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DisciplinaGeografia Econômica1.242 materiais18.366 seguidores
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mesmo Manchester perdeu a fé nesse seu antigo evangelho econômico.63
A indústria estrangeira, que se desenvolve rapidamente, desafia a pro-
dução inglesa por toda parte, não só em mercados defendidos por tarifas
aduaneiras, mas também em mercados neutros, até mesmo deste lado
do canal. Enquanto a força produtiva cresce em progressão geométrica,
a expansão dos mercados cresce, na melhor das hipóteses, em progres-
são aritmética. O ciclo decenal de estagnação, prosperidade, superpro-
dução e crise, que se repetiu sempre de 1825 a 1867, parece ter-se
esgotado; mas só para deixar-nos aterrissar no lodaçal desesperador
de uma depressão crônica e duradoura. O almejado período de pros-
peridade reluta em voltar; toda vez que acreditamos divisar os sintomas
que a anunciam, eles desaparecem novamente no ar. Entrementes,
cada novo inverno recoloca a questão: \u201cO que fazer com os desempre-
gados?\u201d Mas enquanto se avoluma, a cada ano, o número de desem-
pregados, não há ninguém para responder a essa pergunta; e quase
podemos calcular o momento em que os desempregados vão perder a
paciência e tomar o seu destino em suas próprias mãos. Em tal mo-
mento, deveria certamente ser ouvida a voz de um homem cuja teoria
é, toda ela, o resultado de uma vida inteira de estudos da história e
da situação econômica da Inglaterra, levando-o à conclusão de que, ao
menos na Europa, a Inglaterra é o único país onde a inevitável revolução
social poderia realizar-se inteiramente por meios pacíficos e legais.
Certamente ele nunca se esqueceu de acrescentar que não esperava
que as classes dominantes da Inglaterra se submetessem a essa revo-
lução pacífica e legal sem tentar uma proslavery rebellion.64
5 de novembro de 1886
Friedrich Engels
OS ECONOMISTAS
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63 Na reunião trimestral da Câmara de Comércio de Manchester, efetuada hoje à tarde,
ocorreu um animado debate sobre a questão do livre-cambismo. Foi apresentada uma re-
solução declarando que \u201cpor quarenta anos se tinha esperado em vão que outras nações
seguissem o exemplo inglês do livre-cambismo e que a Câmara considera ter chegado a
hora de mudar esse ponto de vista\u201d. A resolução foi rejeitada por uma maioria de apenas
um voto, havendo 21 a favor e 22 contra. (Evening Standard, 1º de novembro de 1886.)
64 Rebelião em prol da escravatura. Levante que os donos de escravos do sul dos Estados
Unidos desencadearam e que levou à Guerra Civil de 1861/65. (N. da Ed. Alemã.)