria útil , além de necessariamente produzir um aumento físico ou funcional, pode gerar, secundariamente, uma vantagem estética, sem lhe 
modificar a natureza jurídica e sem se confundir em benfeitoria voluptuária. 

Constata-se o aumento do bem de que fala a regra pela simples metrificação, aferindo-se, pois, que ele sofreu acréscimo físico, independentemente do tamanho, posto que 
basta a utilidade.

Mais importa a utilidade do que a dimensão da benfeitoria. Verifica-se o aumento funcional do bem pela ordinária experiência que demonstra, por percepção ou utilização, 
que se lhe facilitou e melhorou o uso.

B.6.3. DAS BENFEITORIAS NECESSÁRIAS - Chama-se benfeitoria necessária aquela cuja realização busca conservar ou evitar que o bem principal se deteriore, com risco de 
destruição, parcial ou total. 

Caracteriza-se a benfeitoria necessária pela exigência reparadora que o bem revela, oculta ou ostensivamente, à falta da qual ele resultará em ruína, tornando-se imprestável 
ou insatisfatório para cumprir a finalidade a que se destina. 

A intensidade ou a extensão da intervenção sobre o bem é irrelevante para determinar a natureza da benfeitoria necessária, eis que basta que se reforce a confirmação de 
que era se apresentava indispensável para promover a conservação ou para evitar a deterioração da coisa.

Na benfeitoria necessária, avulta a certeza da indispensabilidade ou da impostergabilidade de sua realização, haja vista que o bem a reclama, pelo fato formal ou funcional. 

 2 - BENS CONSIDERADOS EM RELAÇÃO AO SUJEITO

BENS PÚBLICOS E BENS PARTICULARES

O Código Civil fracionou os bens na dicotomia de: 

a) bens públicos; e 

b) bens particulares. Consideraram-se públicos os bens do domínio nacional pertencentes às pessoas jurídicas de direito público interno; particulares, todos os outros.

Se pertencer à pessoa jurídica de direito público interno - a União, os Estados, o Distrito Federal, os Municípios, os Territórios , as autarquias e as demais entidades de 
caráter público criadas por lei - reputa-se o bem público; fora daí, diz-se que o bem é particular, seja qual for a pessoa a que pertencerem.

Define-se, pois, a natureza jurídica do bem pela qualidade da personalização do seu titular, opção legislativa que induz à constatação de que os bens das pessoas jurídicas 
de direito público externo, localizados no território geográfico do Brasil, são considerados bens particulares , haja vista que pertencem a pessoa jurídica que, por óbvio, não 
se enquadra na categoria de direito público interno.

Portanto, não há bens públicos fora do domínio das pessoas jurídicas de direito público interno.

A) BENS PÚBLICOS -  

Pelo critério da titularidade, os bens públicos classificam-se em bens pertencentes à União , aos Estados , ao Distrito Federal e aos Municípios. (art. 98, 1ª parte, e art. 99,
ambos do CC.)

Daí a denominação de bens públicos federais, estaduais, distritais federais e municipais. 

Pelo critério da utilização, sublinhe-se que os bens públicos estão divididos em: 

a) bens de uso comum do povo;

b) bens de uso especial; e

c) bens dominicais.

 

Os BENS DE USO COMUM DO POVO são aqueles cujo uso, por característica natural ou jurídica, franqueia-se ao público, sem qualquer discriminação, entre os quais se 
incluem: os rios, mares, estradas, ruas e praças. 

Os BENS DE USO ESPECIAL  são aqueles cujo uso ocorre com certas e determinadas restrições legais e regulamentares, haja vista que se destinam a satisfazer uma utilidade 
ou necessidade pública especial, nos quais se destacam: edifícios ou terrenos destinados a serviço (teatros, universidades, museus ou estabelecimento da administração 
pública, inclusive de autarquia, navios e aeronaves de guerra, veículos oficiais.

Os BENS DOMINICAIS  são aqueles que constituem o patrimônio das pessoas jurídicas de direito público, como objeto de direito pessoal, ou real, de cada uma delas. 

A.1. AFETAÇÃO E DESAFETAÇÃO - Consoante se abordou, os bens públicos, considerando a destinação ou utilização, classificam-se em bens de uso comum, bens de uso
especial e bens dominicais.

A utilização do bem público, por conseguinte, modela a categoria jurídica a que pertence, situação em conformidade com a qual se extrai o conceito jurídico da afetação, 
como fenômeno jurídico que impõe o fim a que ele se destina, definindo, ainda, os limites que se estabelecem para o seu uso.

A afetação é o ato jurídico mediante o qual se impõe a um bem uma destinação, gravando-o com característica diferente daquela que o identificava e determinando-lhe outra
finalidade de acordo com a qual será utilizado. 

Em decorrência da afetação, transmudam-se a natureza e a destinação do bem, a qual pode alcançar bens particulares ou bens públicos (bens de uso comum, bens de uso 
especial e bens dominicais ).

A afetação - e a desafetação, também - processa-se verticalmente por grau, conforme a natureza e a extensão do uso do bem.

Um bem particular, defectado, pode se transformar em bem público de uso especial, que, a seu turno, pode, também, ser transpassado para bem público de uso comum, a 
mais nobre afetação. 

A desafetação é o fenômeno jurídico por força do qual se processa a regressão ou eliminação da categoria do bem público, com mudança na sua destinação. 

Em situações excepcionais, desde que inspiradas na vontade da lei, é possível um bem público de uso comum sofrer desafetação, com alteração de sua destinação. 

 

A.2. REGIME JURÍDICO - Existem critérios para a classificação dos bens públicos, pelo enfoque da titularidade e da utilização, conforme os mais técnicos. 

Os bens públicos sujeitam-se a regime jurídico especial, sob cujos princípios acomodam-se regras jurídicas que lhes impõem rígida disciplina legal que os diferencia dos 
bens particulares.

Desfrutam os bens públicos de regime jurídico próprio e excepcional, privilégio que se justifica pela razão de que pertencem ao patrimônio do povo, para quem geram 
riquezas materiais e espirituais.

Como pertencem à Nação, diz-se que os bens públicos compõem o domínio público, tutorado pelo princípio da indisponibilidade, que se expressa nos predicativos da: 

a.2.1 inalienabilidade;

a.2.2 imprescritibilidade; e

a.2.3 impenhorabilidade.

O princípio da indisponibilidade, primaz na questão da dominialidade pública, afirma a natureza jurídica dos bens públicos, fazendo borda com o princípio da disponibilidade 
dos bens privados ou particulares.

Trata-se de qualidade jurídica que exprime a compreensão natural de que o bem público, não se vende, não se dá, não se cede e não se adquire, a não ser em condições 
especiais, previstas em lei.

Para o bem público e o bem do público, solenizam-se e substancializam-se as condições segundo as quais se lhe disponibiliza, sempre em condições e em situações 
extraordinárias, que se agigantam em face à realidade ordinária que envolve o poder particular sobre o bem que compreende o seu domínio. 

A.2.1 INALIENABILIDADE - A inalienabilidade consiste no predicativo que persegue o bem, impedindo-lhe a alienação ou a transferência de domínio, haja vista que, como se lhe 
veda o alheamento, não pode ser adquirido.

Em regra, os bens privados ou particulares, salvo os bloqueios jurídicos que se lhes entranham em situações especialíssimas, granjeiam a liberdade da alienação, da 
transferência de domínio, com ou contra a vontade de seu titular - como no caso da usucapião -; os bens públicos, não.

No entanto, a regra da inalienabilidade não se aplica, indiferentemente, a todos os bens públicos, porquanto se fraciona em: 

a) vedação absoluta; e 

b) vedação relativa. 

Há vedação absoluta