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DisciplinaLaboratório de Leitura e Interpretação de Textos16 materiais134 seguidores
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UFF \u2013 Laboratório de leitura e interpretação de textos 
Tópico 3 \u2013 Argumentação no gênero acadêmico
TIPO TEXTUAL ARGUMENTATIVO: MÉTODOS DE RACIOCÍNIO E TIPOS DE ARGUMENTOS
Conhecendo os métodos de raciocínio
Os principais métodos de raciocínio empregados na formulação de argumentos, são: o raciocínio indutivo e o raciocínio dedutivo.
A palavra \u201cmétodo\u201d significa um conjunto de procedimentos que conduzem a um determinado objetivo. No texto argumentativo, esses métodos conduzem à formulação de justificativas sólidas que embasam a tese, por meio de operações lógicas. Veja a seguir os principais métodos de raciocínio que você pode empregar na construção de seu texto.
Método indutivo \u2013 esse método parte de afirmações particulares para chegar a uma conclusão maior, de cunho geral. No entanto deve ter cuidado para não criar uma generalização falsa, o que desrespeita o princípio de relação (um texto coerente deve apresentar o que se convencionou chamar de coerência externa, a adequação à realidade de que fala. Não deve, pois, fazer afirmações falsas sobre a realidade). Assim, ao selecionar os fatos em relação aos quais você vai traçar uma lei universal, tome cuidado para não afirmar algo que não se aplica a todos os casos. 
Veja agora como o método indutivo pode ser usado na formulação de argumentos, observando o trecho abaixo, retirado de um texto de Salvatore Santagada.
O filme Central do Brasil, de Walter Salles, tem como protagonista a professora aposentada Dora, que ganha um dinheiro extra escrevendo cartas para analfabetos na Central do Brasil, estação ferroviária do Rio de Janeiro. Outra personagem é o menino Josué, filho de Ana, que contrata os serviços de Dora para escrever cartas passionais para seu ex-marido, pai de Josué. Logo após ter contratado a tarefa, Ana morre atropelada. Josué, sem ninguém a recorrer na megalópole sem rosto, sob o jugo do estado mínimo (sem proteção social), vê em Dora a única pessoa que poderá levá-lo até seu pai, no interior do sertão nordestino. (...)
No filme, a grande questão do analfabetismo está acoplada a outro desafio, que é a questão nordestina, ou seja, o atraso econômico e social da região. Não basta combater o analfabetismo, que, por si só, necessitaria dos esforços de, no mínimo, uma geração de brasileiros para ser debelado, pois, em 1996, o analfabetismo da população de 15 anos e mais, no Brasil, era de 13,03%, representando um total de 13,9 milhões de pessoas. Segundo a UNESCO, o Brasil chegaria ao ano 2000 em sétimo lugar entre os países com maior número de analfabetos.
No Brasil, carecemos de políticas públicas que atendam, de forma igualitária, a população, em especial aquelas voltadas para as crianças, os idosos e as mulheres. A permanência da questão nordestina é um exemplo constante das nossas desigualdades, do desprezo à vida e da falta de políticas públicas que atendam aos anseios mínimos do povo trabalhador. Não saber ler nem escrever, no Brasil, é um elemento a mais na desagregação dos indivíduos que serão párias permanentes em uma sociedade que se diz moderna e globalizada, mas que é debilitada naquilo que é mais premente ao povo: alimentação, trabalho, saúde e educação. Sem essas condições básicas, praticamente se nega o direito à cidadania da ampla maioria da população brasileira.
Os ensinamentos que podemos tirar de Central do Brasil são que devemos atacar a questão social de várias frentes, em especial na educação de todos os brasileiros, jovens e velhos; lutar por políticas públicas de qualidade que direcionem os investimentos para promover uma desconcentração regional e pessoal da renda no país, propugnando por um novo modelo econômico e social.
Esse é um texto predominantemente argumentativo sobre a questão do analfabetismo, embora sua introdução tenha sido dedicada à descrição do filme Central do Brasil. Longe de constituir um desvio ao tema, essa breve sinopse do roteiro, acompanhada por rápida apresentação das personagens, desempenha papel importante na construção da argumentação do texto. 
Ao chamar atenção para um caso específico, mesmo que fictício, de problemas sociais atrelados ao analfabetismo, o autor apresenta um exemplo claro e particular de uma ideia mais geral, que apresenta no último parágrafo, como conclusão ao texto: \u201cOs ensinamentos que podemos tirar de Central do Brasil são que devemos atacar a questão social de várias frentes, em especial na educação de todos os brasileiros, jovens e velhos; lutar por políticas públicas de qualidade que direcionem os investimentos para promover uma desconcentração regional e pessoal da renda no país, propugnando por um novo modelo econômico e social\u201d.
Assim, a referência ao filme é apresentada como um argumento de natureza mais específica, em vistas a traçar, na conclusão, uma generalização ao que foi dito sobre a questão do analfabetismo na obra de Walter Salles. Assim, o autor do texto estendeu aos demais casos de analfabetismo o que Central do Brasil apresenta em um contexto mais específico. Salvatore Santagada empregou, pois, o método indutivo em sua argumentação, pois partiu do particular (caso de analfabetismo em Central do Brasil) para o geral (analfabetismo em geral).
Método dedutivo \u2013 esse método parte de uma afirmação mais geral para chegar a conclusões mais específicas, aplicando essa regra mais genérica a casos particulares. Esse método tem a vantagem de que, caso a afirmação geral esteja correta, as conclusões sempre estarão corretas.
Veja agora como o método dedutivo pode ser empregado na condução da argumentação, observando o trecho abaixo, retirado do artigo \u201cDireito de morrer ou direito à dignidade?\u201d, de Daniele Carvalho.
No início da semana, uma menina inglesa, de apenas 13 anos, foi notícia no mundo. Hannah Jones teve leucemia e os fortes remédios ingeridos desde os 5 anos de idade enfraqueceram seu coração. Hannah precisaria passar por uma cirurgia para tentar evitar a morte, mas teria poucas chances de sucesso. Além disso, se sobrevivesse, a adolescente teria que se submeter a cuidados médicos intensivos pelo resto da vida. Hannah optou por não fazer a cirurgia e disse que prefere morrer com dignidade. O hospital onde ela estava internada entrou com um processo na Justiça para obrigá-la a fazer a operação. Após ser examinada por uma assistente social, o hospital desistiu da causa, dando à menina o direito de morte e de voltar para casa. 
No caso de uma criança ou adolescente, as doenças terminais ficam ainda mais complexas. De acordo com a legislação, os pais são responsáveis legais dos seus filhos até completarem a maioridade, aos 18 anos, interferindo em qualquer tipo de atitude que possa influenciar suas vidas. Embora os pais de Hannah tenham apoiado sua decisão, foi a própria menina que fez a escolha. Segundo o bioeticista e chefe da Divisão Técnico-Científica do INCA, Dr. Carlos Henrique Debenedito, as crianças tem após os 8 anos um desenvolvimento cognitivo, ou seja, uma capacidade de ouvir e compreender. \u201cA partir desta idade, são capazes de ter uma posição definida sobre qualquer assunto, mesmo que o raciocínio dependa de tirar dúvidas para esclarecer questões na mente. O grau de maturidade intelectual nessa idade permite uma decisão consciente e, no caso da menina britânica, acredito que tudo deve ter sido bem esclarecido para que ela pudesse resolver sua própria vida\u201d.
Nesse trecho, a autora do artigo cita a fala do Dr. Carlos Henrique Debenedito, que apresenta seu ponto de vista sobre o caso da menina Hannah Jones. Veja que, antes de o biocientista posicionar-se diante desse caso específico, seu raciocínio parte de uma afirmação mais ampla, que se refere a todas as crianças após os oito anos de idade: \u201cA partir desta idade, são capazes de ter uma posição definida sobre qualquer assunto, mesmo que o raciocínio dependa de tirar dúvidas para esclarecer questões na mente. O grau de maturidade intelectual nessa idade permite uma decisão consciente\u201d.
Só depois de fazer uma afirmação de natureza mais geral, o chefe da Divisão Técnico-Científica