Justiça Cristã - FILOSOFIA DO DIREITO PROF. SALAMANCA (9)
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Justiça Cristã - FILOSOFIA DO DIREITO PROF. SALAMANCA (9)


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O pensamento não
é a operação de um
órgão do corpo, e sim
da alma: por algumas
de suas faculdades, ela
move o corpo e o faz
crescei; por outras,
ela pensa
de Tomás) afirmam que o intelecto é uma substância separada do corpo "segundo o ser" e não separado apenas
pela análise racional. Porque "ser separado" só pode querer dizer "ser outra substância", assim, não é. de modo
algum, unida ao corpo como forma. E. se não é unida ao corpo, então o intelecto é comum a todos os homens: é
pela matéria que os indivíduos se diferenciam no interior da espécie, se o intelecto não está unido ao corpo, não há
como diferenciar várias almas racionais. O resultado é o famoso e escandaloso mote atribuído aos aver-roístas:
"homem não pensa", ou melhor, "este homem não pensa".
DA ALMA AO EU PENSANTE
 
Tomás escreve um pequeno livro, A unidade do intelecto: contra os averroístas (ou. na referência tradicional. Contra
Averróis) para refutar as duas teses do filósofo muçulmano: a separação substancial do intelecto e a unidade do
intelecto em todos os homens. Trata, em primeiro lugar, de mostrar que os averroístas entenderam mal a teoria de
Aristóteles. É certo que o pensamento, a operação da alma intelectiva. não é a operação de um órgão do corpo, ao
contrário de operações de outras potências da alma (como o crescimento ou o movimento), mas isso não quer dizer
que não seja um ato da mesma alma que é forma de um corpo natural. Por algumas de suas faculdades, a alma
move o corpo, por outras, ela pensa. Ou seja, há, sim, distinção, mas não separação substancial.
Menos plausível ainda é a tese da unidade do intelecto em todos os homens. O problema está em como se concebe o
que é um homem individual. Pode-se entender, de maneira platonizante, que o intelecto (ou a alma intelectiva) é a
essência do homem e não a forma do corpo. Desse \. modo, o homem individual é somente i intelecto e forma. Mas,
embora o homem i seja principalmente intelecto, como diz i Aristóteles porque é a racionalidade que o distingue :
como espécie, nem por isso deixa de ser, ; como vimos, essencialmente tanto matéria ; (e corpo) quanto forma (e
alma). Senão não haveria distinção entre os indivíduos:
se o homem singular se identifica ao intelecto, não há qualquer distinção entre dois homens, nem singularidade. Porque,
seja como for concebido, o intelecto é forma, portanto, sem a matéria, não se distingue singularmente, uma vez que o
princípio de individuação que separa os indivíduos da mesma espécie é a matéria. Já os averroístas concedem que o
intelecto é unido ao corpo, mas de um modo particular: "o intelecto é unido ao corpo como um motor". (Contra
Averróis, § 66) No entanto, ao contrapor o motor, puramente formal, e o movido, material, terminam por incorrer no
mesmo problema da tese platonizante: o motor não é inerente ao movido.
Por outro lado, quando se entende corretamente que o intelecto é formalmente inerente ao homem, na medida
em que é uma faculdade da alma que é forma do corpo, não se pode falar em "unidade do intelecto possível",
porque se o homem é composto de matéria e forma, há diversidade tanto de almas quanto de corpos. Ou seja, se
há diversidade de almas é porque há diversidade de corpos. Ora, é evidente que há diversidade de corpos, logo...
Deve-se evitar a confusão entre a unidade da espécie ("todos os homens são um só pela participação na
espécie", como já dizia Porfírio, o mestre da tradição neoplatônica) e a diversidade na espécie. A diversidade é
numérica, isto é, material. E realidades numericamente distintas não podem possuir em comum uma faculdade
numericamente idêntica a elas. Como diz Tomás na Suma contra gentios (II, 73. 1~>: é im-