CCJ0006-WL-PA-13-Direito Civil I-Novo-15840
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se observado o art. 1.717. 
  
C.1 OS REQUISITOS ESSENCIAIS PARA A CARACTERIZAÇÃO DO BEM DE FAMÍLIA : 
Dois os supostos de direito material para que a residência da família não seja apreendida judicialmente: 
c.1.1 o prédio deve ser residencial e, além,  
c.1.2 o grupo deverá estar residindo nele efetivamente. 
Por primeiro há se tratar de imóvel residencial, apropriado para a moradia de pessoas. Se o normal é a habitação humana em casas ou apartamentos, em princípio não 
deveriam ser consideradas como residenciais as construções ainda inacabadas ou os prédios que não se prestem a esse fim, tais como galpões industriais, lojas de 
comércio, postos de gasolina etc.  
Poder-se-á demonstrar, ao invés, através de prova a mudança de destinação ou a adaptação de prédios não erguidos para residência, mas que se tenham modificado por 
motivos quaisquer. Alegações de possíveis alterações de outros tipos de imóvel para o fim residencial não deverão ser descartadas de plano na perquirição probatória do 
bem de família, mas devem ser objeto da prudente e sensível ponderação do juiz, considerado sempre o quadro sócio-econômico-cultural brasileiro, nas suas diversificadas 
regiões.  
Em segundo lugar, que se trate de residência efetiva do grupo ou núcleo familiar.   Única e permanente, diz o art. 5o. da Lei 8.009. 
  
A melhor interpretação que se tira desta norma é a de que as pessoas estejam alojadas no imóvel com ânimo de permanência nele, como sede da família. Domicílio no 
sentido do art. 70 do Código Civil, o lugar onde a pessoa se estabelece como residente e em definitivo.  
Mesmo que seus integrantes, periodicamente, estejam fora (p.ex., executivos que viajam, estudos ou cursos que se freqüentam dentro ou fora do país, residência episódica 
em outro local, etc.), o que determina esta efetividade é o vínculo do grupo ou da pessoa com a habitação, sem a constituição de moradia definitiva em outro lugar. 
A ocupação do imóvel residência de família ou entidade familiar deve ser perene e induvidosa, a ponto de não se a ter como encenação em momento anterior à execução, 
ato de má-fé ou ilícito civil que tem tido sanção em julgados diversos, com apoio subsidiário no conteúdo ético do art. 4o., \u201ccaput\u201d, da Lei referida. 
À hipótese de família multi ou pluridomiciliada, que tenha residências onde alternativamente viva (art. 71 do Código Civil) responde a Lei 8.009 com a indicação prévia, pelo 
proprietário, de apenas uma das casas utilizadas, sob pena de se tornar impenhorável a de valor menor do acervo. 
Jamais se designa mais de uma residência, ainda que em cidades diferentes do território nacional. Fica fora do alcance de nossa lei, entretanto, outro imóvel residencial 
situado no exterior. 
A casa de campo ou de praia se excluem, por conseqüência, da inexcutibilidade. 
É de se acrescentar, outrossim, a possibilidade de o único imóvel residencial da família ser alugado, temporária ou definitivamente, para custeio de permanência da família 
em local diverso por necessidade comprovada ou compreensível, sem a desfiguração do bem de família. Há orientação jurisprudencial que não entende descaracterizado por 
isso o bem de família, porque o objetivo da Lei 8.009 é, justamente, garantir esse patrimônio familiar. 
OBS.: Os bens públicos e os bens de família são inalienáveis, e são insuscetíveis de apropriação o ar atmosférico e a luz solar. Existe ainda as legalmente inalienáveis 
(coisas doadas com cláusula de inalienabilidade, bens de diretores de instituições financeiras em liquidação) além dos bens que constituem direta irradiação da 
personalidade (liberdade, honra, nome, privacidade, etc). 
  
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: 
  
Nome do livro: Curso de Direito Civil. Vol 1 Parte Geral - ISBN. 8530927923 
Nome do autor: NADER, Paulo. 
Editora: Forense 
Ano: 2009 
Edição: 6a 
Nome do capítulo: Bense patrimônio 
N. de páginas do capítulo: 13 
Aplicação Prática Teórica 
OS BENS RECIPROCAMENTE CONSIDERADOS. 
TRÊS AMIGOS QUE HÁ MUITO NÃO SE VIAM ENCONTRAM-SE POR ACASO NO CORREDOR DA 1ª. VARA CÍVEL DE GOIÂNIA/GO, ENQUANTO AGUARDAM SUAS RESPECTIVAS AUDIÊNCIAS. PAPO VAI 
PAPO VEM ACABAM POR REVELAR O MOTIVO QUE OS LEVOU ATÉ LÁ. 
LAURO, PROFESSOR DE EDUCAÇÃO FÍSICA, CONSTRUÍRA DE BOA-FÉ UMA PISCINA OLÍMPICA NO TERRENO DO IMÓVEL QUE ALUGARA PARA ALI INSTALAR SUA ACADEMIA DE NATAÇÃO; 
DAGOBERTO, TAMBÉM DE BOA-FÉ, CONSTRUÍRA UMA PISCINA NA CASA QUE ALUGARA PARA PASSAR OS FINS-DE-SEMANA E WALDOMIRO, SEMPRE NA MAIOR DAS BOAS-FÉS, CONSTRUÍRA 
UMA PISCINA NO IMÓVEL ALUGADO EM QUE FUNCIONAVA A ESCOLA DE ENSINO FUNDAMENTAL QUE DIRIGIA. TODOS OS AMIGOS , APÓS A RESCISÃO DE SEUS CONTRATOS DE LOCAÇÃO, 
RECUSARAM-SE A DEIXAR OS RESPECTIVOS IMÓVEIS E ENTRARAM NA JUSTIÇA BUSCANDO A INDENIZAÇÃO PELO QUE GASTARAM E PELA VALORIZAÇÃO DOS IMÓVEIS , COM BASE EM PRETENSO 
DIREITO DE RETENÇÃO. 
PERGUNTA-SE: 
  
A)             A NATUREZA JURÍDICA DA BENFEITORIA REALIZADA POR CADA UM DOS AMIGOS   POR SE TRATAR DE UMA PISCINA, É A MESMA? AFINAL, O QUE É UMA BENFEITORIA? 
  
B)             O QUE SIGNIFICA ESSE \u201cDIREITO DE RETENÇÃO\u201d ALEGADO POR TODOS OS AMIGOS COMO BASE PARA NÃO SAÍREM DOS IMÓVEIS ALUGADOS? TODOS ELES SÃO TITULARES DE TAL 
DIREITO? 
  
A)     E SE O PROPRIETÁRIO DA CASA ALUGADA POR DAGOBERTO PASSASSE A COBRAR INGRESSO DE SEUS VIZINHOS PARA UTILIZAREM A PISCINA CONSTRUÍDA, FARIA DIFERENÇA NO CASO 
EM ANÁLISE? 
  
CASO CONCRETO 2 
  
OS BENS PÚBLICOS. 
  
A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA DO ESTADO DE SÃO PAULO RESOLVEU ALIENAR UM PRÉDIO ONDE FUNCIONA A SEDE DE UMA EMPRESA DE ILUMINAÇÃO DO ESTADO, PARA SALDAR DÍVIDAS 
CONTRAÍDAS FRENTE A ALGUMAS EMPRESAS CONTRATADAS PARA FAZEREM OBRAS DE REFORMA EM DOIS HOSPITAIS E CINCO ESCOLAS, ESTABELECIDOS NO INTERIOR DO ESTADO.   
COM BASE NO CASO PROPOSTO, É ADMISSÍVEL A ALIENAÇÃO DO IMÓVEL EM QUESTÃO PERANTE NOSSO ORDENAMENTO JURÍDICO?  JUSTIFIQUE SUA RESPOSTA 
  
QUESTÃO OBJETIVA 
  
  
MARQUE A ALTERNATIVA ERRADA EM RELAÇÃO AOS BENS RECIPROCAMENTE CONSIDERADOS 
(   ) O BEM PRINCIPAL É UM BEM QUE POSSUI EXISTÊNCIA AUTÔNOMA, PRÓPRIA, JÁ OS BENS ACESSÓRIOS DEPENDEM DA EXISTÊNCIA DE OUTRO BEM 
(   )  AS PERTENÇAS SÃO COISAS MÓVEIS OU IMÓVEIS DESTINADAS AO SERVIÇO OU ORNAMENTAÇÃO DE UM BEM PRINCIPAL COMO PARTE INTEGRANTE. 
(   ) OS FRUTOS, PRODUTOS E RENDIMENTOS SÃO BENS ACESSÓRIOS 
(   ) BENFEITORIA É TODA OBRA OU DESPESA FEITA NA COISA PRINCIPAL PARA CONSERVÁ-LA OU MELHORÁ-LA. 
(   ) O POSSUIDOR DE BOA-FÉ TEM DIREITO À INDENIZAÇÃO DAS BENFEITORIAS NECESSÁRIAS E ÚTEIS 
  
Plano de Aula: 7 - DIREITO CIVIL I
DIREITO CIVIL I 
Estácio de Sá Página 7 / 7