proposta_de_fisioterapia_manipulativa_alongamento_e_pompage_no_tratamento_da_cefaleia_tensional_relato_de_caso
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e duração do
alongamento e detecta as alterações no comprimento do músculo. As fibras do fuso
muscular são sensíveis à rapidez com a qual um músculo é alongado. (KISNER &
COLBY, 1998; ALTER, 1999)
Existem dois tipos de fusos musculares: primários e secundários. Os fusos
primários respondem tanto ao grau de alongamento muscular como ao ritmo desse
alongamento (resposta dinâmica). Os fusos secundários respondem somente ao
grau de alongamento (resposta estática). A resposta dos fusos promove a ativação
do reflexo de alongamento e inibição da elaboração de tensão no grupo dos
músculos antagonistas (inibição recíproca). (HALL, 2000)
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O reflexo de alongamento, também conhecido como reflexo miotático, é
decorrente da ativação dos fusos em um músculo distendido, promovendo uma
resposta rápida através de uma transmissão neural, com estimulação dos nervos
aferentes que conduzem estímulos dos fusos até a medula espinhal, os nervos
eferentes trazem de volta a resposta resultando em elaboração de tensão no
músculo. O procedimento para realização de um alongamento muscular consiste,
portanto, em minimizar os efeitos dos fusos musculares. (HALL, 2000; ALTER, 1999)
1.7.2 Órgãos tendinosos de golgi
O órgão tendinoso de golgi (OTG) localiza-se próximo à junção
músculotendínea, enrola-se nas extremidades das fibras extrafusais do músculo e é
sensível à tensão causada tanto pelo alongamento passivo quanto pela contração
muscular. (KISNER & COLBY, 1998; ALTER, 1999)
Segundo os mesmos autores, é um mecanismo de proteção que inibe a
contração do músculo respondendo através de suas conexões neurais, inibindo a
elaboração de tensão no músculo (promovendo relaxamento muscular) e não
permitindo a tensão nos músculos antagonistas. Tem um limiar muito baixo de
disparo após uma contração muscular ativa e tem um alto limiar de disparo para o
alongamento passivo.
1.7.3 Mecanorreceptores articulares
Todas as articulações sinoviais do corpo são supridas de quatro variedades
de receptores de extremidades nervosas. Esses receptores articulares sentem
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forças mecânicas nas articulações, tais como pressão de alongamento e distensão.
São classificados como tipo I, II, III e IV, de acordo com as características
morfológicas e comportamentais. (ALTER, 1999)
De acordo com o mesmo autor, os mecanorreceptores do tipo I consistem
de grupos de corpúsculos globulares encapsulados e são denominados de Golgi-
Mazoni; estão localizados na camada externa da cápsula articular fibrosa, são
receptores de limiar baixo e adaptação lenta, possuem várias funções como:
promoção da sensação cinestesica e postural, facilitação dos tônus muscular,
regulação da pressão articular, entre outros.
O tipo II é chamado de corpúsculo de Pacine, são representados por
corpúsculos maiores, grossamente encapsulados e cônicos. Estão localizados na
cápsula articular fibrosa, em suas camadas mais profundas e em coxins gordurosos
articulares. São conhecidos como mecanorreceptores dinâmicos ou de aceleração,
pois possuem limiar baixo e adaptação rápida. (KISNER & COLBY, 1998)
Os mecanorreceptores do tipo III são corpúsculos finamente encapsulados,
confinados aos ligamentos intrínsecos e extrínsecos de muitas articulações.
Chamados de corpúsculo de Ruffine possuem alto limiar que se adaptam
lentamente, respondendo somente a altas tensões geradas nos ligamentos
articulares, tem como função à monitoração da direção do movimento e inibição
reflexa da atividade de alguns músculos. (HALL, 2000)
Ao contrário dos mecanorreceptores, o tipo IV ou terminações nervosas
livres são desencapsulados. São encontrados nos coxins gordurosos e por toda
cápsula articular. Constituem o sistema de receptor de dor dos tecidos articulares.
Sob condições normais, esses receptores são inteiramente inativos. Contudo, eles
se tornam ativos quando os tecidos articulares que contêm esse tipo de extremidade
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nervosa são submetidos à acentuada deformação mecânica ou irritação química.
(ALTER, 1999)
1.8 CEFALÉIA TENSIONAL
1.8.1 Conceito
Segundo Rodrigues (2001), um dos assuntos mais controversos em cefaléia
primárias é a assim chamada cefaléia do tipo tensional (CTT). Esse termo não é
muito adequado, visto ser por demais abrangente. Poderia englobar cefaléias
provindas de numerosas causas. Contudo, na opinião dos autores, ao utilizarmos
esse termo, queremos na verdade nos referir a uma forma muito perniciosa de
cefaléia, que poderia evoluir à partir de cefaléias intermitentes ou enxaquecas, para
uma forma mais diária e duradoura, englobando o conceito de cefaléia tipo tensional.
O conceito desse tipo de cefaléia surgiu no século XIX. William Osler, nos
EUA, foi o primeiro a opinar que tais cefaléias pudessem ser devidas à contração
muscular. Referiu-se a cefalodínia como reumatismo muscular da cabeça. James
Cyriax, também americano, injetou, no início deste século, solução hipertônica nos
músculos da cabeça, levando-os a um espasmo palpável e conseqüente cefaléia.
Cinco anos mais tarde, Harold Wolff reproduziu essa experiência e postulou que
qualquer cefaléia poderia resultar em contratura muscular reflexa, na cabeça e
pescoço, e também que tensão emocional poderia resultar em contraturas
musculares, as quais resultam nas cefaléias mais comuns. Segundo Harold Wolff, as
assim chamadas cefaléias por contração muscular (sinônimo de tensional) eram
causadas pela contratura da musculatura da cabeça, levando a compressão das
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artérias subjacentes, resultando num processo isquêmico-doloroso. Não há duvida
que existam músculos na cabeça e no pescoço e que eles podem doer. Porém, há
sérias dúvidas se essa é a verdadeira causa da assim chamada cefaléia tensional.
(RODRIGUES, 2001)
1.8.2 Incidência
A prevalência anual da cefaléia tipo tensional (CTT) na população geral
varia de 30% a 80% e durante a vida toda alcança valores ao redor de 90%. Estudos
americanos mostram menor prevalência da CTT em negros quando comparados aos
brancos. Baixos índices também são encontrados em asiáticos e africanos, podendo
refletir diferenças genéticas e fatores de risco, ambientais ou culturais. A CTT tem
início entre os 20 e 40 anos de idade, com predomínio apenas discreto no sexo
feminino (1,3:1), diferentemente da enxaqueca cujo predomínio é evidente na
mulher. (SANVITO & MONZILLO, 2001)
1.8.3 Características clínicas
A dor da cefaléia tensional é descrita de modo variável. Mais comumente o
paciente descreve-a como uma sensação constante de pressão ao redor da cabeça,
estendendo-se para o pescoço e ombros. Esta sensação dolorosa também é
descrita como uma faixa ao redor da cabeça, ou como se a cabeça estivesse sendo
comprimida de uma certa maneira. Menos comumente, pacientes descrevem um
pescoço duro, rígido e às vezes queixam-se da presença de nódulos doloridos nos
músculos sensíveis do pescoço. (FARREL, 1989)
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Segundo Mars-Pryszo (2000), as cefaléias tensionais se manifestam em
capacete, como um aperto, peso ou pressão (não pulsátil), acompanhadas de
contraturas cervicais maciças ou limitadas aos esternocleidomastóideos, aos
escalenos ou aos esplênios.
A cefaléia é tipicamente bilateral na região occipital e/ou a frontotemporal.
Em alguns casos, a dor persistente é assimétrica, o que pode indicar algum
mecanismo desencadeante unilateral subjacente. A cefaléia é acompanhada por dor
persistente e tensão da musculatura suboccipital. (TROTT, 1994)
Pode inicialmente ser episódica e relacionada com o estresse recorrente,
com um ritmo quase diário. Não piora com a atividade física, porém pode apresentar
fotofobia ou fonofobia. (MENEZES, 1999)
Segundo Farrel (1989), freqüentemente se iniciam de modo insidioso no
final da tarde ou anoitecer. A cefaléia aumenta gradativamente em intensidade e
pode durar várias horas. É comum que o paciente vá deitar-se com cefaléia e acorde
na manhã seguinte livre dos sintomas. A cefaléia pode ocorrer na mesma tarde ou
podem existir intervalos entre a próxima crise. A freqüência
Ingrid
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