CASTANHA-DA-INDIA
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CASTANHA-DA-INDIA


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Insuficiência venosa crônica
A insuficiência crônica venosa é a síndrome resultante da obstrução ou incompetência das veias, 
que caracterizam-se, frequentemente, pela presença de varicosidades. As varicosidades, que são dilatação 
anormal das veias superficiais, tornando-se tortuosas e denominadas como varizes, facilmente visíveis, 
afetando principalmente a extremidades inferiores. Os sintomas associados a essa patologia variam desde 
dor, desconforto, pernas pesadas, inflamações trombóticas, alterações cutâneas e ulceração. A insuficiência 
crônica venosa é divida em três estágios. Aproximadamente 20% dos adultos desenvolvem veias com 
varicosidades, sendo um processo mais comuns em mulheres, ocorrendo principalmente durante a 
gestação, devido o aumento da pressão venosa na parte inferior das pernas durante este período1,2. A 
varicosidade está relacionada a ação de enzimas nos tecidos de sustentação dos vasos, 
consequentemente, seu enfraquecimento, facilita o estravazamento de liquido do lúmen venoso para os 
tecidos, causando o edema, dilatação venosa e que podem gerar complicações do tipo flebite e ulcerações. 
A terapia na forma de cirurgias é possível em somente alguns pacientes, existe também a terapia de 
compressão mecânica (meias elásticas), que causam desconforto e a farmacoterapia sintomática, utilizando 
antivaricosos1,2. A terapia tem como interesse a redução do edema local, redução da permeabilidade local, 
aumento do tônus venoso, redução da ação das enzimas lisossômicas, neutralização da inflamação. 
A terapia de produtos de origem vegetal é bastante comum nesta patologia, por mais que não se 
consiga evidência de maneira conclusiva de sua eficácia terapêutica. Misturas de fitofármacos como rutina, 
hesperidina, diosmina, cumarina é bastante comum, e, principalmente a associação com \u3b2-escina ou o 
próprio extrato de castanha-da-índia (Aesculus hippocastanum) é encontrada no mercado.
Castanha-da-índia
Sementes de castanha-da-índia (Aesculus hippocastanum): As 
sementes são esféricas ou aplanadas de tegumento marrom brilhante e 
apresentam um cotilédone grosso, carnoso e oleoso. Seu sabor é ácido e 
amargo. O tegumento externo também tem princípios ativos, mas a porção 
interna que é utilizada. Na parte interna, é rica em sais minerais, açúcares, 
heterosídeos flavônicos e saponinas triterpênicas, derivados da 
protoaescigenina e barringtogeniol (1), os derivados triterpênicos são 
conhecidos como escina, uma mistura complexa de saponinas, 
poliidroxiladas e ligadas ao açúcar na posição 3. Possuem também taninos 
e derivados cumáricos (2), estes últimos na forma heterosídica (esculosídeo 
e fraxosídeo).
 1 2
 Geninas triterpênicas de escina
Uso farmacêutico: As castanhas secas são normalmente utilizadas na forma de extrato hidroalcoólico 
(ESHC), que é concentrado a pressão reduzida e ajustada a concentração para 16-21% (m/m) de 
glicosídeos triterpenõides, calculada pela escina. A escina é considerada o principal constituinte ativo, na 
verdade, a mistura complexa de saponinas triterpênicas hidrossolúveis, denominada de \u3b2-escina. Vários 
estudos clínicos sinalizam o efeito do ESHC e a dosagem é ajustada pelo teor de escina. 
No tratamento de varicose, o uso oral de ESHC equivalente a 90-150mg de escina, podendo reduzir 
a dose posterior melhoria entre 35-70mg de escina/dose/dia.
Estudos feitos com pacientes em duplo cego (placebo e extrato), utilizando 600 mg/dia de ESHC, o 
equivalente a 100mg/dia escina, feito com mais de 200 pacientes, demonstrou uma significativa eficácia nos 
pacientes, quando comparados ao placebo2. Havendo redução no volume da perna. 
A eficácia de redução de edema de perna foi também avaliado comparativamente ao efeito das 
meias de compressão tipo II. Extratos de ESHC, padronizado com 50mg de escina foi utilizado duas vezes 
ao dia, 240 pacientes com insuficiência venosa crônica. Os pacientes foram tratados durante 12 semanas. 
Havendo redução do edema das pernas comparável as meias de compressão (vide figura abaixo)2.
1 Robbers, JE & Tyler, VE, Las hierbas medicinales de T}YLER \u2013 uso terapéutico de las fitomedicinas, Ed. 
Acribia, Zaragoza, España, edicion española, 2003.
2 Schulz, V., Hansel, R., Tyler VE, Fitoterapia racional \u2013 um guia de fitoterapia para as ciências da saúde, 
Ed. Manole, Barueri, Ed. Brasileira, 2002. 
O O
R1
HO
R2
R1= H e R2= O-glicose = Esculosídeo
R1= O-glicose e R2 = OCH3 = fraxosídeo
Planejamento do estudo e diferenças no volume da 
parte inferior da perna em função do tempo 
(semanas), em 240 pacientes com insuficiência 
venosa crônica. 
Compressão com meias tipo II. 
ESHC, extrato de castanha-da-índia (equivalente a 
50mg de escina, 2x ao dia). 
Placebo
Fonte: Schulz et al2
 A eficácia terapêutica dos extratos secos contra edemas de pernas e nos sintomas referentes a 
insuficiência venosa crônica é relacionado a extrato da semente (pó padronizado), ajustado ao conteúdo de 
16-20% de glicosídeos triterpênicos (calculado com escina anidra)2. 
Não há contra-indicações no seu uso, mas recentemente, chamou-se a atenção dos ESHC pelo seu 
conteúdo de cumarinas, 2, estas substâncias interagem com diferentes medicamentos, entre eles os 
anticoagulantes (heparina e warfarina) e inibidores da agregação plaquetária (AAS e extratos de Ginkgo 
biloba) Em extratos a base de castanha-da-índia produzidos na Europa estão sendo eliminadas as 
cumarinas, por considerarem tóxicas3. 
Trabalhos recentes demonstraram o efeito como co-adjuvante de preparados de escina na 
terapêutica antiinflamatória, associada a glicocorticoides. A terapêutica antiinflamatória com corticoides é 
bastante conhecida e, principalmente, por seus efeitos colaterais indesejáveis. Xin e colaboradores 
demonstrou que associação de glicocorticoides com escina foi mais eficientes que estes fármacos isolados4. 
Em pacientes masculinos com infertilidade causada pela varicocele observou-se uma melhoria na 
fertilidade pela observação do espermograma. 219 homens, em idade fértil, mas com infertilidade 
comprovada devido a varicocele foram divididos e submetidos a dose diária de escina, 60 mg (30mg x2), 
durante 2 meses. Pacientes foram comparados entre placebo, submetidos a cirurgia de correção da 
varicocele e uso de escina e tiveram o aumento da densidade da densidade de esperma na relação, 38,5%, 
68,7% e 57,5%, respectivamente5. 
Outros trabalhos tem demonstrado o efeito antioxidante da mistura complexa de escina da 
castanha-da-índia6. 
Uma associação interessante e disponível no mercado farmacêutico é descrita abaixo, como voce 
justificaria essa associação?
Cada drágea contém:
Rutina..........................................................................................................................................................................300mg
Extrato Seco de castanha-da-India.............................................................................................................................100mg
Extrato Seco de Miroton (extratos secos estandardizados dos glicosídeos totais de Adonai vernalis, Convallaria majalis, 
Nerium oleander, Scila marítima. var.alba)..............................................................................................................150 UC*
* Unidades Cobaio 
3 Bhattaram et. al., Pharmacokinetics and Bioavailability of Herbal Medicinal Products, Phytomedicine, 9, 
1-33, 2002. 
4 Xin et al., Escin exerts synergistic anti-in\ufb02ammatory effects with low doses of glucocorticoids in vivo and 
in vitro, Phytomedicine (2010), doi:10.1016/j.phymed.2010.08.013 
5 Fang, et al., Escin improves sperm quality in male patients with varicocele-associated infertility, 
Phytomedicine, 17, 192-196, 2010.