CCJ0006-WL-PA-15-Direito Civil I-Antigo-15848
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estritamente necessa\u301rio para a retomada da posse 
perdida. Mais uma vez, como na hipo\u301tese anterior, a inobserva\u302ncia dos requisitos legais acarretara\u301 a responsabilidade do possuidor esbulhado pelos danos causados.  
  
A toda evide\u302ncia, muito embora sejam institutos similares, a leg\u131\u301tima defesa da posse e o desforço imediato, como se denota da exposiça\u303o alhures realizada, sa\u303o espe\u301cies de defesa 
direta distintas. A primeira somente encontra espaço enquanto perdurar a turbaça\u303o, vale dizer, durante todo o momento em que o possuidor efetivamente se encontrar na posse da 
coisa. Ja\u301 no que concerne ao segundo sua aplicabilidade esta\u301 restrita aos casos em que o possuidor ja\u301 tendo pedido a posse da coisa, consegue reagir, em seguida, e providenciar a sua 
retomada. 
  
B) EXERCI\u1b5CIO REGULAR DE DIREITO RECONHECIDO 
  
O regular exerc\u131\u301cio de um direito reconhecido e\u301 excludente de ilicitude, tornando inexistente o nexo causal. Age no exerc\u131\u301cio regular de direito a instituiça\u303o banca\u301ria que cobra tarifas 
para manutença\u303o de conta. 
  
C - ESTADO DE NECESSIDADE 
  
Embora, esteja com previsa\u303o expressa no dispositivo do artigo 188, inciso II, e para\u301grafo u\u301nico, do Co\u301digo Civil, onde: 
Na\u303o constituem atos il\u131\u301citos:  
[...] 
II - a deterioraça\u303o ou destruiça\u303o da coisa alheia, ou a lesa\u303o a pessoa, a \u3d0im de remover perigo iminente.  
Para\u301grafo u\u301nico. No caso do inciso II, o ato sera\u301 leg\u131\u301timo somente quando as circunsta\u302ncias o tornarem absolutamente necessa\u301rio, na\u303o excedendo os limites do 
indispensa\u301vel para a remoça\u303o do perigo. (grifos nossos) 
E ainda, assinale justi\u3d0icativa indefensa\u301vel na ressalva prevista no artigo 1.691 do mesmo diploma legal, em que: - \u201csalvo por necessidade ou evidente interesse da prole, 
mediante pre\u301via autorizaça\u303o do juiz\u201d. 
  
Ainda assim, o Estado de Necessidade no Direito brasileiro, e\u301 comumente relacionado ta\u303o-somente ao Direito Penal, e, por vezes, chega a ser ignorada sua invocaça\u303o em a\u302mbito Civil. 
Decerto, o conceito jur\u131\u301dico de Estado de Necessidade nos e\u301 dado pelos doutrinadores penalistas, o que na\u303o signi\u3d0ica dizer que sua efetividade e e\u3d0ica\u301cia civil sejam de somenos 
importa\u302ncia. Todavia, na\u303o devemos nos olvidar que \u201cEstado de Necessidade \u201d retrata \u201csituaça\u303o\u201d ou \u201ccondiça\u303o\u201d em que se encontra um indiv\u131\u301duo que sob in\u3d0lue\u302ncia de est\u131\u301mulos e 
motivaça\u303o, procede a uma avaliaça\u303o estritamente psicolo\u301gica relativa a care\u302ncia experiencial que circunstancialmente enfrenta, procurando evidentemente supri -la. 
A necessidade revela o que e\u301 imprescind\u131\u301vel em qualquer sentido; a necessidade prevista no artigo 188 do Novo Co\u301digo Civil pode traduzir-se em tre\u302s aspectos gradativos: Caso de 
Necessidade; Caso de Extrema Necessidade e Caso de Necessidade Comum. Tendo cada um destes aspectos porça\u303o valorativa diferenciada, talvez, a mensuraça\u303o esteja atrelada a\u300 
proporça\u303o da coaça\u303o exercida pelo perigo iminente vivenciado e experimentado por quem pratica o ato necessa\u301rio. Lembrando que,  \u201cperigo \u201d e\u301 o elemento chave de uma circunsta\u302ncia 
que prenuncia um mal para algue\u301m ou para alguma coisa, ainda que putativo. E, de tal modo, temos que: a necessidade, pura e simplesmente, respeitadas as devidas proporço\u303es, e\u301 por 
si so\u301 su\u3d0iciente autorizante para permitir inobserva\u302ncia de preceitos positivos da lei natural, penal ou civil. 
  
CASO FORTUITO E FORÇA MAIOR E CULPA EXCLUSIVA DA VI\u1b5TIMA: 
  
Existem algumas excludentes de ilicitude, tais como o caso fortuito, força maior e a culpa exclusiva da v\u131\u301tima. O caso fortuito e a força maior incidem sobre o nexo de causalidade 
entre o dano e a conduta do agente, vez que se trata de fato inevita\u301vel ou imprevis\u131\u301vel, o que corrobora a ause\u302ncia de obrigaça\u303o do agente em responder civilmente pelos danos 
causados a terceiros, ja\u301 que na\u303o deu causa ao resultado. O fundamento da excludente de ilicitude constitu\u131\u301da da culpa exclusiva d v\u131\u301tima e\u301 simples, posto que ningue\u301m pode 
responder por atos a que na\u303o tenha dado causa.  
  
De outro lado, parte da doutrina pa\u301tria entende que o agente na\u303o sera\u301 obrigado a reparar o dano se comprovar haver adotado todas as medidas legais e ido\u302neas para evita\u301 -lo. 
Neste sentido e\u301 o entendimento do ilustre jurista SILVIO RODRIGUES , que assevera que \u201c o texto legal e\u301 justi\u3d0icadamente t\u131\u301mido, pois a responsabilidade so\u301 emergira\u301 se o risco criado 
for grande e na\u303o houver o agente causador do dano tornado as medidas tecnicamente adequadas para preveni-lo\u201d. RONALDO BRETAS DE CARVALHO DIAS   afirma que 
\u201cuma vez de\u3d0inida perigosa, em concreto, a atividade, responde aquele que a exerce, pelo risco, \u3d0icando a v\u131\u301tima obrigada apenas a\u300 prova do nexo causal, exonerando- se o autor do 
dano se comprovar que adotou todas as medidas ido\u302neas ou preventivas e tecnicamente adequadas para evita -lo, ou que o resultado decorreu de caso fortuito.\u201d 
  
RESPONSABILIDADE CIVIL \u2013 NOÇO\u1c2ES  
  
A regra geral do Co\u301digo Civil em vigor e\u301 a da responsabilidade civil subjetiva, nos termos dos artigos 186 e 927, caput, fundada na teoria da culpa, com corresponde\u302ncia no artigo 159 
do Co\u301digo Civil de 1916.  
  
Ocorre, que o Co\u301digo Civil de 2002 inovou ao estabelecer uma verdadeira cla\u301usula geral ou aberta de responsabilidade objetiva, re\u3d0lexo dos princ\u131\u301pios basilares da eticidade e 
socialidade. 
Neste aspecto ha\u301 importante inovaça\u303o no CCB, presente no para\u301grafo u\u301nico do artigo 927, que determina a aplicaça\u303o da responsabilidade objetiva nos casos descritos em lei, bem 
como \u201cquando a atividade normalmente desenvolvida pelo autor do dano implicar, por sua natureza, risco para os direitos de outrem.\u201d 
Com base no referido dispositivo o magistrado podera\u301 de\u3d0inir como objetiva, ou seja, independente de culpa, a responsabilidade do causador do dano no caso concreto. Esse 
alargamento da noça\u303o de responsabilidade constitui, na verdade, a maior inovaça\u303o do novo co\u301digo em mate\u301ria de responsabilidade e requerera\u301, sem du\u301vida, um cuidado extremo da 
nova jurisprude\u302ncia. Nesse preceito ha\u301, inclusive, implicaço\u303es de cara\u301ter processual que devem ser dirimidas, mormente se a responsabilidade objetiva e\u301 de\u3d0inida somente no 
processo ja\u301 em curso.  
Em s\u131\u301ntese, cuida -se de responsabilidade sem culpa, em inu\u301meras situaço\u303es nas quais sua comprovaça\u303o inviabiliza a indenizaça\u303o para a parte presumivelmente mais vulnera\u301vel.  
De outro lado, a responsabilidade civil objetiva no Co\u301digo Civil vigente implica na ampliaça\u303o dos casos de dano indeniza\u301vel, o que causa preocupaça\u303o, haja vista que determinadas 
atividades ou situaço\u303es estariam vistas sob a o\u301tica da teoria do risco criado, o que acarreta o problema do aumento considera\u301vel do nu\u301mero de aço\u303es indenizato\u301rias ajuizadas.  
Ha\u301 que se lembrar que a vida moderna oferece riscos, da\u131\u301, porque a regra da responsabilidade civil objetiva deve ser vista com mais reservas. Deste modo, somente se aquele que 
desempenha a atividade de risco na\u303o agir com as cautelas normais de segurança e\u301 que se poderia concluir pela aplicaça\u303o da responsabilidade civil objetiva.  
Assim, cabera\u301 ao julgador analisar todas as condiço\u303es e circunstancias que envolvem o caso submetido a julgamento, de modo a veri\u3d0icar se o agente causador avaliou o risco e 
tomou as medidas a fim de evitar o   dano. 
Ademais, e\u301 patente que a responsabilidade civil e\u301 mate\u301ria viva e dina\u302mica na jurisprude\u302ncia, sendo certo que a cada momento esta\u303o sendo criadas novas teses jur\u131\u301dicas em 
decorre\u302ncia das necessidades sociais. 
Portanto, tanto em relaça\u303o a\u300 de\u3d0iniça\u303o da responsabilidade objetiva no caso concreto, quanto a\u300 delimitaça\u303o e a forma de aplicaça\u303o da teoria do risco criado, sera\u303o constru\u131\u301dos 
entendimento doutrina\u301rio e jurisprudencial, em que sera\u303o dirimidas eventuais controve\u301rsias decorrentes da interpretaça\u303o do texto legal.  
  
  
 
[1] In Abuso do Direito e Má-fé Processual, Editora Saraiva, 2ªedição, 2003, p. 56 e 57. 
[2] MOREIRA, José Carlos Barbosa. Novo Código Civil \u2013 Doutrinas (VII): Abuso