Robert Alexy - Teoria dos Direitos Fundamentais (Cap. 3)
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Robert Alexy - Teoria dos Direitos Fundamentais (Cap. 3)


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"valor".. JUg -esté çm conc-ordânçia
não ap"nas com considerações sistemátiqas, 44s.com-o-p1óprio 999
* 
çõf,oqúiat d_a tipguagèm, Ainda que soasse um pouco pomposo, não
seria incorreto dizeique um dos carros esú mais à altura do valor se-
gurança que o outro; mas ninguém diria que um dos carros á um
maioivaiot qu" o outro. No contexto jurídico, sempre um pouco mais
abstrato, é normal drzet que uma regulação respeita em maior medida
o valor da liberdade de imprensa que outra.
Uma valoração pode se basear em um ou mais critérios de valo-
ração. Quem classifica um caÍïo como "bom'', e fundamenta essa
cússificàção exclusivamente no fato de que ele é seguro, fazumava-
loração báseada em apenas um critério. O critério da segurança pode
,", ir""nchido em diferentes medidas por diferentes cÍìÍïos. Isso abre
divêrsas possibilidades de ordenação classificatória com base em ape-
nas um rãtétio. É possível, por exemplo, classificar como "bons" todos
oS cãïos que, em comp ataçáo com outros cÍtÍTos' demonstrem um gratl
relativamente elevadode segurança; ou todos os caffos a partir de unr
determinado grau de segurança, que não se baliza no alcançado ató
entãol ou, e essa é a forma rigorosa de avaliação, somente aqueles cal'
ros que ofereçam o máximo de segurança imaginável. Valorações basea
das óm apenas um critério podem ter um certo traço de fanatismo.
Em geral, valorações baseiam-se em diversos critérios, entre tts
quais é nêcessário sopesar, porque esses critérios competem entrc si
A classificação como "bom" é,, entáo, expressãO de uma valoraçltt'
global. A apiicação de critérios de valoração entre os quais é necessrr
,io ,op"r* .ooêrponde à aplicação de príncípios. Daqui em diitrtlt'
serão õlassificadoJcomo critérios de valoração somente aqueles ct'itt'
rios que sejam passíveis de sopesamento. Seu contraponto são os ('rl
térios de valoração que, como as regras, são aplicáveis independcttlt'
mente de sopesâm"ttto. Esses critérios serão chamados de regrtt'\ rlr
valoração. Nas ordenações classificatórias baseadas em apenils ttttt
critério, como as mencionadas anteriormente, pressupõe-se üm tipo rlt=
regra de valoração que tem a seguinte forma: sempre que um ('rrtrrl
apresenta um grau dé segurança i, ele é bom. Com base nessa l'cglrllt=
valoração, o preenchimento de um critério de valoração em rllìì I'tírrl
AESTRUTURADAS NORMAS DE DIREITOS FTINDAMENIAIS I5I
determinado é um motivo suficiente para a classificação definitivacomo "bom". Em geral, as regras de válo ração englobú u,ario, pr"r_supostos. Elas têm, por isso, a seguinte forrna: se.r apresenta as carac_terísticas Fr, ... Fo, então, r é bom. Regras de valoração desse tipo sãocomo as regïas definidas no sentido apresentado anteriormente.rTa Adiferença estrutural 
:ntre regras e princípios também se verifica, por_tanto, no nível axiológico. Aos princípio, 
.oo"rpondem os critérios devgloraçã9; às regras, as regras de valóração. se, como mais uma preci_
são terminológica, é acrescentado que somente os critérios de valoìaçaopofem ser designados como "valãres", então, é possível fazer a se_guinte divisão, que utiliza o termo..Írorma,, como supraconceito:
=#-
norïna
norÍna deontológica
regra princípio
nonna axiológica
. / \
. / \
regra de
valoração
critério de
valoração
(valor)175
É facilmente demonstrável que também os juízos métricos der podem ter critérios de valoração como base. õ gruu de segurança
um cano pode ser expresso em uma escara de o ã r. a""--;i#;t a um ciÌrro conesponde um valor de segurança de 0,7 pode, dessa
TEORIA DOS DIREITOS FUNDAMENTAIS
forma, realizat, com meios métricos, uma valoração a partlr do crité-
rio ou do valor "segurança". No direito constitucional metrificações
são de pouca ou nenhuma valia, como ainda será analisado mais adian-
te. Para resolver um sopesamento entre a liberdade de imprensa e a
segurança nacional por meio de uma metrificação seria necessário que
às alternativas de decisão fossem atribuídos valores numéricos com-
paráveis e, com isso, calculáveis. De pronto, deve-se afirmar que uma
tal metrificação não é possível no direito constitucional.
Das três formas de juízos de valor, são os juízos comparativos que
têm a maior importância para o direito constitucional. A relação
entre eles e os critérios de valoração conduz à definição da relação entre
princípio e valor. Com base no critério de valoraçáo "liberdade de im-
prensa", uma situaçáo Zr, na qual a liberdade de imprensa é teahzada
em maior grau que em Z'r,, deve ser valorada como melhor que 2r.116 A
medida mais elevada não precisa ser exprimível em números. E pos-
sível que Z, possa realizar a liberdade de imprensa em maior medida
que Z, porque Z, é caractenzada pot circunstâncias que não estão
presentes em Zr. Assim é que a situação Zr, na qual o segredo de re-
dação é protegido de forma ilimitada, deve ser valorada, a partir do
critério de valoração "liberdade de imprensa", como melhor que uma
situação semelhante Zr, na qual essa proteção não ocorre. A partir do
critério de valoração "segurunça nacional" pode Ser que o contrário
ocoÍra. Como não se pode renunciar a nenhum dos dois critérios de
valoração, e como não é possível um cálculo baseado em uma metri-
ficação, resta apenas o sopesamento. Isso significa, contudo, que uma
176. lJm enunciado como "quanto mais liberdade de imprensa houver, me
lhor" expressa o critério de valoração ou o valor da liberdade de imprensa caso seja
compreendido da seguinte forma: "Se em uma situação Zrhower mais liberdade dc
imprensa que em uma situagão Z,r, então, no aspecto'liberdade de imprensa',2, ti
melhor q\e Zr". Em geral, sobre esses enunciados, cf. Gerhard Otte, "Komparativt'
Sãtze im Recht", Jahrbuch fi.ir Rechtssoziologie und Rechtstheorie 2 (1972), pp. 30 I
e ss. Seria possível pensaÍ em compreender esses enunciados como formulações tlc
regras para valorações. Contudo, o conceito de regra será aqui utilizado apenas parrr
designar norïnas que conduzem a resultados definitivos. Os enunciados mencionados
no entanto, possibilitam apenas uma valoração prima facie. Por isso, aquilo que ck':.
expressam não deve ser designado como "tegÍa". Sobre a definição de valores corììtt
regras, cf., com referências adicionais, Adalbert Podlech, "Wertung und Werte irrr
Recht", AõR95 (1910), pp. 195-196 (regras de precedência), e Werner Kirsch, /r'rrr
führung in die Theorie der Entscheidungsprozesse, v. 2,2u ed., Wiesbaden: Gablt'r
1977 , p. 121 ("uma espécie de regra de decisão").
A ESTRUTURA DAS NORMAS DE DIREITOS FUNDAMENIAIS
situação que, segundo o critério de valoração "liberdade de impren-
sa", é melhor que outra, ou é a melhor de todas, é melhor apenas prima
facie. A decisão acerca da situação definitivamente melhor é obtida
somente após uma valoração global, na qual todos os critérios válidos
de valoração sejam levados em consideração.
1.3 A diftrença entre princípios e valores
O que se acabou de afirmar coffesponde exatamente ao modelo
de princípios. A diferença entre princípios e valores é reduzida, assim,
a um ponto. Aquilo que, no modelo de valores, é primafacie o melhor
é, no modelo de princípros, primafacie devido; e aquilo que é, no mo-
qél"o-.de 11alores, definitivamente o melhor é, nq 
-oo"to 
oì princípios,
definitivamente devido. Princípios e valores diferenciam-se, portanto,
somente em virtude de seu caútter deontólógico, no primeiro caso, e
-ãiiológico, no segundo.
," 
No direito o que importa é o que deve ser. Isso milita 4 favor do
gtopglo de princípios. Além disso, não há nenhuma dificuldade em se
passar da constatação de que determinada solução é amelhor do ponto
efe vista do direito constitucional para a constatação de que ela é cons-
titucionalmente devida. Se se pressupõe a possibilidade dessa transi-
ção, então, é perfeitamente possível, na argumentação jurídica, parír r
de um modelo de valores em vez de partir um modelo de princípios. '' '
Mus o modelo de princípios tem a vantagem de que nele o caráter de-
.gntológico do direito se expressa claramente. A isgo qqma:se o fato de