09_Balano_hdrico
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parte superior e pode voltar à atmosfera por evapotranspiração. Outra 
caminha em profundidade até atingir os lençóis freáticos e vai constituir o escoamento 
subterrâneo. 
 
Tanto o escoamento superficial como o escoamento subterrâneo vão alimentar direta ou 
indiretamente os lagos e oceanos através do desaguamento ou dos cursos de água que 
para lá escorrerão. 
 
O escoamento superficial constitui uma resposta rápida à precipitação e cessa pouco 
tempo depois dela. Já o escoamento subterrâneo, em especial quando se dá através de 
meios porosos, ocorre com grande lentidão e continua a alimentar o curso de água por 
longo tempo após ter terminado a precipitação que o originou. 
 
9.9 DRENAGEM PROFUNDA. 
Drenagem profunda é o movimento de água livre contida no solo que escoa 
pela ação da gravidade. 
A água em excesso, que escorre ou que se perde por drenagem profunda, é aquela que 
vai reabastecer os mananciais de água, como os rios, lagos, açudes e também o lençol 
freático. A drenagem profunda expressa o excesso de água que penetrou no volume 
através das chuvas ou irrigação. 
 
9.10 ARMAZENAMENTO DE ÁGUA NO SOLO. 
O solo é o armazenador e fornecedor de água e nutrientes às plantas. Por 
fenômenos de absorção e capilaridade, ele retém a umidade das chuvas 
que as plantas necessitam. 
 
Dependendo do conteúdo de água no solo, as plantas terão maior ou menor facilidade em 
extrair água. À medida que o solo seca, torna-se mais difícil para as plantas absorver a 
água. Isso porque vai aumentando a força de retenção. Por isso, nem toda água que o 
solo consegue armazenar está disponível às plantas. 
 
Em geral diz-se que em uma determinada região chove em média 1200 mm por ano. O 
que isso quer dizer? A água da chuva é medida por pluviômetros. Eles têm uma área de 
captação S (cm2) e coletam um volume V (cm3) de água durante uma chuva. A altura de 
chuva é h (cm) = V/S. Logo, se jogarmos 1 litro de água sobre uma superfície plana e 
impermeável de 1 m2, obteremos uma altura de 1 mm. Assim, 1 mm de chuva 
corresponde a 1 l/m2 e, portanto, 1200 mm a 1200 l/m2. Então, se toda a água que 
precipita nesta região não infiltrasse, nem escorresse ou evaporasse, ao final de 1 ano 
teríamos 1,2 m de água distribuídos por toda a área. 
 
Da mesma forma como no caso da chuva, a altura da água armazenada pelo solo 
também é medida em mm. Esta água independe da área e para o caso de uma superfície 
unitária, h = V. Tomemos, então, como superfície unitária o cm2 e consideremos o 
primeiro cm de profundidade do solo. Neste caso V=1 cm3 de solo com umidade \u3b81 (cm3 
de água por cm3 de solo e S = 1 cm2). Temos então um volume V igual a \u3b81 cm3 de água 
por cm3 e então \u3b81 = h1. Vejamos um exemplo: se 1 cm3 de solo tem \u3b8 = 0,35 cm3. cm-3, 
isto significa que naquele cm3 de solo cuja base é 1 cm2 temos 0,35 cm3 de água. 
Portanto, a altura de água é 0,35 cm ou 3,5 mm. 
 
Seguindo o mesmo raciocínio, o segundo cm de solo com umidade \u3b82 terá uma altura de 
água h2 = \u3b82 e assim por diante, de tal forma que o enésimo cm de água com umidade \u3b8n 
terá uma altura hn = \u3b8n. É lógico, portanto, que até uma profundidade L a altura de água 
armazenada é a soma de todas as camadas de 1 cm até L. Seja a quantidade de água 
armazenada até a profundidade L igual a AL, então: 
\u2211
=
\u3b8=
n
i
iLA
1
 
 
 
9.11. EQUAÇÃO SIMPLIFICADA DO BALANÇO HÍDRICO. 
O balanço hídrico pode ser calculado considerando uma situação onde o 
que entra no sistema é a água proveniente da precipitação, o que sai é 
devido a evapotranspiração real e o que percola está abaixo do alcance do 
sistema radicular da cultura. 
 
O balanço hídrico pode ser calculado da seguinte forma: 
St+1 = St + PREt \u2013 ETRt 
 
sendo S o armazenamento de água no solo disponível para as plantas (mm), PRE a 
precipitação (mm), t o tempo, e ETR a evapotranspiração real da vegetação (mm). 
 
9.12 CONSIDERAÇÕES FEITAS NO BALANÇO HÍDRICO 1 
No balanço hídrico considera-se que o armazenamento de água no solo 
varia entre o ponto de murcha e a capacidade de campo. O excesso, ou 
seja, a quantidade de água acima da capacidade de campo do perfil de 
solo, resulta na drenagem profunda ou no escoamento superficial. 
 
A diferença entre a capacidade de campo e ponto de murcha em função da profundidade 
radicular é definida como sendo a capacidade de água disponível no solo, a qual é 
estimada a partir de funções de pedo-transferência. Uma função de pedo-transferência é 
aquela que tem como argumento dados básicos que descrevem o solo (como por 
exemplo, o percentual de areia, de silte, de argila, o conteúdo de carbono, de matéria 
orgânica e outros), gerando como resultado a retenção de água no solo. 
 
9.13 CONSIDERAÇÕES FEITAS NO BALANÇO HÍDRICO 2 
Outra variável considerada no cálculo do balanço hídrico é a 
evapotranpiração real. 
 
Esta é obtida conforme metodologia sugerida pela FAO (Organização das Nações Unidas 
para Agricultura e Alimentação). De acordo com ela, a quantidade de água transpirada 
pela planta depende do armazenamento de água no solo. 
 
A FAO sugere utilizar uma função simples que leve em conta este efeito, através da 
definição da fração de água facilmente disponível, p. Neste conceito, admite-se que até 
que essa fração p da capacidade de água disponível (CAD) seja utilizada não há redução 
significativa na produtividade da cultura. 
 
Logo, define-se deficiência hídrica quando o armazenamento está abaixo da água 
disponível. No entanto, como o objetivo é evitar que as plantas sofram danos por 
deficiência hídrica, a condição limite para que isso não aconteça é considerar o 
armazenamento. 
 
9.14CONSIDERAÇÕES FEITAS NO BALANÇO HÍDRICO 3 
Á medida que a umidade do solo decresce haverá um ponto em que a 
evapotranspiração real torna-se menor do que a evapotranspiração 
potencial, o que estabelece uma relação linear entre o decréscimo de 
umidade do solo e o decréscimo da razão entre evapotranspiração real e 
evapotranspiração potencial. 
 
O coeficiente p indica a proporção do total de água disponível que pode ser transpirada a 
uma taxa potencial (ETR=ETP). Abaixo desse armazenamento, a ETR é proporcional ao 
armazenamento remanescente no perfil, isto é: 
 
p)(1 ADC.........A..........
p)(1 CAD
AETPETR
p)(1ADC..A..............................ETP.......ETR
\u2212\u2264\u2212=
\u2212>=
 
 
A fração p depende do tipo de solo, da sensibilidade do cultivo ao estresse hídrico e do 
valor de ETP. Para períodos decendiais e mensais, é necessário estimar a 
evapotranspiração real média levando em conta o número de dias em que ETP = ETR. 
 
Assim, as Equações de evapotranspiração real foram integradas nos dois casos. A seguir, 
apresentam-se as soluções da Equação de balanço para cada caso: 
 
Para p)(1 ADCA \u2212> \u21d2 ETR = ETP 
\u2206t ETP)(PREAA t1t \u2212+=+ 
Para )p(1 ADCA \u2212\u2264 \u21d2 
p)(1 CAD
AETPETR \u2212= 
COEF
\u2206t
t1t ].eA[PRE.COEFPRE.COEFA
\u2212
+ \u2212\u2212= 
em que 
ETP
CAD p)(1COEF \u2212= 
 
Assim sendo, a solução do balanço hídrico resultou das soluções da Equação de 
evapotranspiração acumulada no período, apresentada nos dois casos. 
 
 
9.15 CÁLCULO DO BALANÇO HÍDRICO. 
O cálculo do balanço hídrico é um indicativo da quantidade de água que 
permanece no perfil de solo, ou seja, a real umidade do solo. 
 
O balanço hídrico é calculado a partir das soluções da equação de 
evapotranspiração acumulada no período, ou seja, considerando as soluções da 
evapotranspiração para o armazenamento maior que a fração (1-p) CAD e, 
também, quando o armazenamento for menor ou igual a (1-p) CAD. 
 
É importante ressaltar que, o perfil de solo para fins do balanço hídrico deve 
coincidir com a profundidade do sistema radicular, pois o que interessa é a 
quantidade de água disponível para a vegetação natural e/ou as culturas 
agrícolas. 
 
ATIVIDADES 
Utilize a Internet e os links fornecidos para buscar mais informações sobre o 
balanço hídrico e como ele pode auxiliar na agricultura.