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DIREITO CIVIL I
SEMANA 4 AULA 8
O direito geral de personalidade 
Para os que defendem a idéia de um só direito geral da personalidade, este tem a função de uma lex generalis da ordem jurídica (é o caso do direito português) em relação a outros especiais direitos de personalidade, como por exemplo, o direito ao nome, os quais são leges speciales. 
O direito geral da personalidade é um direito-mãe e aplica-se subsidiariamente aos direitos especiais de personalidade, nas hipóteses não reguladas por estes.
A distinção entre direitos 
fundamentais e direitos de personalidade 
Ascensão ensina que: \u201cNão são termos equivalentes.Os direitos da personalidade são aqueles direitos que exigem em absoluto reconhecimento, porque exprimem aspectos que não podem ser desconhecidos sem afetar a própria personalidade humana.O acento dos direitos fundamentais é diferente. Demarcam muito em particular a situação dos cidadãos perante o Estado. É assim a categoria cidadão que está em causa. 
Direitos da Personalidade \u2013 Foram criados para proteger os indivíduos de si mesmos e de terceiros (direito privado).
Direitos Fundamentais \u2013 Foram criados para proteger os indivíduos do Estado (direito público).
Essa distinção já não faz muita diferença. Atualmente, prevalece a idéia de uma proteção unificada da pessoa humana.
Direitos de personalidade na 1a. Constituição
A Constituição Federal brasileira de 1891 continha uma seção Declaração de Direitos: com inspiração nas históricas declarações dos direitos do homem e do cidadão e no título \u201cDos cidadãos brasileiros\u201d, os direitos eram assegurados \u201ca brasileiros e estrangeiros residentes no país\u201d (art. 72). A preocupação é claramente a da limitação dos poderes do Estado em relação aos cidadãos; não é de modo algum a defender a personalidade humana. Assim declarava abolida a pena de morte (§ 21), mas não consagrou o direito à vida. (Ascensão)
Classificação:  Direitos à integridade física.  Exemplo: direito à vida, ao corpo,etc.  Direitos à integridade moral.  Exemplo: direito à imagem, honra, etc.
Características dos direitos da personalidade
A) são absolutos, isto é, são oponíveis contra todos (erga omnes), impondo à coletividade o dever de respeitá-los; 
B) generalidade, os direitos da personalidade são outorgados a todas as pessoas, pelo simples fatos de existirem; 
C) extrapatrimonialidade, os direitos da personalidade não possuem conteúdo patrimonial direto, aferível objetivamente; 
D) indisponibilidade, nem por vontade própria do indivíduo o direito da personalidade pode mudar de titular;
 E) imprescritibilidade, inexiste um prazo para seu exercício, não se extinguindo pelo seu não-uso; 
F) impenhorabilidade, os direitos da personalidade não são passíveis de penhora; e, 
G) vitaliciedade, os direitos da personalidade são inatos e permanentes, acompanhando a pessoa desde seu nascimento até sua morte.
Direitos da personalidade na Constituição de 1988
Na Constituição Federal de 1988, foram acolhidos, tutelados e sancionados, adotando da dignidade da pessoa humana, como princípio fundamental que justifica e admite os demais direitos e garantias da personalidade, expressos no art. 5.X, que diz:
Art. 5º. Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: 
X - são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurado o direito à indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação;
            Os direitos da personalidade são pluridiscilinares. Não se pode dizer, no estágio atual, que eles situam-se no direito civil ou no direito constitucional, ou na filosofia do direito, com exclusividade. 
Sua inserção na Constituição deu-lhes mais visibilidade, mas não os subsumiu inteiramente nos direitos fundamentais. 
Do mesmo modo, a destinação de capítulo próprio do novo Código Civil brasileiro, intitulado "Dos Direitos da Personalidade", não os fazem apenas matéria de direito civil. 
O estudo unitário da matéria, em suas dimensões constitucionais e civis, tem sido melhor sistematizado no direito civil constitucional, apto a harmonizá-las de modo integrado.
Dimensões constitucionais e civis dos direitos da personalidade
Os direitos da personalidade no Código Civil
Uma das mais festejadas mudanças da parte geral do novo Código Civil Brasileiro consiste na inserção de um capítulo próprio, a tratar dos direitos da personalidade (arts. 11 a 21). Na realidade, não se trata bem de uma novidade, tendo em vista a Constituição Federal trazer uma proteção até mais abrangente, principalmente no seu art. 5º, caput, que consagra alguns dos direitos fundamentais da pessoa natural
No ordenamento jurídico brasileiro, o Código Civil em vigor faz, em seus artigos 11 e 12, uma tentativa de tutela do Direito Geral da Personalidade:
Art. 11 \u2013 Com exceção dos casos previstos em lei, os direitos da personalidade são intransmissíveis e irrenunciáveis, não podendo seu exercício sofrer limitação voluntária.
Art. 12 \u2013 Pode-se exigir que cesse a ameaça ou lesão, a direito de personalidade, e reclamar perdas e danos, sem prejuízo de outras sanções previstas em lei\u201d.
Trata-se de iniciativa interessante, que peca, no entanto, por afirmar a irrenunciabilidade do exercício dos direitos da personalidade, ou seja, tais direitos não podem sofrer limitação voluntária, nem mesmo em se tratando de mero exercício.
Como já se afirmou, o artigo 11 nega a possibilidade de limitação voluntária do Direito da personalidade.
Assim, o artigo 13 proíbe a disposição do próprio corpo, salvo em caso de exigência médica ou no caso de doação de órgãos e tecidos post mortem.
VILLELA afirma, sobre esse artigo, que a exigência médica pode-se dar nos campos físico e/ou psíquico. Essa foi a solução teórica, encontrada pelo doutrinador, com vistas a facilitar, legalmente, as operações de transexualidade, que visam à harmonização entre sexo físico e somático, o que seria, em tese, vedado.
Direito importante de identificação da personalidade humana (direito moral da personalidade), uma vez que se trata do elo entre o indivíduo e a sociedade, é aquele constante do art. 16: \u201cToda pessoa tem direito ao nome, nele compreendidos o prenome e o patronímico\u201d. O registro do nome continua disciplinado pela Lei n. 6.015/ 73 (Lei de Registros Públicos).
A disposição do art. 17 provoca certo espanto pela originalidade com a qual se inscreve (\u201cO nome da pessoa não pode ser empregado por outrem em publicações ou representações que a exponham ao desprezo público, ainda quando não haja intenção difamatória\u201d). Aqui deseja o legislador conferir ampla proteção à pessoa humana em face dos ataques, comuns e quotidianos, contra a honra (subjetiva e objetiva), por meio do uso do nome em publicações ou exposições, mesmo com intenções não difamatórias
No art. 20 encontra-se disposição versando diretamente sobre o direito à honra. Leia-se: \u201cSalvo se autorizadas, ou se necessárias à administração da justiça ou à manutenção da ordem pública, a divulgação de escritos, a transmissão da palavra, ou a publicação, a exposição ou a utilização da imagem de uma pessoa poderão ser proibidas, a seu requerimento e sem prejuízo da indenização que couber, se lhe atingirem a honra, a boa fama ou a respeitabilidade, ou se se destinarem a fins comerciais\u201d. O direito à honra (direito moral da personalidade), com projeções em vida e post mortem, que visa à tutela das projeções da pessoa humana em sociedade, é passível de ser lesado por qualquer meio, seja ele escrito, verbal ou sonoro, tendo-se o legislador prevenido para promover a proteção do mesmo em toda a sua amplitude.
Outra disposição de forte caráter principiológico e instrumental no Novo Código é aquela contida no art. 21, que reza, acerca do direito à vida privada, à privacidade, à reserva, ao estar só, à intimidade e ao recato (direito psíquico