Sociologia J. - Anotação (27)
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Sociologia J. - Anotação (27)


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PREPARATÓRIO PARA OAB
Professor: Dr. Carlos Toledo
DISCIPLINA: DIREITO ADMINISTRATIVO
Capítulo 1 Aula 1 
NOÇÕES GERAIS E PRINCÍPIOS 
DO DIREITO ADMINISTRATIVO 
Coordenação: Dr. Carlos Toledo
01
Noções Gerais Sobre o Direito Administrativo
"Proibida a reprodução total ou parcial, por qualquer meio ou processo, assim como a inclusão em qualquer sistema de processamento de dados. A 
violação do direito autoral é crime punido com prisão e multa (art. 184 do Código Penal), sem prejuízo da busca e apreensão do
material e indenizações patrimoniais e morais cabíveis (arts. 101 a 110 da lei 9.610/98 - Lei dos Direitos Autorais).\u201d
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TEMA 1 - INTRODUÇÃO
TEMA 2 - A FUNÇÃO ADMINISTRATIVA
Exemplo do exercício de funções atípicas:
A importância do Direito Administrativo se faz sentir em nosso dia-a-dia. Se observarmos nosso cotidiano, 
constataremos que boa parte dele é condicionado pelas normas de Direito Administrativo. A prestação de 
serviços públicos (como água, luz, transporte), o uso dos bens públicos (como ruas, praças, telefones 
públicos) e até mesmo a manutenção da convivência harmoniosa entre os cidadãos (exercício da polícia 
administrativa: trânsito, saúde pública, meio ambiente, etc.) são objetos do Direito Administrativo.
Para compreender o Direito Administrativo, é necessário relembrar um pouco nossas aulas de história.
Vamos nos lembrar que no Século XVIII, vários teóricos tentaram repensar o funcionamento do Estado, de 
maneira a limitar o Absolutismo então vigente, favorecendo a liberdade e o bem-estar dos cidadãos. 
Destacou-se nesse meio, o pensamento de Montesquieu, que formulou a doutrina da separação dos Poderes 
do Estado. Essa separação é uma das bases do chamado Estado de Direito e é adotada por todos os países 
democráticos, porém, cada qual a adaptando às suas peculiaridades.
Nossa Constituição Federal adotou tal doutrina ao prever a existência de três Poderes, independentes e 
harmônicos: o Legislativo, o Executivo e o Judiciário.
Para diferenciá-los, costuma-se dizer que o Poder Legislativo tem por tarefa elaborar as leis, isto é, as normas 
gerais e abstratas a serem seguidas por todos; o Poder Judiciário, por sua vez, soluciona os litígios 
decorrentes da aplicação dessas mesmas normas; ao Poder Executivo cabe atender concretamente os 
interesses e necessidades da coletividade, o que faz também com base nas leis elaboradas pelo Legislativo. 
Essas são as chamadas funções típicas de cada um desses Poderes. Mas há situações em que um Poder 
acaba por exercer funções não-típicas. Ou seja, há sempre uma função predominante em cada Poder e, em 
caráter eventual ou acessório, o exercício de outra função.
 
- o Senado, órgão do Legislativo Federal, ao julgar o Presidente da República por crime de responsabilidade, 
está exercendo a função jurisdicional \u2013 que é típica de outro Poder, o Judiciário.
- o Presidente da República, chefe do Poder Executivo Federal, ao editar uma Medida Provisória, está 
exercendo a função legislativa, típica do Poder Legislativo.
- um Tribunal de Justiça, órgão do Poder Judiciário, ao realizar uma licitação para compra de viaturas, está 
exercendo função administrativa, típica do Poder Executivo.
Aula 1
02
Vamos observar o seguinte esquema, que nos fará entender melhor:
 - função legislativa (típica)
Poder Legislativo - função jurisdicional
 - função administrativa
Poder Judiciário - função jurisdicional (típica)
 - função administrativa
Poder Executivo - função administrativa (típica)
 - função legislativa 
É interessante observar que a função administrativa está presente em todos os Poderes.
Isso ocorre porque as atividades administrativas são meios necessários para que tanto o Poder Legislativo 
como o Poder Judiciário possam realizar suas tarefas principais. Nomear servidores, fazer licitações, celebrar 
contratos, adquirir e administrar bens são atividades tipicamente administrativas, necessárias ao 
funcionamento do Estado como um todo, em quaisquer dos seus Poderes.
Acho que já entendemos, mais ou menos, o que é a função administrativa. Porém, conceituá-la é tarefa 
dificílima, havendo autores que preferem dizer: é tudo aquilo que não é função legislativa, nem função 
jurisdicional. 
Vamos fornecer, apenas como suporte para avançarmos em nosso conhecimento, o seguinte conceito:
CONCEITO: A função administrativa consiste no exercício de poderes, pelo Estado e seus agentes, com a 
finalidade de: a) satisfazer concretamente os interesses essenciais da coletividade; e b) promover a 
organização e funcionamento dos órgãos estatais, de molde a possibilitar o exercício de suas atividades. 
Conhecendo o que é a função administrativa e o que ela representa no quadro das atividades estatais, fica 
mais fácil compreender qual o objeto do Direito Administrativo. 
Forneceremos dois conceitos: 
Conceito 1. O Direito Administrativo é o conjunto de normas e princípios que regulam o exercício da função 
administrativa pelos agentes estatais. 
Conceito 2. O Direito Administrativo é conjunto de normas e princípios que disciplina: a) as atividades 
estatais destinadas a satisfazer concretamente os interesses essenciais da coletividade; e b) a organização e 
funcionamento dos órgãos estatais para o desempenho de suas tarefas.
TEMA 3. O DIREITO ADMINISTRATIVO
"Proibida a reprodução total ou parcial, por qualquer meio ou processo, assim como a inclusão em qualquer sistema de processamento de dados. A 
violação do direito autoral é crime punido com prisão e multa (art. 184 do Código Penal), sem prejuízo da busca e apreensão do
material e indenizações patrimoniais e morais cabíveis (arts. 101 a 110 da lei 9.610/98 - Lei dos Direitos Autorais).\u201d
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Para entender um pouco mais esse objeto, talvez seja melhor falarmos um pouco das várias atividades que se 
encontram abrangidas nesse conceito.
Podemos dizer que o Direito Administrativo abre-se como um grande guarda-chuva, sob o qual se abrigam 
diversas atividades, como:
- elaboração de regulamentos e normas administrativas
- prestação de serviços públicos
- fiscalização e limitação da atividade dos particulares
- condução de processos administrativos
- licitação e celebração de contratos administrativos
- estabelecimento de parcerias 
- intervenção na propriedade particular
- admissão e gestão de recursos humanos
- gestão de bens do patrimônio público
- realização de obras públicas
- controle da própria Administração
- responsabilidade por danos cometidos pela Administração
Ao estudar o Direito Administrativo, temos de ter em vista uma idéia: a Administração não é um fim em si 
mesma, ela é um meio de realizar as necessidades da coletividade. Assim, o Poder que ela tem somente se 
justifica se ele for usado para satisfazer o chamado interesse público.
É claro que não foi sempre assim. Na época do Absolutismo o Poder do Rei não necessitava de justificativas. 
O rei fazia o que bem entendia, pois a sua vontade era soberana. Aliás, havia até uma frase, em inglês, que 
justificava esse fato: "The king do no wrong", isto é, o rei não pode errar. A vontade do rei é infalível e não está 
sujeita a qualquer questionamento.
Com o surgimento do Estado de Direito e com a afirmação dos regimes democráticos, o Poder passou a 
necessitar de uma justificação, baseada no bem comum. Os governantes e administradores agora precisam 
justificar suas decisões e atividades, demonstrando que elas são justas e úteis à sociedade. A idéia de Poder 
está agora ligada a idéia de dever, surgindo até a expressão: Poder-dever. A autores, como Celso Antonio 
Bandeira de Mello, que preferem inverter a expressão, falando em dever-poder, enfatizando assim a 
importância maior do dever de atender ao interesse público.
É uma mudança e tanto, ocorrida no espaço de apenas duzentos anos, um tempo muito curto, em termos de 
história humana. 
É nesse contexto que formou-se a idéia de