BOLDO-CAFEINA
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BOLDO-CAFEINA


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Peumus boldus como colagogo
Problemas digestivos são bastante comuns e observa-se frequentemente o estímulo, através da 
propaganda de medicamentos, o consumo induzido da automedicação de medicametos fitoterápicos ou 
não, na patologia do trato digestivo. Isto explicaria o ranking de vendas de medicamentos fitoterápicos para 
esta patologia, sendo posicionado entre os 3 mais vendidos e denominados auxiliares 
digestivos/hepáticos. Nas formulações de medicamentos estrangeira e nacional, diversas associações de 
drogas vegetais são descritas como colagogo entre elas é citado extrato seco de boldo (Peumus boldus) 
como colagogo, nome genérico para coleréticos, agentes estimulantes da produção de biles hepático, 
também apresentando efeito indutivo sobre a liberação da biles1. Plantas como alcachofra, curcuma, losna, 
genciana, dente-de-leão são as mais encontradas nesta formulações. Apesar do efeito colagogo não ser 
totalmente elucidado, todas espécies citadas caracterizam-se por serem amargas e reconhecidamente as 
espécies vegetais amargas podem estimular as secreções gástricas e biliares, mesmo em indivíduos 
sádios1. 
O boldo-chileno ou boldo-verdadeiro (Peumus boldus Molina, monimiaceae) é uma espécie que cresce no 
chile e de distribuição bastante restrita. O farmacógeno é a folha, mas tambem utiliza-se a casca do caule 
para extração do alcalóide citado como ativo.
 Quimicamente, as folhas são ricas em óleo essencial (1-3%), no qual predomina monoterpenos (limoneno, 
pineno, ascaridol, alcanfor). O cheiro da folha é bastante característico, lembra o odor de canfora, fato que 
facilmente a distingue de outros \u201cboldos\u201d. Ainda encontram-se flavonóides nas folhas, mas as substãncias 
consideradas ativas são derivados da classe de alcalóides aporfínicos, com o teor de 0,2-0,5%, sendo a 
boldina predominante, seguida de outros aporfinóides, isoboldina, isocoridina, etc2. 
O infuso é o emprego mais comum e indicado como estimulante digestivo, sua aplicação principal é nas 
afecções hepáticas, que produzam problemas digestivos, assim como os transtorno dispépticos e outras 
alterações gastrointestinais. Sugere-se que o extrato hidroalcoólico, cujo principal constituinte é a boldina, 
seria o responsável pela atividade estimulante da produção da biles, mas em maiores dosagens, o extrato 
hidroalcoólico possui efeito hepatoprotetor, sendo a boldina o principal responsável por essa atividade e, 
provavelmente, por seu efeito antioxidante. O extrato hidroalcoólico possui tambem efeito laxante, devido a 
presença do ácido quenodesoxicolico. A boldina possui também um aumento consideravel no fluxo urinário, 
mas este efeito não é reconhecido como diurético, sendo considerado como efeito de diurese, como ocorre 
com o uso de outros chás. 
Do ponto de vista toxicológico deve-se evitar o uso prolongado das preparações com o boldo. Pois a planta 
possui óleo essencial com cerca de 40% de ascaridol esta substância é hepatotoxica. Dessa forma, o uso 
a longo prazo é desaconselhável, principalmente em mulheres gravidas3. Formulações com o extrato seco 
de boldo, mas isentas do óleo essencial rica em ascaridol, tem sido mencionado. Antes da obtenção do 
extrato alcaloídico ou hidroetanólico, rico em boldina, a droga vegetal é submetida a extração com CO2 
supercrítico. O curioso, que o ascaridol tem este nome por apresentar atividade sobre o nematoides, em 
especial, o gênero Ascaris. Mas experimentos desenvolvidos com extratos de boldo em porcos, demonstrou 
atividade pouco significativa na eliminação de vermes do extrato, quando comparada aos derivados 
mebendazólicos de uso clínico. 
É bastante comum encontrar no mercado farmacêutico os extratos de boldo associado a outras plantas, 
como alcachofra, drogas ricas em antraquinonas para o tratamento sintomático da constipação, por exemplo 
formulações com extratos secos de boldo, jurubeba e alcachofra. 
Paullinia cupana, guarana. Selecionamos esta espécie vegetal como representante de drogas ricas em 
metilxantinas, pois, na verdade, um grande número de drogas vegetais ricas nesta classe de constituinte faz 
parte do nosso dia-a-dia, como bebidas, energéticos, etc. Acontece que a Paullinia cupana é mais 
comumente adulterada no mercado, devido ao seu valor agregado. Esta planta medicinal tem como 
principal constituinte ativo a cafeína. A cafeina é encontrada em bebidas tradicionais como o café, chá-
verde, chá-preto, banchá, guaraná e faz parte de bebidas energéticas, consumida principalmente pela 
população frequentadora de acadêmias, pessoas entre 18-34 anos, mas tambem consumida por 
adolescentes. Geralmente, este consumo é justificado pela busca de melhor perfomance física envolvendo 
resistência, desenvolvimento cognitivo4. 
O guaraná, o farmacógeno é a semente. A semente é rica em amido (60%), açúcares e taninos. As bases 
púricas são representada por cafeína (3-5%) e traços de teobromina, derivados catequínicos estão também 
presentes. A semente moída é dissolvida em água e faz parte de bebidas indígena sul americana. 
Habitualmente, é indicada no caso de fadiga, como afrodisíaca, estimulante do SNC e dores de cabeça, 
1 V. Schulz, R. Hansel, V. E. Tyler, Fitoterapia Racional -um guia de fitoterapia para as ciências da saúde, Ed. Manole, 1a. Ed. 
Bras., 2001. Barueri. 
2 L. B. Diaz, Farmacognosia, Ed. Elsevier, Madrid, España.2003. 
3 J. E. Robbers, V. E. Tyler, Las hierbas medicinales de Tyler \u2013 uso terapeutico de las fitomedicinas, Ed. Acribia, Zaragoza 
(España), 1999. 
4 M.A. Heckman, K. Sherry, and E. Gonzalez de Mejia, Energy Drinks: An 
Assessment of Their Market Size, Consumer Demographics, Ingredient Pro\ufb01le, 
Functionality, and Regulations in the United States COMPREHENSIVE REVIEWS IN FOOD SCIENCE, 9, 303, 2010. 
entre outros usos. 
A cafeína que justifica a maioria das utilizações farmacêuticas do guaraná e outras bebidas ricas em 
metilxantinas. O uso deste fitofármaco em medicamentos é também conhecido. Abaixo serão apresentados 
alguns efeitos da cafeina. 
Musculatura lisa: A teofilina, teobromina e cafeina apresentam efeito sobre a musculatura lisa, causando por 
exemplo, broncodilatação o mecanismo provável é a inibição da nucleotídeo fosfodiesterase pela cafeina, 
que inibe a hidrolise do AMP-cíclico, o acumulo do AMP-cíclico leva a relaxação da musculatura lisa dos 
brônquios.
SNC: A cafeina e teofilina são estimulantes poderosos do SNC. A ingestão de bebidas energéticas de 85 a 
250 mg de cafeína, correspondente a 1 a 3 copos de café, provoca a redução de fadiga, redução de 
sonolência (aumento do estado de vigília, melhor fluxo do pensamento, mas concentrações altas de cafeina 
leva também a ansiedade e nervosismo. Já houve relatos de associação de possíveis alterações 
comportamentais devido a ingestão excessiva de bebidas energéticas.
De uma maneira geral, o efeito sobre o SNC está relacionado a uma maior capacidade intelectual, redução 
do tempo de reação, mas atividades que envolvam habilidades aritméticas e coordenação motora são 
prejudicadas. 
A utilização de cafeina com álcool é desaconselhável, pois o efeito estimulante da cafeína com o depressor 
do álcool reduz a respostas as situações que exigem uma rapidez. 
Do mesmo modo o efeito da cafeina sobre o sistema gástrico é danosa na utilização de melhoria dos 
sintomas de ressaca alcoólica, pois o álcool já é um irritante da mucosa gastrointestinal, somará a este o 
efeito da produção de secreção gástrica e pepsina produzida pela cafeína. 
O principal mecanismo proposto para a ação da cafeína é sua atividade anti-adenosina, como a cafeina 
inibe a atividade da fosfodiesterase e, desta forma, aumenta a concentração do AMP-ciclico, o AMP-ciclico 
esta envolvido em diferentes resposta em nosso organismo, veja o exemplo abaixo, que ocorre quando a 
diminuição dessa molecula5.
Uma aplicação bastante