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DisciplinaDireito Constitucional I62.955 materiais1.454.962 seguidores
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INTERVENÇAO FEDERAL
Como já foi dito, o Estado Federal assenta-se sob o principio da autonomia dos entes federados. Sendo que, a autonomia destes, caracteriza-se pela tríplice capacidade de auto-organização (constituição própria);, autogoverno (eleições próprias) e auto-administração.
Excepcionalmente, será admitido o afastamento dessa autonomia política, com finalidade de preservação da existência e unidade da própria Federação, através da intervenção.
Conceito: a intervenção consiste em medida excepcional de suspensão temporária da autonomia de determinado ente federativo, fundada em hipótese taxativa prevista na CF.
Quem pode intervir?
Em regra, a União poderá intervir nos Estados-membros e no DF; enquanto que os Estados-membros poderão intervir nos Municípios integrantes de seu território.
Requisitos para que ocorra a intervenção:
deve haver uma das hipóteses taxativas descritas na CF (art. 34 \u2013 intervenção federal) e (art. 35, intervenção estadual);
deve haver a decretação exclusiva \u2013 de forma discricionária ou vinculada \u2013 do Chefe do Executivo (Presidente da Republica no caso de intervenção federal e dos Governadores no caso de intervenção municipal), a quem caberá, igualmente, a execução das medidas interventivas.
Hipóteses Taxativas da CF
Art. 34, CF: A União não intervirá nos Estados nem no DF, exceto para:
I \u2013 manter a integridade nacional;
OBS: a idéia é de manter a união indissolúvel dos entes federados, sendo vedada a secessão. Sendo assim, o Presidente poderá decretar a intervenção, se utilizando de força militar, se necessário, para coibir a tentativa de secessão.
II \u2013 repelir invasão estrangeira ou de unidade federativa em outra; (idem a explicação anterior)
III \u2013 por termo a grave comprometimento da ordem publica; 
OBS: Cabe ao Presidente fazer uma avaliação discricionária na situação, conforme seu próprio juízo e decretar a intervenção (o CN fará o controle político deste ato).
Exemplo: enviar o exercito para o RJ em face do trafico e violência pode caracterizar uma intervenção, se não houver solicitação de ajuda do governador do Estado. Se o governador solicitou então não caracteriza intervenção.
IV \u2013 garantir o livre exercício de qualquer dos poderes nas unidades federativas; (Poder Legislativo, Executivo e Judiciário).
OBS: um exemplo de desrespeito ao Poder Judiciário, vindo a prejudicar o cumprimento de sua missão (impossibilita seu funcionamento), é o não repasse do duodécimo do judiciário \u2013 art. 168, CF pelo governador do Estado. O remédio neste caso é a intervenção federal.
O poder coagido solicitara ao Presidente a intervenção para restabelecimento da normalidade.
V \u2013 reorganizar as finanças da unidade da Federação que:
a) suspender o pagamento de divida fundada por mais de 2 anos consecutivos, salvo motivo de força maior;
b) deixar de entregar aos municípios receitas tributarias fixadas nesta constituição, dentro dos prazos estabelecidos em lei;
OBS: exemplo: é o IPVA que deve ser repassado 50% dos valores arrecadados para o município. Caso o estado não repasse, a forma eficaz de obriga-lo é a intervenção federal.
VI \u2013 prover a execução de lei federal, ordem ou decisão judicial;
OBS: é o caso de descumprir ordem judicial nos limites do estado, através da intervenção, se nomeara um interventor que irá restabelecer a ordem judicial.
VII \u2013 caso dos preceitos sensíveis: ler inciso e alíneas \u2013 se ferir um destes princípios, é caso de intervenção.
Procedimento de Intervenção Federal
Os procedimentos consistem em 4 fases, observando-se, porem, que nenhuma das hipóteses constitucionais permissivas da intervenção apresentara mais de 3 fases conjuntamente:
Iniciativa:
Presidente da Republica: cabe a este nas hipóteses do art. 34, inc. I, II, III e V, nestes casos, o presidente ex officio poderá tomar a iniciativa de decretar a intervenção federal;
Por solicitação dos Poderes locais (art. 34, IV, CF): 
Os poderes legislativo (Assembléia Legislativa ou Camara Legislativa) e Executivo (governadores ou do DF) locais solicitarão ao Presidente da Republica a decretação da intervenção no caso de estarem sofrendo coação no exercício de suas funções. 
Já o Poder Judiciário local, solicitara ao STF que, se este entender ser o caso, requisitara a intervenção ao Presidente da Republica.
Por requisição do STF, STJ e TSE, nas hipóteses previstas no art. 34, VI, segunda parte \u201cVI \u2013 prover a execução de lei federal, ordem ou decisão judicial\u201d; 
Assim, o STF, STJ e TSE poderão requisitar diretamente ao Presidente da Republica, a decretação da intervenção, quando ordem ou decisão suas for descumprida (há desobediência de ordem ou decisão judicial suas por Estados-membro ou DF).
Por ações propostas pelo Procurador Geral da Republica nas hipótese previstas nos arts.: 
34, VI, inicio \u201cprover a execução de lei federal\u201d e VII, \u201cassegurar a observância dos princípios constitucionais \u2013 forma republica, sistema presidencialista e regime democrático; direitos da pessoa humana; autonomia municipal; prestação de contas da administração direta e indireta; aplicação do mínimo exigido da receita de impostos estaduais para o ensino e saúde\u201d.
Em ambos os casos \u2013 \u201cação de executoriedade de lei federal\u201d como na \u201cação direta de inconstitucionalidade interventiva\u201d \u2013 serão endereçadas as ações ao STF.
Fase Judicial
Essa fase só se apresenta nos 2 casos previstos de iniciativa da Procuradoria Geral da Republica (arts. 34, VI, inicio e VII), uma vez que se tratam de ações endereçadas ao STF.
Para que haja intervenção nestes dois casos, o STF deve julgar procedente quaisquer das ações, encaminhando ao Presidente da Republica para fins do decreto interventivo.
Nestes casos, a intervenção é vinculada, cabendo ao presidente a mera formalização de uma decisão tomada pelo Judiciário.
Decreto Interventivo \u2013 Procedimento
A intervenção será formalizada através de decreto presidencial (art. 84, X, CF);
O art. 36, p. 1o., determina que o decreto especifique a amplitude, o prazo e as condições de execução e, se necessário for, afaste as autoridades locais e nomeie temporariamente um interventor;
Ainda, deve submeter essa decisão à apreciação do Congresso Nacional \u2013 CN no prazo de 24 horas.
Nas hipóteses de intervenções espontâneas (art. 34, I, II, III e V), ouvirá os Conselhos da Republica (art. 90, I) e o de Defesa Nacional (91, p. 1o.), que opinarão a respeito. Apos, o aconselhamento, poderá decretar a intervenção discricionariamente (oportunidade e conveniência).
Com relação ao interventor \u2013 será considerado para todos os fins \u201cservidor publico\u201d; a amplitude e a executoriedade de suas funções dependerá dos limites estabelecidos no decreto interventivo.
Com relação aos atos de intervenção, a CF não os limitou, nem os discriminou, assim, entende-se que, os atos deverão ser adequados aos critérios de necessidade e proporcionalidade à lesão institucional.
4. Controle Político
A CF prevê a existência de um controle político sobre o ato interventivo.
Assim, o decreto de intervenção devera ser submetido à apreciação do CN no prazo de 24 horas.
O CN poderá: 
rejeitá-la; ou
mediante decreto legislativo, aprovar a intervenção federal (art. 49, IV);
OBS: No caso do CN não aprovar a medida, Presidente devera cessa-la imediatamente, sob pena de crime de responsabilidade (art. 85, II).
OBS2: Nos casos do art. 34, VI, VII, o controle político é dispensado. Nestes casos, o decreto do legislativo limitar-se-á a suspender a execução do ato impugnado, se essa medida bastar ao restabelecimento da normalidade (no caso trata-se de requisição judicial, assim, não poderia o legislativo obsta-la, sob pena de vulnerar o principio da separação dos poderes).
INTERVENÇAO ESTADUAL NOS MUNICIPIOS
A intervenção cabe ao Estado-membro respectivo.
A regra é respeitar a autonomia dos municípios, cabendo a intervenção como exceção. Lembra-se que segue a mesma regra da intervenção federal, ou seja, somente cabe nos casos taxados pela CF, no art. 35.
Somente o governador do Estado poderá decreta-la,