proposta_de_fisioterapia_manipulativa_alongamento_e_pompage_no_tratamento_da_cefaleia_tensional_relato_de_caso
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ao se tentar distinguir entre os dois tipos mais comuns de
cefaléia: a enxaqueca e a cefaléia do tipo tensional. Ambos os tipos possuem
sintomas em comum, porem é a seqüência na qual os sintomas aparecem na
evolução de uma cefaléia individual que permite a distinção entre elas.
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O Comitê de classificação das cefaléias da Sociedade Internacional de
Cefaléia (1997), descreve a migrânea sem aura (enxaqueca comum ou enxaqueca
simples) da seguinte forma: dor de cabeça idiopática, recorrente, manifestando-se
por crises com duração de 4-72 horas. Características típicas desta cefaléia são a
localização unilateral, qualidade pulsátil, intensidade moderada ou severa,
agravação por atividades físicas rotineiras e associação com náuseas, foto ou
fonofobia.
Bacheschi (1991), relata que um dos aspectos mais importantes para
distinguir a cefaléia tipo tensional (CTT) da enxaqueca é a inexistência de
fenômenos associados. E também, mesmo quando a intensidade da dor na CTT é
grande a pessoa não necessita afastar-se de seus afazeres, enquanto que na
enxaqueca a dor é incapacitante.
A cefaléia em salvas também pode ser diferenciada da CTT através de seus
sintomas descrito pelo Comitê de classificação das cefaléias da Sociedade
Internacional de Cefaléia (1997), da seguinte forma: crises de dor intensa,
estritamente unilateral, orbitrária, supraorbitrária e/ou temporal, durando 15-180
minutos e ocorrendo de uma a cada 2 dias ou até 8 vezes ao dia. São associados a
um ou mais dos seguintes: hiperemia conjuntival, lacrimejamento, congestão nasal,
rinorréia, sudorese da face e fronte, miose, ptose, edema palpebral. As crises
ocorrem em séries com duração de semanas ou meses (os assim chamados
períodos de salva), separados por períodos de remissões usualmente durando
meses ou anos.
Ao contrário da enxaqueca, a cefaléia em salvas predomina no sexo
masculino na proporção de 9 homens para 1 mulher. (GALVÃO, 2001)
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1.11 TRATAMENTO
Os tratamentos medicamentosos propostos são variados. No entanto,
poucos deles demonstram real eficiência no controle da dor com uma boa qualidade
de vida para o paciente. A maioria dos pacientes fazem automedicação, não
procurando ajuda médica. (RODRIGUES, 2001)
Segundo o mesmo autor, os pacientes com CTTC são difíceis de tratar, de
seguir um tratamento médico em virtude da baixa intensidade da dor; seu caráter
muitas vezes contínuo e a presença de aspectos fisiológicos; psicológicas ; rotina
de trabalho diário (posição viciosa no trabalho); stress concomitante ao quadro;
tentando o paciente mesmo concordar e conformar-se de que está realmente
passando por uma situação difícil (o que não é incomum no mundo atual), e que
senão esses não procurariam ajuda médica.
Segundo Rodrigues (2001), tratamentos não-medicamentosos também são
preconizados para a CTT. Abordagens fisioterápicas, como acessórias ao
tratamento medicamentoso, visando alongar e relaxar os músculos do segmento
cefálico, são úteis, desde que indicado por médico atualizado.
Calais-Germain (1992), cita uma série de alongamentos que certamente
podem ajudar a melhora do quadro doloroso. Assim como Moffat & Vickery (2002),
afirmam que uma maneira de aliviar o desconforto é a realização de alguns
exercícios de alongamento, que irão devolver aos músculos cansados ou dolorosos
um pouco de sua elasticidade e fluxo sanguíneo.
Para o presente trabalho foi utilizado as técnicas de pompage e
alongamentos passivos no tratamento do paciente portador de cefaléia do tipo
tensional.
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1.11.1 Pompage
A pompage é uma técnica francesa que tem como um de seus objetivos
tratar e/ou minimizar retrações. As retrações são responsáveis por estase tecidual,
pois impedem a mobilização da fáscia. A tentativa do retorno do deslizamento fascial
é um dos objetivos dessa técnica. As retrações são responsáveis pelas dores
permanentes ou semipermenentes, que dificultam ou impedem uma qualidade de
vida. Essa dor se deve ao tecido conjuntivo fibroso, que não é apenas um tecido
mecânico de ligação, mas sim, um imenso receptor sensitivo (Órgão Tendinoso de
Golgi, Receptores de Paccini e Ruffini, etc.). Esse tecido engloba milhares de
receptores de tensão que reagem à mínima tensão e permitem uma propriocepção.
As retrações transmitem tensões à distância através de todo esse tecido fibroso,
hiperativam os receptores de tensão e os transformam rapidamente em dolorosos.
(BIENFAIT, 1999)
Segundo o mesmo autor, a pompage apresenta como técnica o
tensionamento e a educação respiratória. A tensão terapêutica respeita o limite da
elasticidade do tecido, sem ultrapassá-la. Ela permanece em um estado fisiológico
normal que obriga o tecido, cuja tendência é o retorno a seu ponto neutro de tensão,
a vencer as barreiras que impedem seu retorno. Nessas tensões terapêuticas, há um
limite que deve ser atingido, mas não ultrapassado.
Ainda o mesmo autor cita que para combater as retrações ligeiras e as
contraturas musculares, os tensionamentos são lentos, progressivos e mantidos, por
aproximadamente vinte segundos, para se obter a desembricação de actina dos
filamentos de miosina nos sarcômeros. Isso é realizado através das técnicas de
pompagens.
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Todas as manobras da pompage utilizam um relaxamento após um
tensionamento. Este tensionamento provoca um deslizamento das miofibrilas de
actina no sentido de alongamento. Este deve ser lento, regular e progressivo, não
ultrapassando a elasticidade fisiológica dos tecidos. (BIENFAIT, 1995)
Um dos objetivos dessas técnicas é à busca da inibição muscular, através
de uma educação respiratória. Para isso, todo o trabalho de tensionamento é
acompanhado de expirações, conscientes e dirigidas. A inspiração é a fase ativa do
ciclo respiratório. A expiração é uma fase passiva de relaxamento, executando a
detorção das cartilagens costais e a tensão de pequenos músculos transversos do
tórax. (BIENFAIT, 1999)
1.11.2 Alongamento
Os músculos precisam ser longos o bastante para permitirem a mobilidade
normal nas articulações e ser curto o suficiente para contribuir com eficiência na
estabilidade articular. (ALTER, 1999)
Um alongamento eficiente alcança o comprimento do tecido mais longo. A
resposta contrátil ao alongamento deve ser evitada porque isto poderia resultar em
encurtamento reativo do tecido que está sendo alongado, particularmente quando
aplicado o alongamento muscular. A velocidade excessiva do encurtamento evoca
resposta contrátil. Dessa forma, o conceito de segurar um alongamento prolongado
suave deve ser claramente comunicado ao paciente. (SHANKAR, 2002)
Quando a amplitude de movimento é limitada por músculos retraídos,
devemos realizar exercícios de alongamentos leves e graduais, provocando
desconforto sem provocar dor. O músculo é colocado em alongamento até o ponto
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de não sentir a dor de retesamento e é mantido neste ponto. (ALTER, 1999;
SHANKAR, 2002)
Existem três métodos básicos para realizar alongamentos: alongamento
passivo aplicado manualmente ou mecanicamente, inibição ativa e auto-
alongamento. Neste trabalho foi utilizado o método passivo, como o próprio nome já
diz, este alongamento não envolve trabalho por parte do indivíduo. Ele relaxa
enquanto outra pessoa movimenta o membro em determinada amplitude de
movimento. O terapeuta aplica uma força extrema e controla a direção, velocidade,
intensidade e duração do alongamento dos tecidos moles, os quais serão alongados
além se seu comprimento de repouso. (KISNER & COLBY, 1998; HILLMAN, 2002)
O alongamento passivo leva as estruturas além da amplitude de movimento
livre. O paciente deve estar o mais relaxado possível durante o alongamento
passivo. A força de alongamento é geralmente aplicada por não menos de 6
segundos, mas preferivelmente por 15 a 30 segundos e repetida várias vezes em
uma mesma sessão. (KISNER & COLBY, 1998)
Segundo Alter (1999), Bowers & Fox (1991) e Fernandes et. al (2002),
quando uma pessoa realiza exercícios de alongamento, os possíveis
Ingrid
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