proposta_de_fisioterapia_manipulativa_alongamento_e_pompage_no_tratamento_da_cefaleia_tensional_relato_de_caso
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da cefaléia varia muito
individualmente.
1.8.4 Aspectos fisiopatológicos
Os mecanismos fisiopatológicos da cefaléia tipo tensional são pouco claros
e, aparentemente, o estresse físico e/ou mental exercem um papel importante na
gênese da dor. O conceito clássico de que a contração dos músculos pericranianos
exerceria um papel importante no aparecimento da dor é hoje contestado. A
contração muscular prolongada acarretaria uma \u201cisquemia\u201d dos músculos cefálicos
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com o desencadeamento dos fenômenos álgicos. Atualmente existem fortes
evidências de que esta isquemia não ocorra, tampouco estes pacientes apresentam
obrigatoriamente uma contração muscular pericraniana em grau elevado. Tanto os
pacientes com CTT como aqueles com enxaqueca podem apresentar um certo grau
de contração muscular durante as crises, sendo este grau até mais importante nos
enxaquecosos. Do ponto de vista bioquímico, pacientes com CTT crônica
apresentam diminuição da serotonina plaquetária quando comparados a controles
normais. Observa-se também aumento do ácido gama-aminobutírico (GABA), um
neurotransmissor inibitório, que é incorporado pelas plaquetas, talvez como
conseqüência de um estado permanente de dor. No momento é questionado se a
CTT e a enxaqueca são entidades distintas, ou se a primeira assume as
características da segunda quando o nível de dor atinge uma intensidade mais forte.
Cerca de 62% de pacientes tem crises concomitantes de CTT e 25% dos que têm
CTT também apresentam crises típicas de enxaqueca. (SANVITO & MONZILLO,
2001)
1.8.5 Comportamento dos sintomas
Nos casos leves a cefaléia desenvolve-se durante ou após um estresse
identificável, embora o paciente possa não estar consciente disso. As cefaléias são
apenas ocasionais e duram por curtos períodos. Melhoram com o repouso e
analgésicos. (TROTT,1994)
De acordo com o mesmo autor, nos casos mais avançados e graves, as
cefaléias podem surgir pela antecipação de uma situação de muito trabalho e muita
tensão. Esses indivíduos freqüentemente acordam com uma cefaléia que dura o dia
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todo. O repouso não a alivia mais, mas os analgésicos sim. Os pacientes descrevem
que suas cefaléias estão presentes quando eles acordam, melhorando ligeiramente
durante o dia, mas ficando grave novamente no começo da noite. A dor é agravada
pela atividade febril e pelo barulho.
Sintomas associados, tais como náusea e vômito geralmente não são
ouvidos na evolução precoce da cefaléia por tensão muscular, mas depois que a
cefaléia está presente por várias horas ou dias e tornou-se mais severa, alguns
pacientes desenvolvem náusea, que pode ser seguida de vômito. (FARREL,1989)
1.8.6 Fatores desencadeantes
Segundo Farrel (1989), fatores psicogênicos tais como stress, ansiedade e
depressão desempenham um papel importante na causa desta forma de cefaléia. Os
pacientes freqüentemente reconhecem o \u201cstress emocional\u201d como agente iniciante
para a cefaléia e relatam eventos no trabalho ou em casa que podem ter
desencadeado estas cefaléias.
1.9 CLASSIFICAÇÃO DA CEFALÉIA TENSIONAL
Na classificação atual considera-se dois principais tipos, baseados na
freqüência e duração das crises: episódica e crônica. (MENEZES,1999)
A cefaléia do tipo tensional episódica (CTTE), apresenta como critérios de
ocorrência 10 ataques de dor em menos de 15 dias por mês, com duração que varia
de 30 minutos a 7 dias, sensação de pressão ou aperto com intensidade de leve a
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moderado, localizando-se bilateralmente. (GEJER, 2001; KRYMCHANTOWSKI,
2002)
Segundo Rodrigues (2001), não ocorre agravamento da CTTE por atividade
física rotineira. Náusea ou vômitos, assim como fotofobia ou fonofobia, não estão
presentes, ou apenas um deles podem se manifestar associado à dor de cabeça.
Menos de 10% dos pacientes podem apresentar dor pulsátil e até 2% podem referir
dor unilateral, sempre, entretanto, com intensidade leve e não agravada por esforços
físicos rotineiros.
Segundo o mesmo autor, a sua prevalência situa-se em 90% das mulheres
e em 67% dos homens durante a vida, sendo que a maioria dos pacientes com esse
tipo de cefaléia não procura ajuda médica e utiliza analgésicos e drogas para outros
tipos de cefaléia , como a enxaqueca, através da automedicação. A CTTE é mais
comum em mulheres do que em homens, atingindo a proporção de 1,4 mulher pra
cada homem, em caucasianos e em indivíduos de melhor nível educacional.
O mesmo autor relata que o pico de sua prevalência é na quarta década de
vida, com maior incidência geral entre os 20 e os 50 anos de idade. Cerca de 35%
dos pacientes têm de um a sete dias de dor por ano, 60% têm de oito a 179 dias
anuais e 3% têm mais de 180 dias de cefaléia por ano (configurando a forma
crônica).
Na cefaléia do tipo tensional crônica (CTTC), a dor de cabeça assume um
caráter praticamente diário, com um ritmo de pelo menos mais de 15 dias por mês,
por um período não inferior a seis meses. As crises tem pouca variação na
intensidade no decorrer do dia. (SANVITO & MONZILLO, 2001)
Segundo Bacheschi (1991), a forma crônica é caracterizada por cefaléia
diária, ou mesmo cefaléia contínua, em que o paciente refere momentos de acalmia,
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mas sem que a dor desapareça totalmente. Esta forma é mais comum após os 30
anos, com predominância no sexo feminino e difícil controle terapêutico. Geralmente
a cefaléia, nesses casos, é apenas um dos sintomas de um estado depressivo.
Os pacientes com CTTC são freqüentemente acometidos por distúrbios
emocionais, como depressão, ansiedade ou nervosismo, e por distúrbios do sono,
como insônia e sono interrompido, não sendo incomum o uso abusivo de
medicamentos sintomáticos, muitas vezes prescritos até por médicos
desinformados. (RODRIGUES, 2001)
Tonturas, e dificuldade de concentração podem ser relatadas pelos
pacientes. Relaxamento físico e psíquico e ingestão de bebidas alcoólicas são
fatores de melhoria dessa modalidade de cefaléia. (SILVA, 2003)
As cefaléias do tipo tensional episódica e crônica podem ser separadas por
subgrupos associadas ou não a distúrbios dos músculos pericranianos. Em geral a
cefaléia do tipo tensional resulta de uma contração dos músculos do pescoço e do
couro cabeludo. (GEJER, 2001; KRYMCHANTOWSKI, 2002)
1.10 DIAGNÓSTICO
O diagnóstico da cefaléia do tipo tensional (CTT) é fundamentalmente
clínico, baseado numa correta anamnese. Exames complementares serão
eventualmente necessários, quando sintomas ou achados do exame sugerirem
alguma patologia associada. (BACHESCHI, 1991)
Segundo o Comitê de classificação das cefaléias da Sociedade
Internacional de Cefaléia (1997), alguns critérios devem ser respeitados para se
definir o diagnóstico de CTT episódica. O paciente deve apresentar no mínimo 10
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crises de cefaléia, e o número de dias com essa cefaléia deve ser menor ou igual
180 dias/ano (menos de 15 dias/mês). A dor deve durar de 30 minutos a sete dias e
incluir, pelo menos, duas das seguintes características: caráter em aperto, peso ou
pressão e não-pulsátil; intensidade fraca ou moderada (podendo limitar mas não
impede atividades); localização bilateral; não é agravada por subir escadas ou por
atividades similares físicas de rotina; ausência de náusea e vômitos (anorexia pode
ocorrer); habitualmente ausência de foto e fonofobia, ou apenas um destes sintomas
está presente.
Na forma crônica a dor assume um caráter praticamente diário, com um
ritmo de pelo menos mais de 15 dias/mês, por um período não inferior a seis meses.
As crises têm pouca variação na intensidade no transcorrer do dia. (SANVITO &
MONZILLO, 2001)
1.10.1 Diagnóstico diferencial
O médico que lida com cefaléias no seu dia-a-dia enfrenta o problema do
diagnóstico diferencial. Porém, uma anamnese bem conduzida é de grande valia no
diagnóstico diferencial entre a CTT e as cefaléias secundárias, que se expressam
com quadro álgico superponível. (SANVITO & MONZILLO, 2001)
Segundo Farrel (1989), a importância de uma boa história clínica pode ser
vista com o problema
Ingrid
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