CCJ0006-WL-PA-16-Direito Civil I-Novo-15841
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-se com essa categoria, pois a matéria presta -se a vôos mais profundos na teoria geral do direito. 
Quando existe por parte do homem a intenção especí\ufb01ca de gerar efeitos jurídicos ao adquirir, resguardar, transferir, modi\ufb01car ou ex\u19fnguir direitos, estamos diante do negócio 
jurídico. Tais atos nosso Código Civil de 1916 denominava atos jurídicos, de acordo com o art. 81 (ver art. 185 da nova Lei Substan\u19fva Civil); a moderna doutrina prefere denominá-
los negócios jurídicos, por ver neles o chamado intuito negocial. Assim, serão negócios jurídicos tanto o testamento, que é unilateral, como o contrato, que é bilateral, negócios 
jurídicos por excelência.  
Quem faz um testamento, quem contrata está precipuamente procurando a\u19fngir determinados efeitos jurídicos. Desses atos brotam naturalmente efeitos jurídicos, porque essa é a 
intenção dos declarantes da vontade. Já nos atos meramente lícitos não encontramos o chamado intuito negocial. Neste úl\u19fmo caso, o efeito jurídico poderá surgir como 
circunstância acidental do ato, circunstância esta que não foi, na maioria das vezes, sequer imaginada por seu autor em seu nascedouro. 
Nosso legislador de 1916 não atentou para essas diferenças, limitando -se a de\ufb01nir o que entende por ato jurídico, sem mencionar a expressão negócio jurídico. 
Os atos ilícitos, que promanam direta ou indiretamente da vontade, são os que ocasionam efeitos jurídicos, mas contrários, lato sensu, ao ordenamento. No campo civil, importa 
conhecer os atos contrários ao Direito, à medida que ocasionam dano a outrem. Só nesse sen\u19fdo o ato ilícito interessa ao direito privado. Não tem o Direito Civil a função de punir o 
culpado. Essa é a atribuição do Direito Penal e do Direito Processual Penal. Só há interesse em conhecer um ato ilícito, para tal conceituado como ilícito civil, quando há dano 
ocasionado a alguém e este é indenizável. Dano e indenização são, portanto, um binômio inseparável no campo do direito privado. Por essa razão, o campo da ilicitude civil é mais 
amplo do que o da ilicitude penal. Só há crime quando a lei de\ufb01ne a conduta humana como tal. Há ato ilícito civil em todos os casos em que, com ou sem intenção, alguém cause 
dano a outrem. 
Há situações em que existe a intenção de pra\u19fcar o dano. Tem-se aí o chamado dolo. Quando o agente pra\u19fca o dano com culpa, isto é, quando seu ato é decorrente de imprudência, 
negligência ou imperícia, e decorre daí um dano, também estaremos no campo do ilícito civil. O ato ilícito, nessas duas modalidades, vinha descrito no art. 159 do Código Civil de 
1916: "Aquele que, por ação ou omissão voluntária, negligência, ou imprudência, violar direto, ou causar prejuízo a outrem, \ufb01ca obrigado a reparar o dano". O presente Código, no 
art. 186, mantém a mesma idéia: "Aquele que, por ação ou omissão voluntária, negligência ou imprudência, violar direito e causar dano a outrem, ainda que exclusivamente moral, 
comete ato ilícito."  
O vigente diploma, ainda consagra a possibilidade de indenização do dano exclusivamente moral, como autorizou a Cons\u19ftuição de 1988, subs\u19ftui a par\u1a1cula alterna\u19fva "ou" 
presente no Código an\u19fgo, pela adi\u19fva "e". Desse modo, na letra da nova lei, não basta violar direito, como estampava o an\u19fgo estatuto, é necessário que ocorra o dano a outrem. A 
matéria dará, sem dúvida, azo a crí\u19fcas e a várias interpretações, como estudaremos no volume dedicado exclusivamente à responsabilidade civil.  
Trata-se, em ambas as situações, de qualquer modo, da responsabilidade civil. Na culpa ou no dolo, a vontade está presente, ainda que de forma indireta, como no caso de culpa. 
Há situações em que, mesmo na ausência de vontade, mas perante o dano, ocorre o dever de indenizar. São os casos da chamada responsabilidade obje\u19fva, criados por necessidade 
social, como nos acidentes de trabalho. 
Ato-fato jurídico 
O Ato-Fato Jurídico é um fato jurídico quali\ufb01cado pela atuação humana. É um ato humano, com substancia de fato jurídico, não sendo relevante para norma se houve, ou não, 
intenção de pra\u19fcá-lo. É um "fato humano", onde a relevância é atribuída à conseqüência do ato e não a vontade humana. A doutrina os divide em atos reais , atos -fatos 
indeniza\u19fvos e atos jurídicos caduci\ufb01cantes . 
É importante salientar, que esta espécie do fato jurídico em sen\u19fdo amplo, não possui uma regra especí\ufb01ca no Direito Civil. Talvez seja por esse mo\u19fvo que o ato-fato jurídico seja 
pouco lembrado pela doutrina, apesar de ser uma das espécies do fato jurídico (gênero) capazes de gerar o dever de indenizar. 
A ação humana, quali\ufb01cada pela relevância da vontade do ato pra\u19fcado, pode ser classi\ufb01cada em lícita ou ilícita. A conduta humana pode ser, portanto, obediente ou 
contraveniente à ordem jurídica. O indivíduo pode conformar -se com a as prescrições legais, ou proceder em desobediência a elas. 
Os atos lícitos são aqueles que guardam conformação com o direito. Já os atos lícitos são diametralmente opostos aos atos lícitos, são contrários ao direito. 
A ações humanas lícitas se subdividem em ato jurídico stricto sensu e em negócio jurídico. 
O Ato Jurídico stricto sensu são ações humanas lícitas que geram efeitos previstos em lei. Ele é caracterizado pela sua manifestação da vontade limitada. 
O ato jurídico em sen\u19fdo estrito, reconhecido por inúmeros doutrinadores de escol, cons\u19ftui simples manifestação de vontade, sem conteúdo negocial, que determina a produção de 
efeitos legalmente previstos. 
Neste \u19fpo de ato, não existe propriamente uma declaração de vontade manifestada com o propósito de a\u19fngir, dento do campo da autonomia privada, os efeitos jurídicos 
pretendidos pelo agente (como no negócio jurídico), mas sim um simples comportamento humano de\ufb02agrador de efeitos previamente estabelecidos em lei. 
O ato jurídico , apenas realiza o fato descrito no \u19fpo legal, ou seja, ele se adequa a discrição fá\u19fca legal, produzindo os efeitos previstos em lei. Nada impede portanto que a 
adequação \u1a1pica do ato jurídico stricto sensu gere, como conseqüência, o dever de reparar o dano causado. 
Esta espécie de fato jurídico se subdivide em atos materiais e par\u19fcipações. Os ato materiais ou reais, são os atos nos quais existe uma vontade consciente na origem da a\u19fvidade 
humana, mas o mesmo não ocorre na produção dos seus efeitos, ou seja, existe uma vontade na produção de um ato, mas não obje\u19fvando a produção de seus efeitos, os quais são 
produzidos sem o seu querer. Já as par\u19fcipações são "atos de mera comunicação, dirigidos a determinado des\u19fnatário, e sem conteúdo negocial. " (9) 
Este ins\u19ftuto jurídico, não foi regulado na parte geral do Código Civil de 1916, apenas foi lembrado em normas isoladas na parte especial. Já o novo Código Civil de 2002, regulou de 
forma genérica os atos jurídicos em sen\u19fdo estrito, aplicando, no que couber, as normas genéricas dos negócios jurídicos. 
Negócio Jurídico 
Tem origem na doutrina alemã e foi assimilado pela Itália e posteriormente por outros países. Fundamentalmente, consiste na manifestação de vontade que procura produzir 
determinado efeito jurídico, embora haja profundas divergências em sua conceituação na doutrina. Trata -se de uma declaração de vontade que não apenas cons\u19ftui um\ufffd\ufffdato livre, 
mas pela qual o declarante procura uma relação jurídica entre as várias possibilidades que oferece o universo jurídico. Inclusive, há ponderável doutrina estrangeira que entende 
que o negócio jurídico já é uma conceituação superada, tendo em vista o rumo tomado pelos estudos mais recentes (Ferri, 1995:61). Há, sem dúvida, manifestações de vontade que 
não são livres na essência, mormente no campo contratual, o que di\ufb01culta a compreensão original do negócio jurídico.  
É, contudo, no negócio jurídico, até que se estabeleça nova conceituação, onde repousa a base da autonomia da vontade, o fundamento do direito privado. Não obstante as crí\u19fcas 
que sofre, a doutrina do negócio jurídico demonstra ainda grande vitalidade no direito ocidental, mormente na Itália, Alemanha e França.