CCJ0006-WL-PA-15-Direito Civil I-Novo-34079
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jurídicas, como a perda da propriedade, por sua destruição, por exemplo. Assim também ocorre com os fatos relacionados com o homem, mas 
independentes de sua vontade, como o nascimento, a morte, o decurso do tempo, os acidentes ocorridos em razão do trabalho. De todos esses fatos decorrem importan\u1a1ssimas 
conseqüências jurídicas. O nascimento com vida, por exemplo, \ufb01xa o início da personalidade entre nós. Por aí se pode antecipar a importância da correta classi\ufb01cação dos fatos 
jurídicos. 
A matéria era lacunosa mormente em nossa lei civil de 1916. Em razão disso, cada autor procura sua própria classi\ufb01cação, não havendo, em conseqüência, unidade de 
denominação. A classi\ufb01cação aqui exposta é simples e acessível para aquele que se inicia nas letras jurídicas. 
Partamos do seguinte esquema: Assim, são considerados fatos jurídicos todos os acontecimentos que podem ocasionar efeitos jurídicos, todos os atos susce\u1a1veis de produzir 
aquisição, modi\ufb01cação ou ex\u19fnção de direitos. 
São fatos naturais, considerados fatos jurídicos em sen\u19fdo estrito, os eventos que independentes da vontade do homem, podem acarretar efeitos jurídicos. Tal é o caso do 
nascimento mencionado, ou terremoto, que pode ocasionar a perda da propriedade. 
Numa classi\ufb01cação mais estreita, são atos jurídicos (que podem também ser denominados atos humanos ou atos jurígenos) aqueles eventos emanados de uma vontade, quer tenham 
intenção precípua de ocasionar efeitos jurídicos, quer não. 
Os atos jurídicos dividem -se em atos lícitos e ilícitos. Afasta -se, de plano, a crí\u19fca de que o ato ilícito não seja jurídico. Nessa classi\ufb01cação, como levamos em conta os efeitos dos 
atos para melhor entendimento, consideramos os atos ilícitos como parte da categoria de atos jurídicos, não considerando o sen\u19fdo intrínseco da palavra, pois o ilícito não pode 
ser jurídico. Daí por que se quali\ufb01cam melhor como atos humanos ou jurígenos, embora não seja essa a denominação usual dos doutrinadores. 
Atos jurídicos meramente lícitos são os pra\u19fcados pelo homem sem intenção direta de ocasionar efeitos jurídicos, tais como invenção de um tesouro, plantação em terreno alheio, 
construção, pintura sobre uma tela. Todos esses atos podem ocasionar efeitos jurídicos, mas não têm, em si, tal intenção. São eles contemplados pelo art. 185 do atual Código. Esses 
atos não contêm um intuito negocial, dentro da terminologia que veremos adiante.  
O presente Código Civil procurou ser mais técnico e trouxe a redação do art. 185: "Aos atos jurídicos lícitos, que não sejam negócios jurídicos, aplicam-se, no que couber, as 
disposições do Título anterior." Desse modo, o atual estatuto consolidou a compreensão doutrinária e manda que se aplique ao ato jurídico meramente lícito, no que for aplicável, a 
disciplina dos negócios jurídicos. 
Alguns autores, a propósito, preocupam -se com o que denominam ato -fato jurídico. O ato -fato jurídico, nessa classi\ufb01cação, é um fato jurídico quali\ufb01cado pela atuação humana. 
Nesse caso, é irrelevante para o direito se a pessoa teve ou não a intenção de pra\u19fcá-lo. O que se leva em conta é o efeito resultante do ato que pode ter repercussão jurídica, 
inclusive ocasionando prejuízos a terceiros. Como dissemos, toda a seara da teoria dos atos e negócios jurídicos é doutrinária, com muitas opiniões a respeito. Nesse sen\u19fdo, 
costuma -se chamar à exempli\ufb01cação os atos pra\u19fcados por uma criança, na compra e venda de pequenos efeitos.  
Não se nega, porém, que há um sen\u19fdo de negócio jurídico do infante que compra confeitos em um botequim. Ademais, em que pese à excelência dos doutrinadores que sufragam 
essa doutrina,  "em alguns momentos, torna-se bastante di\u130cil diferenciar o ato-fato jurídico do ato jurídico em sen\u19fdo estrito categoria abaixo analisada. Isso porque, nesta 
úl\u19fma, a despeito de atuar a vontade humana, os efeitos produzidos pelo ato encontram-se previamente determinados pela lei, não havendo espaço para a autonomia da 
vontade" (Stolze Gagliano e Pamplona Filho, 2002:306). 
Por essa razão, não deve o iniciante das letras jurídicas preocupar -se com essa categoria, pois a matéria presta -se a vôos mais profundos na teoria geral do direito. 
Quando existe por parte do homem a intenção especí\ufb01ca de gerar efeitos jurídicos ao adquirir, resguardar, transferir, modi\ufb01car ou ex\u19fnguir direitos, estamos diante do negócio 
jurídico. Tais atos nosso Código Civil de 1916 denominava atos jurídicos, de acordo com o art. 81 (ver art. 185 da nova Lei Substan\u19fva Civil); a moderna doutrina prefere denominá-
los negócios jurídicos, por ver neles o chamado intuito negocial. Assim, serão negócios jurídicos tanto o testamento, que é unilateral, como o contrato, que é bilateral, negócios 
jurídicos por excelência.  
Quem faz um testamento, quem contrata está precipuamente procurando a\u19fngir determinados efeitos jurídicos. Desses atos brotam naturalmente efeitos jurídicos, porque essa é a 
intenção dos declarantes da vontade. Já nos atos meramente lícitos não encontramos o chamado intuito negocial. Neste úl\u19fmo caso, o efeito jurídico poderá surgir como 
circunstância acidental do ato, circunstância esta que não foi, na maioria das vezes, sequer imaginada por seu autor em seu nascedouro. 
Nosso legislador de 1916 não atentou para essas diferenças, limitando -se a de\ufb01nir o que entende por ato jurídico, sem mencionar a expressão negócio jurídico. 
Os atos ilícitos, que promanam direta ou indiretamente da vontade, são os que ocasionam efeitos jurídicos, mas contrários, lato sensu, ao ordenamento. No campo civil, importa 
conhecer os atos contrários ao Direito, à medida que ocasionam dano a outrem. Só nesse sen\u19fdo o ato ilícito interessa ao direito privado. Não tem o Direito Civil a função de punir o 
culpado. Essa é a atribuição do Direito Penal e do Direito Processual Penal. Só há interesse em conhecer um ato ilícito, para tal conceituado como ilícito civil, quando há dano 
ocasionado a alguém e este é indenizável. Dano e indenização são, portanto, um binômio inseparável no campo do direito privado. Por essa razão, o campo da ilicitude civil é mais 
amplo do que o da ilicitude penal. Só há crime quando a lei de\ufb01ne a conduta humana como tal. Há ato ilícito civil em todos os casos em que, com ou sem intenção, alguém cause 
dano a outrem. 
Há situações em que existe a intenção de pra\u19fcar o dano. Tem-se aí o chamado dolo. Quando o agente pra\u19fca o dano com culpa, isto é, quando seu ato é decorrente de imprudência, 
negligência ou imperícia, e decorre daí um dano, também estaremos no campo do ilícito civil. O ato ilícito, nessas duas modalidades, vinha descrito no art. 159 do Código Civil de 
1916: "Aquele que, por ação ou omissão voluntária, negligência, ou imprudência, violar direto, ou causar prejuízo a outrem, \ufb01ca obrigado a reparar o dano". O presente Código, no 
art. 186, mantém a mesma idéia: "Aquele que, por ação ou omissão voluntária, negligência ou imprudência, violar direito e causar dano a outrem, ainda que exclusivamente moral, 
comete ato ilícito."  
O vigente diploma, ainda consagra a possibilidade de indenização do dano exclusivamente moral, como autorizou a Cons\u19ftuição de 1988, subs\u19ftui a par\u1a1cula alterna\u19fva "ou" 
presente no Código an\u19fgo, pela adi\u19fva "e". Desse modo, na letra da nova lei, não basta violar direito, como estampava o an\u19fgo estatuto, é necessário que ocorra o dano a outrem. A 
matéria dará, sem dúvida, azo a crí\u19fcas e a várias interpretações, como estudaremos no volume dedicado exclusivamente à responsabilidade civil.  
Trata-se, em ambas as situações, de qualquer modo, da responsabilidade civil. Na culpa ou no dolo, a vontade está presente, ainda que de forma indireta, como no caso de culpa. 
Há situações em que, mesmo na ausência de vontade, mas perante o dano, ocorre o dever de indenizar. São os casos da chamada responsabilidade obje\u19fva, criados por necessidade 
social, como nos acidentes de trabalho. 
Ato-fato jurídico 
O Ato-Fato Jurídico é um fato jurídico quali\ufb01cado pela atuação humana. É um