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DisciplinaGeografia Econômica1.289 materiais18.714 seguidores
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\u201cdesonestidade\u201d, \u201cassertiva mentirosa\u201d, \u201caquela citação mentirosa\u201d,
\u201cmentira deslavada\u201d, \u201cuma citação completamente forjada\u201d, \u201cesta fal-
sificação\u201d, \u201csimplesmente infame\u201d etc., considera necessário deslocar a
questão para outro terreno e promete, portanto, \u201cexplicar num próximo
artigo o sentido que nós (o não-\u201dmentiroso" Anônimo) damos ao conteúdo
das palavras de Gladstone". Como se essa sua opinião sem autoridade
tivesse o mínimo a ver com a coisa! Esse segundo artigo está no Con-
córdia de 11 de julho.
Marx respondeu mais uma vez no Volksstaat de 7 de agosto,
trazendo os relatos do Morning Star e do Morning Advertiser 73 de 17
de abril de 1863. De acordo com ambos, Gladstone diz que veria com
preocupação etc. esse aumento embriagador de riqueza e poder se o
acreditasse limitado às classes realmente abastadas (classes in easy
circunstances). Mas que esse aumento estaria realmente limitado a
classes possuidoras de propriedades (entirely confined to classes pos-
sessed of property). Portanto, também esses relatos reproduzem de modo
literal a frase considerada \u201cmentirosamente acrescentada\u201d. Além disso,
confrontando os textos do Times e de Hansard, Marx novamente cons-
tatou que nos relatos de três jornais, independentes entre si, publicados
na manhã seguinte, estava a mesma frase como tendo sido realmente
dita, faltando ela no texto de Hansard porque revisto segundo o notório
\u201ccostume\u201d, ou seja, Gladstone \u201cescamoteou-a posteriormente\u201d, segundo
as palavras de Marx, que, para concluir, declarava não ter mais tempo
para perder com o Anônimo. Este parecia também estar saturado; ao
menos não foram enviados a Marx números posteriores do Concórdia.
Com isso, a coisa parecia estar morta e enterrada. Desde então
chegaram-nos, no entanto, uma ou duas vezes, por meio de pessoas
que tinham relações com a Universidade de Cambridge, rumores quanto
a um inominável crime literário que Marx teria cometido em O Capital;
mas, apesar de todas as nossas investigações, nada se conseguiu apurar
de concreto. De repente, em 26 de novembro de 1883, oito meses depois
da morte de Marx, apareceu no Times uma carta, oriunda do Trinity
College, Cambridge, e assinada por Sedley Taylor, na qual o homen-
zinho, que mexe com o tipo mais inofensivo de cooperativismo, de súbito,
inoportunamente, lançou-nos luz afinal não só sobre a boataria de Cam-
bridge, como também sobre o Anônimo do Concórdia:
\u201cO que parece extraordinário ao extremo\u201d, diz o homenzinho
do Trinity College, \u201cé ter sido reservado ao prof. dr. Brentano
(na ocasião, em Breslau, hoje, em Estrasburgo) (...) revelar a
Mala fides que, evidentemente, ditou aquela citação do discurso
de Gladstone na oração\u201d (inaugural). \u201cO sr. Karl Marx, que (...)
procurou defender a citação, teve a audácia de afirmar \u2014 em
OS ECONOMISTAS
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73 Morning Star. Estrela da Manhã. \u2014 Morning Advertiser. Anunciador da Manhã. (N. dos T.)