Robert Alexy - Teoria dos Direitos Fundamentais (Cap. 3)
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Robert Alexy - Teoria dos Direitos Fundamentais (Cap. 3)


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livre de perturbações" como parte
do desenvolvimento inãividual da personalidade, então, é "coerente
estender uma coffespondente proteção juríclica efrcaz ao espaço em
que esse trabalho é em geral desenvolvido"'r36 Nos termos da constru-
iao qu" aqui se prefere, isso deve ser compreendido 
de forma a que
iintuiarias não gòr"- da proteção do art' 13' $ ln' por estarem com-
preendidas no tõor hteral d"tt" dispositivo constitucional' mas porque
elas são abarcadas pelo princípio atribuído a esse art' 13, $ 1o' Esse
princípio faz com iu", ,ro âmbito do suporte f6ú\co, se vá a1ém do
conteúdo literal do iexto constitucional. Para essa finalidade o âmbittr
das restrições não é apropriado. As razóes que autofrzam restrições
foram concebidas tendo etn vista intervenções e restrições que atin-
jam o domicflio em sentido estrito. Para esses casos o teor literal drr
constituição e os pesos atribuídos aos princípios relevantes coinc:i
dem em grande *"ãidu. No caso de espaços comerciais e empresariais
a situaçãã é distinta. O tribunal salienta, com precisão, que, nesse cas()'
os "interesses de terceiros e da coletividade" têm um maior peso 1u:^ 
t'
princípio da proteção da esfera privada em seu aspecto fí-sico't3? A lrrz
desse sopesamentã o tribunal elabora uma série de condições parl 
;r
admissibilidade de visitas e inspeções comerciais, dentre as quais t''
tão, por exemplo, a exigência áe que elas ocoÍïam durante o horrítt.'
comèrcial.r38 Éssas condições podem ser formuladas como uma rct.t;r
A ESTRUTURA DAS NORMAS DE DIREITOS FUNDAMENTAIS I35
que, segundo a lei de colisão,l3e expressa a relevância dos princípios
em jogo. Essa regra não é um refinamento do texto do art. t j aa cons_
tituição alemã, rías pode a ele ser atribuída, porque se baseia no prin-
cípio que esse dispositivo estatui. Dessa forma, em primeiro lugar,
não se viola o texto do art. 13, $ la, da constituição, poiJ tinturarias não
são qualificadas como "domicílio", de forma a não contrariar o uso
corrente do termo. Em segundo lugar, não se pode falar em uma vio_
lação do teor literal das cláusulas de restrição do art. 13, $ 30, da
constituição. o texto desse dispositivo refere-se somente àquilo que
se inclui no teor do suporte fático da garantia constitucional. Se essa
garantia é estendida para além do seu teor literal, por meio da aposi-
ção de uma regra que estenda a proteção do direito fundamentaí, ba-
seada no caráter principiológico do art. 13, então, o alcance dessa re-
gra não está vinculado ao teor das cláusulas de restrição do art. 13, $3u, porque estas se referem somente àquilo que se inclui no teor literal
dr suporte fático. Dessa forma, apoiando-rô nu teoria dos princípios,
é po,ssível alcançar, sem problemas construtivos, a mesma proteção de
dircito fundamental que o tribunal concedeu em sua decisão.
,f, 0 modelo de regras e princípios
o modelo puro de regras fracassa em todas as três formas de re-
guluçiro dos direitos fundamentais consideradas acima. É possível
fulx)r que esse modelo é insuficiente tambémparaas outras formas de
legtrlação encontradas na constituição alemã. o modelo puro de prin-
ëípi's lìri rejeitado porque ele não reva a sério as regulaç^oes adoàdas
ffla ('rnstituição. Quando duas formas puras e aniagônicas não são
lgeilirvcis, deve-se considerar a possibilidade de uma forma mista ou
Iunthinlda, ou seja, de um modelo combinado. Um tal modelo é o
Ftxfefrr dc regras e princípios, que surge daligação entre um nível de
pflnt'í;rios e um nível de regras.
ü,1 tt fit't,t,l dos princípios
ô
A' rrívcl dos princípios pertencem todos os princípios que, sob a
rlilrriçiì. alemã, sejam relevantes para as deôisões no âmbito dos
134. BVerftE 32,54 (16)'
135. BVerftE 32,54 (10)'
136. BVerftE 32,54 (71).
I37. BVerftE 32,54 (15-16)'
I38. BVerftE 32,54 (7'7)'
f 1t , ( ' l , l t r .stc: Capítulo, I .3.2.1.
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136 TEORIADOS DIREITOS FUNDAMENTAIS
direitos fundamentais. Um princíplo é relevante parauma decisão de
direito fundamental qudndo ele podé ser utililado corretamente a fâvof
ou contra uma decirâo n.rr" âmbito. Se ele puder ser utilizado coÍre-
tamente. então, ele é válido. É claro que é possível discutir quais prin-
cípios são válidos nesse sentido. Mas, pot nzóes óbvias, essa discus-
são sobre a validade é menos freqüente que a discussão sobre os pesos
abstratos e concretos dos princípios. As discussões acerca da máxima
in dubio pro libertate, pot exemplo, dtzem respeito a pesos abstratos,
já que esia máxima expressa a precedência básica dos princípios que
se ieferem à liberdade jurídica individual.ln Jâ o debate sobre a solu-
ção corretaparacasos individuais de direitos fundamentais diz respei-
to sobretudo a sopesamentos ou precedências concretas.
Entre os princípios relevantes para decisões de direitos fundamen-
tais não se encontram somente princípios que se refiram a direitos
individuais, isto é, que conferem direitos fundamentais príma facie,
mas também aqueles que têm como objeto interesses coletivos e que
podem ser utiliiados sóbretudo como razões contrárias a direitos fun-
ãamentais primafacie, embora possam ser também utilizados como
. razóesfavoráveis a eles. O conjunto básico dos princípios que confe-
rem direitos fundamentais prima facíe é facilmente determinável'
Sempre que uma disposição de direito fundamental garante um direi-
to subjetivo, a ela é atribuído ao menos um princípio dessa naÍ]ulteza'
Mais difícil é responder à pergunta acerca dos princípios relacionados
a interesses coletivos. Alguns deles podem ser atribuídos sem maiores
exigências a cláusulas de restrição qualificadas; outros, por meio dtr
,r1ná int"tpretaçáo institucional das disposições de direitos fundamen
tais, podó* rét atribuídos até mesmo ao suporte fático.lal Outros
ainda, como o princípio do Estado Socialla2 e o princípio democráti
Co,143 podem ser atribuídos, Sem que isso cause algum problema, rr
A ESTRUTURA DAS NORMAS DE DIREITOS FUNDAMENTAIS 131
disposições constitucionais que não sejam dispositivos de direitos fun-
damentais. Problemáúica é, por outro lado, a atribuição de princípios
como o da defesa militar a norÍnas constitucionais de compètència,laa
pois o fato de algo ser da competência da União pouco dii sobre sua
importância em relação aos direitos fundamentaìs. Aquilo que é de
competência dos Estados - é possível, aqui, pensar nu èducução 
" 
nu
polícia - pode ter igual ou maior importânciá.
-Aatribuição de princípios às disposições da Constituição tem re-
fe.1'ância sobretudo para a questão de sua hierarquia constitucional.
-*Mas-.ta-mbém os princípios qug, por seu conteú-do, nao pgdem ser atri-
*truídos a nenhuma disposição constitucional são relevantes do ponto
de vista dos direitos fundamentais. 
_Inúmeras cláusulas de t ririção
--lngfuem uma autorização ao legislador para que ele próprio decida por
-9-ual 
princípio quer se orientar, ou seja, uma autoriàação para restrin-
-Sr direitos fundamentais com base ern princípios cuja reali zação, do
ponto de vista da constituição, não é obrigatória. um .^.*plo é o
princípio da "manutenção e promoção dos ófí.ior manuais,,.ra5 prin-
cípios como esse, que se referem aos chamados interesses relativos da
comunidade,tou devem sua relevância constitucional em parte ao uso
que o legislador faz de uma competência outorgada por u-u reserva
dc direito fundamental. Nesse sentido é possível afirmar que esses
-princípios são atribuído sfo,rmtalmente às disposiçoes de direitos fun-*$.ir.mentals, Isso não significa que, no caso desses princípios, apenas o
ttspecto formal da atribuição tem importância. A indagação ac^erca da
demonstração de sua relevância substancial na argumentação no âmbi-
t0 clos direitos fundamentais pennanece indispensável.1a7 Isso conduz
à questão de se saber se um tal princípio, quê, no curso da argumen-
144. BVerftE 28,243 (261).
| '45. BVerfrE 13,97 ( l t0).
146. Pata uma distinção entre interesses absolutos da comunidade, .,isto é,
ïllrtl'cs comunitários geralmente reconhecidos e independentes da política atual