Justiça Cristã - FILOSOFIA DO DIREITO PROF. SALAMANCA (6)
2 pág.

Justiça Cristã - FILOSOFIA DO DIREITO PROF. SALAMANCA (6)


DisciplinaFilosofia Geral e Jurídica1.023 materiais9.382 seguidores
Pré-visualização1 página
Tomás de Aquino 
TARSILA DO AMARAL, Operários, 1933. Segundo o tomismo, o que distingue os Indivíduos da mlÉia espécie não é
a foram e sim a matéria
Segundo Tomás de Aquino, como a forma está para
a matéria assim como a alma está para o corpo , não
há alma sem corpo .
Tomás de Aquino, como se vê, concebe a "alma" de maneira estritamente aristotélica. Exceto por alguns
deslizamentos e torções conceituais, por mudanças de ênfase que, como sempre em filosofia, fazem toda a
diferença. O que ele acentua, de forma perfeitamente compatível com o pensamento de Aristóteles, é a unidade
da forma substancial. Ou seja, a forma faz com que a matéria venha a ser alguma coisa, determina a matéria
(que é apenas uma potencialidade, uma possibilidade) como algo especifico. Por exemplo, que esta coisa seja
um cavalo e não um homem. Ao mesmo tempo, a forma só é forma, só é algo em ato (e não em potência),
justamente quando enforma a matéria. Ou seja, as formas dos compostos de matéria e forma (todas as coisas que
conhecemos sensivelmente) só são reais na medida em que dão forma à matéria. Não existem formas de coisas
compostas separadas do composto. Ora, como a forma está para a matéria assim como a alma está para o corpo, isso
equivale a dizer que não há alma sem corpo, ou melhor, não há alma antes do corpo.
O HOMEM, UM COMPOSTO 
A alma de um determinado indivíduo humano não existia antes de ele nascer e nem é, como entende a tradição neopla-
tônica, uma alma num corpo. Pior: presa a um corpo. Um homem é um corpo e alma. Precisamente, sua essência não é
nem a alma, nem o corpo: é o composto de corpo e alma.
No entanto, pode parecer que a essência seria a forma, a alma, até porque aquilo que se pode conhecer
realmente é a forma e não a matéria. A matéria não pode ser conhecida. Conhecer é conhecer o que é, mas a
matéria, tal como a entende Tomás de Aquino, em sentido aristotélico, é, como dissemos, potência para ser, não é
ser. Não se pode conhecer a matéria porque ela é apenas uma possibilidade de vir-a-ser, sem forma não é nada
determinado, não é nem um cavalo, nem um homem, nem nada. Portanto, na medida em que se pode conhecer a
essência, o que se conhece é a forma, não a matéria. Quando pergunto "o que é isto?" não aceito como resposta "uma
coi-