NÓBREGA  Vandick Londres da. Direito Romano. Organização Judicial  Ações da Lei  Processo Formulário
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ação: \u2014 a actio iuãicati ", usada no processo formu-
lário em lugar da manus iniectio iuãicati das ações da lei.
Execução sobre a pessoa \u2014 O iuãicatus qae não pagasse
nem se defendesse ficava, por força de uma ordem do ma-
gistrado \u2014 ãuci iubere \u2014 numa prisão privada até que cum-
prisse a sua obrigação para com o credor. O réu podia ale-
gar nulidade da sentença condenatória, mas se perdesse a
ação seria condenado ao pagamento em dobro.
Execução sobre os bens \u2014 O credor podia recorrer à
execução sobre os beas se a execução pessoal fosse impos-
sível, ou por estar o réu ausente, ou por ter ele usado do
benefício de cessão dos bens em benefício de devedoresinsolváveis.
Um dos credores obtinha do magistrado autorização para
se apoderar do património do devedor \u2014 missio in posses-
sionem \u2014 o qual, depois de certas formalidades, devia ser
vendido ern proveito de todos: \u2014 venâitio bonorum. O pre-
tor, a partir da lei Ebúcia, podia sancionar o direito de
bonorum emptor por uma ação real. O processo da execução
sobre os bens comportava três fases:
a) a missio in bona;
b) preliminares da venda;
c) a venâitio bonorum.
MISSIO IN BONA \u2014 A execução sobre os bens foi intro-
duzida por uma missio in possessionem concedida pelo ma-
gistrado ao credor, que não ficava na posse dos bens, mas
com o direito de guardá-los para evitar qualquer dilapida-
(6) cf MEDICUS, Dieter \u2014 ZUT Urteilsberíchtigang in der nctio liuli
cati <f«s FoimuJarpi-azdsses ZSS, pág. 233 a 292.
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cão. Os credores deviam por meio de proscriptiones, adver-
tir o público sobre a respectiva missio, de modo que os in-
teressados pudessem intervir, fazendo valer os seus direitos.
A missio in possessionem só produzia este resultado se o
pretor, no edito, declarasse: \u2014 Bona possideri proscríbi iu-
bébo. Os credores podiam nomear um curator bonorum, se
a situação se prolongasse por muito tempo. Na maioria
dos casos o pretor dizia: \u2014 Bona ex eãicto possideri pro-
scribi veniríque iubebo \u2014 ordenarei a penhora dos bens con-
forme o edito para que depois de feitas as proscriptiones,
sejam vendidos.
PRELIMINARES DA VENDITIO \u2014 Decorrido o prazo
de trinta, dias, se os bens fossem de uma pessoa viva e de
quinze dias em se tratando de um morto, o devedor era
considerado como atingido por infâmia, se não tivesse feito
a cessio bonorum. Um decreto do pretor determinava aos
credores a nomeação de magister bonorum, que se distin-
guia do curator bonorum em três pontos: \u2014 era nomeado
pelos credores; a escolha devia recair entre os credores; era
unicamente incumbido de processar a venda.
O magister bonorum organizava e afixava a lex vendi-
tionis, que fazia publicar mediante proscriptiones, que in-
dicavam as condições de pagamento, os créditos privilegia-
dos, as garantias que o comprador deveria apresentar.
A venda se processava depois de dez dias se os bens
fossem de quem estivesse vivo e depois de cinco dias, se fos-
sem de um morto.
VENDITIO BONORUM \u2014 A venda se processava median-
te leilão e ficava concluída por uma addictio do magistrado a
quem oferecesse preço mais alto. O adquirente \u2014 emptor
bonorum \u2014 tornava-se sucessor pretoriano e ficava com o
direito a todo o ativo. Ele tinha a proteção do interãictum
possessorium e de ações pretorianas, como a formula Ruti-
liana no caso de venda dos bens de um vivo e a fórmula
Serviana, mediante a ficção de qualidade de herdeiro, no caso
de venda de bens de um morto. O emptor bonorum respon-
dia pelo passivo até a concorrência do dividendo \u2014 partia
\u2014 estabelecido.
INTERVENÇÃO DO MAGISTRADO \u2014 Os magistrados
na época do processo formulário, podiam intervir nas con-
testações dos particulares por força de sua iurisãictio e de
seu imperium. Essa intervenção processava-se sob quatro
modalidades: \u2014 stipulationes praetoriae, missiones in pôs-
sessiones, interdieta e restitutiones in integrum.
Stipulationes praetoriae \u2014 As estipulações pretorianas
ou honorárias eram contratos verbais feitos por ordem do
magistrado com o objetivo de criar, em proveito do esti-
pulante contra o promitente, um direito que a lei não lhe
concedia. Pompônio distingue as estipulações pretorianas,
judiciárias e comuns conforme sejam impostas pelo pretor,
pelo juiz, ou por um ou outro.
Missiones in possessionem \u2014 A missio in possessionem
é a autorização para tomar posse dos bens de outrem, con-
cedida pelo magistrado com o objetivo de facilitar o exer-
cício de um direito. Não devemos confundi-la com a posse
propriamente dita, pois se trata, apenas, de uma detenção
material, geralmente em caráter provisório. E' uma provi-
dência de caráter conservatório, tomada no interesse de cer-
tos credores ou de certas pessoas que têm direito a uma
herança. Este último caso admite a bonorum possessio a
título de herdeiros, e dá lugar a uma missio in bona, que
é um ato criador de direito, motivo pelo qual se distingue
da missio de que tratamos, em virtude de seu caráter de
garantir um direito já existente.
A missio in posessionem pode ser concedida em se tra-
tando de um bem particular \u2014 missio in rem, ou de um
conjunto de bens \u2014 missio in bona.
Emprega-se a missio in rem: \u2014 a) no caso do ãamnum
infectum; b) quando o réu está ausente, ou ináefensus.
A missio in bona é concedida: c) a certos credores para
resguardar os seus direitos. São os legatários a termo ou
condicionais sobre bens hereditários \u2014 legatorum servan-
áorum causa; os credores de um insolvável ou de um inde-
-fensus \u2014 rei servanãae causa; b) às pessoas que se habi-
litaram a uma herança, mas cujo direito foi contestado.
Não há indícios de que a missio in possessionem fosse
garantida pela força pública; os interdictos e uma ação in
factum a protegiam.
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Interdicta \u2014 Interdictum é a ordem do pretor ou do
governador de província para por fim a divergências sur-
gidas entre dois cidadãos. Esta ordem era dada a pedido de
uma parte contra a outra, a fim de prescrever atos positivos
ou impedir a prática de determinados atos. As ordens da
primeira categoria chamavam-se decreta e compreendiam
os interditos restitutórios e os exibitórios; as oxitras, isto é,
as negativas, eram os interãicta propriamente ditos, dos quais
podemos citar como exemplo os interditos proibitórios.
Os interãicta, segundo a natureza da ordem dos magis-
trados, dividem-se em proibitórios, vim fieri veto \u2014 resti-
tutórios (restituas) e exibitórios (exhibeas). Os interãicta
também podem ser simples ou duplos: \u2014 os primeiros são
aqueles ern que há um autor e um réu, ao passo que nos
outros cada parte exerce as duas funções.
Os magistrados municipais não podiam conceder inter-
ditos, uma vez que não tinham o imperium.
A outra parte devia ser notificada da ordem contida no
interdito, diferentemente do que ocorria com a fórmula, que
era notificada ao juiz.
A finalidade primitiva dos interditos parece ter sido a
reparação de danos menos graves, contra os quais não se
podia intentar ação.
O pretor costumava incluir no álbum as condições me-
diante as quais devia conceder o interdito. Se alguém satis-
fizesse essas condições e requeresse a proteção pretoriana
do interdito, o magistrado não a poderia negar. Por isso o
interdito tinha o caráter de regra permanente.
Com o advento das ações in factum diminuiu a necessi-
dade de se recorrer aos interditos, que passaram a concorrer
com a ação.
Os interditos não solucionavam as divergências entre
as partes de maneira definitiva, pois não impediam a parte
que se julgasse prejudicada de impetrar uma ação na jus-
tiça. Em certos casos, porém, como acontecia com o inter-
dito de arboribus caãenãis, o interdito resolvia definitiva-
mente a divergência.
As partes deviam ir à presença do magistrado duas ve-
zes: primeiro, para obter o interdito; e depois quando, pro-
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nunciadas as fórmulas, perguntavam se alguma coisa foi
feita contra o edito do pretor, ou se não se fez o que ele
ordenou. O autor tinha de alegar fatos aos quais pudesse
ser aplicável uma das fórmulas