NÓBREGA  Vandick Londres da. Direito Romano. Organização Judicial  Ações da Lei  Processo Formulário
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quanto à quantia por pagar.
Nas ações reais a confessio ou inãefensio fazia com qu«
a posse da coisa fosse, por ordem do pretor, transferida ao
autor. Esta posse era garantida, quanto aos imóveis, pelos
interditos possessórios.
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Se o réu negasse pura e simplesmente a pretensão do
autor, surgiria a fórmula da ação. No entanto, o réu podia
invocar uma exceção e, neste caso, a fórmula seria mo-
dificada.
Competia ao magistrado conceder a fórmula, como tam-
bém recusar a exceção reclamada pelo réu. De modo geral,
- a fórmula devia ser concedida, porque o magistrado não po-
dia tomar partido, o que acontecia indiretamente se ele
a recusasse. No entanto, o magistrado podia recusar a ação,
quando se tratasse de negócio ilícito.
A litis contestaíio \u2014- A litis contestaiio é o ato que as-
sinala o desacordo entre as partes e o propósito de ser o
litígio resolvido pelo juiz. E' o momento em que a lis é
inchoata ou o iuãicium é aceito; \u2014 na novatio necessária,
segundo Keller, a litis contestatio resultaria da entrega da
fórmula feita pelo magistrado ao autor; o iuáicium seria
acceptum, quando fosse recebido pelo réu.
Wlassak considera a litis contestatio como o ato pelo
qual o réu aceita a fórmula, que lhe é entregue pelo autor.
A teoria de Wlassak foi adotada por Girard e melhor cor-
responde aos textos que atribuem à litis contestatio o ca-
ráter contratual.
Os efeitos da litis contestatio são diversos e se distin-
guem pelo seu caráter inovador.
o) EFEITO REGULADOR \u2014 A litis contestatio fixa os
elementos pessoais e materiais do processo, e o juiz será obri-
gado a decidir de acordo com o estado das coisas nesse mo-
mento. A fórmula torna-se a lei do processo. Os nomes das
partes e o do juiz não podem, ser modificados; se uma dessas
pessoas falecer, o magistrado, cognita causa, procederá a uma
translatio iuãicii, O objeto do processo também não podia
ser mpdificado depois da litis contestatio. No entanto, o ma-
gistrado, em benefício do autor, podia conceder uma restitutio
in integrum, a fim de evitar uma plus petitio, de que resul-
taria a perda inevitável do processo; uma exceção não ale-
gada pelo réu também podia ser introduzida na fórmula.
b) EFEITO CRIADOR \u2014 Consiste no fato de se en-
contrar o autor detentor de um direito eventual que consistia
em obter uma condenação pecuniária.
COMPÊNDIO DE DIREITO ROMANO-I 419
c) EFEITO EXTIIITIVO \u2014 Significa o afastamento de
qualquer possibilidade de ser renovado o processo, de uma
nova ação, sobre a mesma coisa. Este efeito extintivo mani-
festa-se de duas maneiras: \u2014 ipso iure, se se tratar de um
iuãicium legitimum, se a ação é in personam e a fórmula
in ius exceptionis ope, que seria invocada nos demais casos,
ou quando faltasse uma das três condições mencionadas
aeirna.
Explica-se o efeito extintivo ipso iure nos indicia legi-
tima, porque estes iuãicia substituíram as antigas legis ac-
tiones. Por outro lado, compreendemos o efeito exceptionis
ope nas ações in rem, porque a fórmula in rem não deriva
diretamente do sacramentum in rem, mas per sposionem, nas
ações in factum, porque de acordo com a ideia primitiva, o
crédito devia ser sancionado por uma ação in ius.
ESTRUTUKA DA FÓRMULA \u2014 As fórmulas podiam vá-
riar ao infinito, como observa Girard, de acordo com o ca-
ráter do litígio. Se tomarmos em consideração os elementos
de que se compõe a fórmula, podemos distinguir duas cate-
gorias: \u2014 as partes principais \u2014 partes formulae e as partes
acessórias \u2014 aãiectiones.
Partes principais \u2014 São estas as partes principais ou
essenciais da fórmula: \u2014 demonstratio, intentio, aãiudicatio
e conãemnatio.
A fórmula começa sempre com a designação do juiz:
\u2014 Caius Octavius iuãex esto (Gaio Otávio será o juiz), para
o juiz único, ou "Caius, Octavius, Marcus Sempronius, Lucius
Valerius recuperatores sunto" (Caio Otávio, Marco Semprô-
mio, Lúcio Valério serão recuperadores), para os recupe-
radores.
DEMONSTRATIO \u2014 Encontrava-se no princípio da
fórmula e tinha por objetivo precisar a causa da ação: \u2014
Quod A. Agerius N~. Negiãio hominem vendit (Porque A.
Agério vendeu um escravo a N. Negídio) \u2014 ou então: Quod
A. Agerius (apuã) N. Negiãium hominem ãeposuit \u2014 (Por-
que A. Agério depositou um escravo junto a N. Negídio).
Ela se encontra apenas nas ações incertas, principalmente
nas ações de boa fé.
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INTENTIO \u2014 E' a parte mais importante, uma vez
que nela se encontra expressa a pretensão do autor. E' in-
dispensável em todas as fórmulas, apesar de haver quem
admita, sem motivo plausível, a sua exclusão na cofio iniu-
Tiarum. Na intentio o termo solene "aio" das ações de lei
é substituído pela expressão si par et: \u2014 Si par et N. Negi-
ãium A. Agerio Sestertium X milia dare oportere (Se pare-
cer que N. Negídio deve dar dez mil sestércios a A. Agerio);
ou então: Quidquid paret N. Negiãium A. Agerio dare f acere
(oportere}. Tudo o que parecer que N. Negídio deva fazer
ou dar A. Agerio); ou ainda: \u2014 Si paret hominem ex iure
Quiritium A. Agerii esse \u2014 Se parecer que o escravo é de
A. Agerio pelo direito dos Quirites.
Em tese, o pretor devia conceder ações apenas nos ca-
sos previstos em lei. Posteriormente passou a concedê-las em
casos em que a lei não dava. A fórmula era concedida por
meio de uma ficção, de modo que o caso era considerado
como se tivesse sido previsto por lei. A ação Publiciana,
por exemplo, era concedida a quem estivesse in causa usu-
capienãi; a actio furti era concedida ao peregrino, mediante
a ficção da qualidade de cidadão. No entanto, podia acon-
tecer que não houvesse ação similar, devendo o magistrado,
nestas condições, usar de uma fórmula in -factura.
c) ADIUCATIO \u2014 E' a parte da fórmula que con-
cede ao juiz o poder de adjudicar a propriedade contestada
a uma das partes como na ação de partilha \u2014 familiae er~
ciscunáae \u2014 entre co-herdeiros, ou de divisão da coisa co-
mum \u2014 communi ãiviãunão \u2014 entre condóminos, ou na de
demarcação entre vizinhos \u2014 finium regunãorum. Esta parte
da fórmula era do seguinte teor: \u2014 Quantum aãiuãican
oportet, iuãex, Titio adiudicato (Juiz, adjudicai a Tício quanto
lhe deva ser adjudicado).
d) CONBSMNATIO \u2014 E' a parte da fórmula pela
qual o juiz tem o poder de condenar ou absolver: \u2014 Iuãex
N. Negiãium. A. Agerio sestertium X milia conãemna: si
non paret, absolve \u2014 Juiz, condena N. Negídio a pagar dez
mil sestércios a A. Agerio; se não te parecer que deva pa-
gar, absolve.
O juiz devia estimar o valor da coisa, porque não po-
dia condenar, senão ao pagamento de uma quantia em di-
nheiro. A fórmula podia estabelecer que a condenação fosse
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COMPÊNDIO DE DIREITO ROMANO-I
fixada pelo juiz a quanti ea rés est erit, ou então, como acon-
tecia nas ações pretorianas, in "oonum et aequum concepías
a quantum pecuniam bonum aequum viáebitur, quod aequis
et melius erit.
A intentio é encontrada só nas ações prejudiciais,
onde se indaga se alguém é liberto, qual o valor de um dote;
a intentio seguida de condemnatio é o caso mais comum;
a ãemonstratio, a adiuãicatio e a conãemnatio nunca se en-
contram isoladamente, uma vez que é inútil a ãemonstratio
sem intentio e sem conãemnatio; ãemonstratio, intentio, ad-
iuãicatio, conãemnatio só se encontram reunidas nas ações
divisórias.
As "adiectiones" \u2014 As partes acessórias da fórmula \u2014
aáiectiones \u2014 são as prescrições e as exceções.
PHASSCRIPTIO 5 \u2014 A praescriptio é uma cláusula colocada
no princípio da fórmula, logo após a indicação do juiz, no in-
teresse do autor \u2014 pró actor e, ou do réu \u2014 pró reo. A prae-
scriptio actore permitia ao autor agir novamente para a
concretização completa de seu direito, de acordo com a litis
contestatio. A parte que tivesse obtido a transferência da pro-
priedade podia, apesar da regra lis de eadem se ne sit actio, in-
tentar a ação maio uma vez, para obter a garantia contra a
evicção.
A praescriptio pró reo impedia a aplicação dos efeitos
da litis contestatio, se o fato estabelecido na praescriptio
fosse verificado. Esta praescriptio em favor do réu foi subs-
tituída pela exceptio.