Sociologia J. - Anotação (31)
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Sociologia J. - Anotação (31)


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PREPARATÓRIO PARA OAB
Professor: Dr. Marcel Leonardi
DISCIPLINA: DIREITO CIVIL
Capítulo 2 Aula 1 
DAS PESSOAS FÍSICAS
Coordenação: Dr. Flávio Tartuce
01
Das Pessoas Físicas
"Proibida a reprodução total ou parcial, por qualquer meio ou processo, assim como a inclusão em qualquer sistema de processamento de dados. A 
violação do direito autoral é crime punido com prisão e multa (art. 184 do Código Penal), sem prejuízo da busca e apreensão do
material e indenizações patrimoniais e morais cabíveis (arts. 101 a 110 da lei 9.610/98 - Lei dos Direitos Autorais).\u201d
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Art. 1º. -Toda pessoa é capaz de direitos e deveres na ordem civil. O que esse artigo diz é que toda pessoa 
física, ou pessoa natural, tem personalidade, que é a aptidão genérica para adquirir direitos e contrair 
obrigações. Considerando que a pessoa natural é o sujeito das relações jurídicas e a personalidade é a 
possibilidade de ser sujeito, ou seja, uma aptidão a ele reconhecida, toda pessoa é dotada de 
personalidade. 
O artigo 2º do Código Civil estabelece que: Art. 2º.-A personalidade civil da pessoa começa do nascimento 
com vida; mas a lei põe a salvo, desde a concepção, os direitos do nascituro. Exige-se apenas o nascimento 
com vida para o início da personalidade civil da pessoa. Ou seja, ainda que o recém-nascido venha a falecer 
instantes depois, o fato de ter nascido com vida lhe assegura sua personalidade civil. Apesar disso, o Código 
Civil prevê que o nascituro, ou seja, aquele que ainda vai nascer, já tem seus direitos preservados, tais como 
o direito à vida, à filiação, à integridade física; a alimentos, a uma adequada assistência pré-natal, a ser 
reconhecido como filho, e assim por diante.
O artigo 3º do Código Civil regula a situação dos absolutamente incapazes. Ele tem a seguinte redação: Art. 
3º.- São absolutamente incapazes de exercer pessoalmente os atos da vida civil: os menores de dezesseis 
anos; os que, por enfermidade ou deficiência mental, não tiverem o necessário discernimento para a prática 
desses atos; os que, mesmo por causa transitória, não puderem exprimir sua vontade. A incapacidade é uma 
restrição legal ao exercício dos atos da vida civil. A capacidade é a regra e a incapacidade à exceção. A 
incapacidade absoluta consiste na proibição total do exercício de direitos pelo incapaz. Qualquer ato 
praticado por ele será considerado nulo. Isso quer dizer que os absolutamente incapazes têm direitos, 
porém, não podem exercer esses direitos diretamente, devendo ser representados.
Já o artigo 4º do Código Civil regula a situação dos relativamente incapazes. Ele diz o seguinte: Art. 4º-São 
incapazes, relativamente a certos atos, ou à maneira de os exercer: os maiores de dezesseis e menores de 
dezoito anos; os ébrios habituais, os viciados em tóxicos, e os que, por deficiência mental, tenham o 
discernimento reduzido; os excepcionais, sem desenvolvimento mental completo; os pródigos. Parágrafo 
Único. A capacidade dos índios será regulada por legislação especial. Assim, o artigo 4º estabelece uma 
incapacidade relativa. As pessoas mencionadas no artigo podem praticar, por si próprias, os atos da vida 
civil, desde que sejam assistidas por um representante, conforme o caso. Se o ato é praticado sem essa 
assistência, ele pode ser anulado pelo lesado, mas ele gera efeitos normalmente se essa providência não for 
tomada. Além disso, o representante pode confirmar os atos praticados pelo relativamente incapaz.
O artigo 5º do Código Civil estabelece que a menoridade cessa aos dezoito anos completos, quando a 
pessoa fica habilitada à prática de todos os atos da vida civil. A lei estabelece que a pessoa, ao completar 
dezoito anos, é absolutamente capaz para todos os atos da vida civil. Existe aqui uma presunção de que, 
pelas condições do mundo moderno, uma pessoa com dezoito anos já tem experiência e discernimento 
suficiente para praticar os atos da vida civil.
Aula 1
02
O artigo 6º do Código Civil trata do término da pessoa natural perante o direito. Ele diz o seguinte: Art. 6º.- A 
existência de pessoa natural termina com a morte, presume-se esta, quanto aos ausentes, nos casos em que 
a lei autoriza a abertura de sucessão definitiva. O artigo prevê, portanto, duas situações: a morte real e a 
morte presumida. A morte real encerra a personalidade jurídica da pessoa natural. No momento do 
falecimento, ela deixa de ser sujeito de direitos e obrigações. A morte ocasiona a dissolução do vínculo 
conjugal e do regime matrimonial, a extinção do poder familiar, o fim dos contratos personalíssimos, tais 
como o mandato, a extinção do usufruto, entre outros exemplos. A morte presumida pela lei ocorre após a 
decretação judicial da ausência de uma pessoa. 
O artigo 7º diz que pode ser declarada a morte presumida, sem decretação de ausência: I) se for 
extremamente provável a morte de quem estava em perigo de vida; II) se alguém, desaparecido em 
campanha ou feito prisioneiro, não for encontrado até dois anos após o término da guerra. Parágrafo Único. 
A declaração da morte presumida, nesses casos, somente poderá ser requerida depois de esgotadas as 
buscas e averiguações, devendo a sentença fixar a data provável do falecimento. Isso significa que é 
admitida a declaração judicial de morte presumida, sem a decretação anterior de ausência, em casos 
excepcionais, e somente depois que forem esgotadas todas as buscas e averiguações possíveis. 
A lei também trata de uma situação especial, que é o falecimento de mais de uma pessoa ao mesmo tempo, 
na mesma ocasião. É a chamada comoriência, que está prevista no artigo 8o do Código Civil. Ele diz o 
seguinte: Art. 8º Se dois ou mais indivíduos falecerem na mesma ocasião, não se podendo averiguar se 
algum dos comorientes precedeu aos outros, presumir-se-ão simultaneamente mortos. Assim, a comoriência 
é a morte de duas ou mais pessoas na mesma ocasião e em razão do mesmo acontecimento. Sendo 
impossível saber quem faleceu antes ou depois, presume-se que todos faleceram simultaneamente.
O artigo 9º do Código Civil prevê que devem ser registrados no registro público 1) os nascimentos, 
casamentos e óbitos; 2) a emancipação por outorga dos pais ou por sentença do juiz; 3) a interdição por 
incapacidade absoluta ou relativa, e 4) a sentença declaratória de ausência e de morte presumida. O 
registro desses acontecimentos é obrigatório para preservar direitos de terceiros. 
A lei também prevê a averbação de outros fatos importantes. Vamos ver o que diz o artigo 10 do Código 
Civil: Far-se-á averbação em registro público: 1) das sentenças que decretarem a nulidade ou anulação do 
casamento, o divórcio, a separação judicial e o restabelecimento da sociedade conjugal; 2) dos atos 
judiciais ou extrajudiciais que declararem ou reconhecerem a filiação, e 3) dos atos judiciais ou extrajudiciais 
de adoção. A averbação é um ato específico que é feito normalmente no próprio registro de um fato 
relacionado. Assim, a averbação esclarece a respeito de modificações no estado de uma pessoa. 
Os direitos da personalidade sempre existiram no sistema jurídico brasileiro. O Código Civil de 2002 
menciona alguns princípios gerais a respeito desses direitos, sem, no entanto, enunciar quais são esses 
direitos, que são reconhecidos por todos os sistemas jurídicos modernos. A regra geral que o artigo 11 do 
Código Civil estabelece é a de que, com exceção dos casos previstos em lei, os direitos da personalidade são 
intransmissíveis e irrenunciáveis, não podendo o seu exercício sofrer limitação voluntária. 
"Proibida a reprodução total ou parcial, por qualquer meio ou processo, assim como a inclusão em qualquer sistema de processamento de dados. A 
violação do direito autoral é crime punido com prisão e multa (art. 184