Justiça Cristã - FILOSOFIA DO DIREITO PROF. SALAMANCA (1)
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Justiça Cristã - FILOSOFIA DO DIREITO PROF. SALAMANCA (1)


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TOMÁS DE AQUINO
INTRODUÇÃO
 
 
Esse trabalhador incansável foi teólogo e não filósofo. Mas entenda-se bem: a teologia não existia antes dele, não
pelo menos tal como a entendemos, segundo os parâmetros estabelecidos poï ele. Na realidade, Tomás de Aquino
está no epicentro do mais importante evento filosófico medieval: a recepção de Aristóteles. Durante séculos, desde
o fim da Antiguidade e do Império Romano no Ocidente, a obra de Aristóteles esteve perdida para a Europa latina,
exceto pêlos primeiros livros do Órganon, o conjunto de tratados de lógica. Em meados do século XII, como
efeito do extraordinário ritmo de desenvolvimento da época, em particular com a expansão da cultura urbana e o
crescimento das escolas, que levaria à posterior fundação das universidades, ocorreu um movimento continuado de
traduções que injetou na vida intelectual de então todo o corpus aristotélico.
L.ENTA ASSIMILAÇÃO
Acontece que a cultura tradicional, já milenar, era calcada numa matriz muito diversa, a do neoplatonismo, que,
em particular, servira como expressão filosófica da religião, em especial, no Ocidente, através da obra de
Agostinho de Hipona. O Aristóteles recebido não só propunha uma outra metafísica, outra ética e outra política, como
apresentava uma física de uma riqueza sem paralelo com o relativo descaso neoplatônico para com tais questões. O
problema é que, a cada passo, parecia entrar em choque frontal com as concepções consagradas do cristianismo. Por
exemplo, na física de Aristóteles o mundo é eterno, portanto não se pode dizer que foi criado; Deus, concebido
como "primeiro motor imóvel", parece ser "naturalizado" e é desligado de qualquer contato com o mundo. A
ética aristotélica parece ser
suficiente para assegurar a felicidade humana sem precisar do concurso da religião, e assim por diante.
Claro que a primeira reação das autoridades religiosas foi simplemente proibir Aristóteles. A reiteração das
proibições
A GRANDE OBRA RECUPERADA 
Além de se dedicar à teologia e à filosofia, Tomás de Aquino se interessou por uma área de
conhecimento muito mais esotérica: a alquimia. É atribuída a ele a autoria de um
importante texto alquímico, o Aurora consurgens. O autor da Suma teológica não foi o
único sábio de sua época a se envolver com esses assuntos. Assim como acontecera com
os textos de Aristóteles, os tratados e as práticas da alquimia regressaram à Europa graças
aos muçulmanos, e desde o século XI se difundiram pêlos territórios cristãos. No tempo de
Tomás de Aquino e nos séculos seguintes, um número expressivo de pensadores se dividiu
entre estudos teológicos, filosóficos e científicos e os esforços para realizar a "Grande
obra", especialmente a transmutação de metais inferiores em ouro, a criação da pedra
filosofal e a obtenção do elixir da longa vida. Entre esses intelectuais polivalentes estavam o
mestre de Tomás de Aquino, Alberto Magno (1193-1280), canonizado pela igreja e chamado
de "Doutor Universal", e o franciscano Roger Bacon (1214-1294), conhecido como "Doctor
Mirabilis" (Doutor Admirável), pioneiro do desenvolvimento do método científico. Outro
adepto era ninguém menos que sirlsaac Newton (1643-1727), formulador da teoria da
gravitação universal e ponta-de-lança
da revolução científica da modernidade.
No entanto, com a difusão da racionalidade iluminista no século XVIII, a alquimia ficou
relegada ao rol das superstições ou, quando muito, do misticismo e das protociências. A
revalorização desse campo de conhecimento, já no século XX, ocorreu em boa medida
graças aos trabalhos de Cari Gustav Jung, que percebeu a enorme riqueza simbólica da
linguagem e da própria atividade dos alquimistas.
O interesse de Jung pela alquimia se manifestou nos anos 20, com base no contato com
o texto alquímico chinês O segredo da flor de ouro, que sugeria práticas para a alma
chegar à plenitude. Jung aplicou essa perspectiva ao exame da alquimia ocidental, vendo
nos trabalhos para a transmutação do ouro uma série de metáforas e símbolos arquetípicos
para a integração psíquica pela união dos opostos. Nas décadas seguintes, diversos
trabalhos de Jung fizeram referência à alquimia. Em 1944, ele lançou o livro Psicologia e
alquimia. Também recorreu ao texto alquímico Aurora dos filósofos, do século XIII, para
ilustrar algumas concepções
publicada em 1946. Além disso, utilizou a expressão "Aurora consurgens", mulo do livro de
Tomás de Aquino, para relacionar os sonhos aos diferentes estados mentais.
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