CCJ0006-WL-PA-14-Direito Civil I-Novo-34078
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e a subjetividade como elementos que gerariam a presunção de que, na lei ou na exposição da 
vontade, as pertenças foram envolvidas no negócio jurídico. 
Portanto, à falta de manifestação expressa, colhida na lei ou no contrato em cujo instrumento se fixou o negócio jurídico, as pertenças, devido ao silêncio, não passam a 
integrar o bem principal, insubordinando-se a seu destino. 
Consideram-se circunstâncias as situações de cuja consumação se pode extrair a premissa que, no caso, torna a pertença irrelevante econômica, financeira ou 
operacionalmente ao valor do bem principal, que, sem elas, não perderá seus valores que justificaram o negócio jurídico.  
O exame das circunstâncias que persegue o caso, as quais justificariam a dedução de que, no negócio jurídico combinado, se envolveram, também, as pertenças, exige a 
presença do silêncio das partes, haja vista que se trata de uma exceção.  
Como ordinariamente não envolve a inclusão das pertenças no negócio jurídico, o silêncio das partes poderá, porém, excepcionalmente, provocar a atração das pertenças ao 
negócio jurídico, justificada se as circunstância do caso recomendar a abrangência.  
Deve-se pautar a análise das circunstâncias com reforço de elementos objetivos que se sobreponham aos subjetivos, os quais se credenciam melhor a avaliar e definir se a 
vontade silenciosa das partes é capaz de desenhar a inserção das pertenças no negócio jurídico. 
B.6. DAS BENFEITORIAS - Considera-se benfeitoria tudo o que se emprega num bem imóvel ou móvel, com a finalidade de salvaguardá-lo ou de embelezá-lo. 
Com a benfeitoria, independentemente da natureza, se lhe acresce uma utilidade, que se apresenta capaz de facilitar o uso do bem, conservar o bem ou gerar uma volúpia 
no seu titular. 
Para o sistema jurídico, a benfeitoria dispensa o elemento ideológico, mas a caracterização ou a determinação de sua natureza se dá justamente com a definição da causa 
finalística, em decorrência da qual se emprega um novo predicativo no bem, de ordem funcional, estética ou conservativa. 
Portanto, com base na causa finalística, caracterizam-se ou definem-se as benfeitorias: 
a) voluptuárias\u37e  
b) úteis\u37e e 
c) necessárias. Sublinhe-se, antes de se enfrentar a natureza em que cada uma das benfeitorias é particularizada, que a lei não considera benfeitoria os melhoramentos ou 
acréscimos sobrevindos ao bem sem a intervenção do proprietário, possuidor ou detentor. 
DAS BENFEITORIAS VOLUPTUÁRIAS - Diz o Código Civil que a benfeitoria voluptuária é aquela que se realiza por mero deleite ou recreio, sem vocação ou predicativo capaz de 
aumentar o uso habitual do bem, ainda que o torne mais agradável, ou seja, de elevado valor.  
Verifica-se, assim, que, com a benfeitoria voluptuária, conserva-se a qualidade utilitária do bem, a que não se agrega elemento que potencialize a natureza de seu uso.  
Há mera vontade ou vaidade do benfeitor, com o objetivo de deleitar-se ou recrear-se, haja vista que o bem principal a que se junta uma benfeitoria a dispensa, pelo aspecto 
utilitário ou funcional, mas fica mais formoso ou recreador.  
O bem se torna mais belo, formoso, prazeroso, atraente, porque aguça a sensibilidade estética e seduz o espírito benfazejo que se deleita ou se recreia na cômoda 
necessidade do prazer. 
A rigor, o bem não necessita ou precisa da benfeitoria, mas o benfeitor a quer. Inexiste relação exata e precisa apta a oferecer proporção entre o bem principal e o bem 
acessório (a benfeitoria).  
Ressalte-se que é da tradição do direito brasileiro que as benfeitorias voluptuárias não são aquinhoadas com indenizações e não comportam, por conseguinte, o exercício 
do direito de retenção.  
B.6.2. DAS B ENFEITORIAS  ÚTEIS - Reputam-se úteis as benfeitorias que aumentam ou facilitam o uso do bem principal , em que elas são realizadas, com o intuito de 
enriquecer ou simplificar os meios para usá-lo. 
Na benfeitoria útil, ocorre aumento - físico ou funcional - do bem principal, por força da qual se torna maior, melhor ou mais funcional.  
Malgrado a natureza, a benfeitoria útil , além de necessariamente produzir um aumento físico ou funcional, pode gerar, secundariamente, uma vantagem estética, sem lhe 
modificar a natureza jurídica e sem se confundir em benfeitoria voluptuária.  
Constata-se o aumento do bem de que fala a regra pela simples metrificação, aferindo-se, pois, que ele sofreu acréscimo físico, independentemente do tamanho, posto que 
basta a utilidade. 
Mais importa a utilidade do que a dimensão da benfeitoria. Verifica-se o aumento funcional do bem pela ordinária experiência que demonstra, por percepção ou utilização, 
que se lhe facilitou e melhorou o uso. 
B.6.3. DAS BENFEITORIAS NECESSÁRIAS - Chama-se benfeitoria necessária aquela cuja realização busca conservar ou evitar que o bem principal se deteriore, com risco de 
destruição, parcial ou total.  
Caracteriza-se a benfeitoria necessária pela exigência reparadora que o bem revela, oculta ou ostensivamente, à falta da qual ele resultará em ruína, tornando-se imprestável 
ou insatisfatório para cumprir a finalidade a que se destina.  
A intensidade ou a extensão da intervenção sobre o bem é irrelevante para determinar a natureza da benfeitoria necessária, eis que basta que se reforce a confirmação de 
que era se apresentava indispensável para promover a conservação ou para evitar a deterioração da coisa. 
Na benfeitoria necessária, avulta a certeza da indispensabilidade ou da impostergabilidade de sua realização, haja vista que o bem a reclama, pelo fato formal ou funcional.  
 2 - BENS CONSIDERADOS EM RELAÇÃO AO SUJEITO 
BENS PÚBLICOS E BENS PARTICULARES 
O Código Civil fracionou os bens na dicotomia de:  
a) bens públicos\u37e e  
b) bens particulares. Consideraram-se públicos os bens do domínio nacional pertencentes às pessoas jurídicas de direito público interno\u37e particulares, todos os outros. 
Se pertencer à pessoa jurídica de direito público interno - a União, os Estados, o Distrito Federal, os Municípios, os Territórios , as autarquias e as demais entidades de 
caráter público criadas por lei - reputa-se o bem público\u37e fora daí, diz-se que o bem é particular, seja qual for a pessoa a que pertencerem. 
Define-se, pois, a natureza jurídica do bem pela qualidade da personalização do seu titular, opção legislativa que induz à constatação de que os bens das pessoas jurídicas 
de direito público externo, localizados no território geográfico do Brasil, são considerados bens particulares , haja vista que pertencem a pessoa jurídica que, por óbvio, não 
se enquadra na categoria de direito público interno. 
Portanto, não há bens públicos fora do domínio das pessoas jurídicas de direito público interno. 
A) BENS PÚBLICOS -   
Pelo critério da titularidade, os bens públicos classificam-se em bens pertencentes à União , aos Estados , ao Distrito Federal e aos Municípios. (art. 98, 1ª parte, e art. 99, 
ambos do CC.) 
Daí a denominação de bens públicos federais, estaduais, distritais federais e municipais.  
Pelo critério da utilização, sublinhe-se que os bens públicos estão divididos em:  
a) bens de uso comum do povo; 
b) bens de uso especial; e 
c) bens dominicais. 
  
Os BENS DE USO COMUM DO POVO são aqueles cujo uso, por característica natural ou jurídica, franqueia-se ao público, sem qualquer discriminação, entre os quais se 
incluem: os rios, mares, estradas, ruas e praças.  
Os BENS DE USO ESPECIAL  são aqueles cujo uso ocorre com certas e determinadas restrições legais e regulamentares, haja vista que se destinam a satisfazer uma utilidade 
ou necessidade pública especial, nos quais se destacam: edifícios ou terrenos destinados a serviço (teatros, universidades, museus ou estabelecimento da administração 
pública, inclusive de autarquia, navios e aeronaves de guerra, veículos oficiais. 
Os BENS DOMINICAIS  são aqueles que constituem o patrimônio das pessoas jurídicas de direito público, como objeto de direito pessoal, ou real, de