Robert Alexy - Teoria dos Direitos Fundamentais (Cap. 3)
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Robert Alexy - Teoria dos Direitos Fundamentais (Cap. 3)


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e gründung slehre, pp.
tipo, cf. Hans-
101 e ss.
T44 TEORIADOS DIREITOS FT]NDAMENTAIS
porada a máxima da proporcionalidade e, com isso, uma parte da teo-
ria dos princípios. Suã pêcuharidade consiste na limitação do espectro
dos princípioi colidentes por meio de determinações no nível das re-
n.ur. o arf. 13, $ 3o, ofereõe um exemplo pÍÌfa esse tipo de limitação'
Neste ponto, no entanto, é possível abrir mão disso. Compreender as
nofmas de direitos fundamentais apenas como regras ou apenas como
princípios não é suficiente. Um modelo adequado é obtido somente
quuttOo às disposições de direitos fundamentais são atribuídos tanto
regras quanto prinóipios. Ambos são reunidos em uma norïna consti-
tucional de catâter duPlo.
Resta, contudo, uma objeção fundamental. E possível sustentar que
a teoria dos princípios é necessariamente incorreta porque implica. sope-
samentos e as insuportáveis inseguranças a eles ligadas' Além-disso' a
teoria dos princípiós estaria uttoõiudu à teoria dos valores' Tudo que é
possível 
""nru* 
na teoria dos valores seria censurável também em rela-
çao a @oria dos princípios. A essa objeção é dedicado o próximo topico'
ilI - Tnonu. Dos PRINCÍPrcs E TEuRIA Dos Vttonns
1. Princípio e valor
Duas considerações fazem com que seja facilmente perceptívcl
que princípios e valóres estão intimamente relacionados: de um lado'
e porriu"l^falar tanto de uma colisão e de um sopesamento entre prin
.çio, quanto de uma colisão e de um sopesamento entre valores; clt'
oút o ládo, areúrzação gradual dos princípios coffesponde à realiza
ção gradual dos valores. Diante disso, é possível transformar os enulì
ciados sobre valores do Tribunal constitucional Federal em enunciil
dos sobre princípios, e enunciados sobre princípios ou máximas t:ttt
enunciadoJ sobre valores, Sem que' com isso, haja perda de conteúdtr
Ao invés de constatar que "a liberdade de imprensa ("') lencerral ctrt
si a possibilidade de entrar em conflito com outros valores protegitlo:'
pela Constituição",ls8 o tribunal poderia ter afirmado, na decisão Spi''
157. Cf.,por exemplo, a tentativa de refinamento de Rüdiger Rubel, Pluntnr,i'
ermessen,Frankfurt am Main: Metzner, 1982, pp' 91 e ss'
158. BVerftE 20,16l (116)'
A ESTRUTURA DAS NORMAS DE DIREITOS FUNDAMENTAIS 145
gel, que a liberdade de imprensa enceÍïa em si a possibilidade de co-
lidir com outros princípios estabelecidos pela Constituição;rse e na
decisão sobre a duração da prisão preventiva, de rg73,o tribunal po-
deria ter falado em uma colisão entre valores, no lugar de um conflito
entre princípios.10
I .l conceitos deontológicos, axiotógicos e antropológicos
4 _CçpgeiA deggly!.sív_eì q g,epglhanças, há um diferença impor_
_la+gniTl:liry_ Y3_19,r e princípio, que pode ser melhor compreendida
goq"ha"w na divisão dos conceitos práticos proposta por von wright.
,-[gguÍ,Ìde gl-e, os conceitos práticos dividem-se em três g*porr os deon-
-!g!í_g.L"_os, os axiológicos e os antropológicos.r.r Exemplõs de concei-
&s-dçpnlçlósqço.q são os conceitos de dever, proibição, permissão eje"direito a algo. comum a esses conceitos, como será demonstrado
-Pis 
4{iapte, é o fato de que podem ser reduzidos a um conceito
' deôntico básico, que é o conceito de dever ou de dever-ser. Já os con-
ffis arrb íagiiiot são caracterizados pelo fato de que seu conceito
*fulsico não é o de dever ou de dever-ser, mas o conceito de bom.
$ diversidade de conceitos axiológicos decorre da diversidade de
$ilérios por meio dos quais algo pode ser qualificado como bom.
Ésim, conceitos axiológicos são utilizados quando algo é classificado
l!!q *bonito, corajoso, seguro, econômico, ãemocráãco, social, libe-
ou compatÍvel com o Estado de Direito. Exemplos de conceitos
nryológicos, por fim, são os conceitos de vontade, interesse. neces-
| 59. Que essa não é uma altemativa remota é algo que pode ser percebido pelo fato
Eibunal, ao longo de sua argumentação, falar, ae umladò, em..máxima da liberdade
hlprcnsa" e, de oufo, na "não menôs importante miáxima constifucional do dever
#lcional de todos os órgãos estatais, instituições e cidadãos defenderem a existência
rlll*çu do Estado 9 !e sua ordem de liberdade" (BVeffiE 20, 162 (ztg-ztg)).16íl. BVerftE 36,264 (270).
-f 
ól:cf. Georg Henrik v. wright, The Logic of preference,p.T;do mesmo au-Íll_ç.vurieties of Goodness, London: Routledge, 1963, pp. 6-í.A terminologia de
*dght é vacilànte. Às vezes ele uriliza duas ãesignaçoãs p-u o;rd;;Ë-
Il' EI exemplo, no lugar de "antropológico", ele às u""er fala em,.psicológico,';
F de "cleontológico", fala ele também em "normativo"; por fim, aÈm oe axio-
, ele trtiliz.a também a expressão "conceitos valoratús". Sobre a distinção
j
, l
I
t ,
, , I I
, , [ .
ef. lrrrnbém Joseph Raz, Reasons and Norms,pp. l1 e ss.
146
sidade, decisão e ação.r62 Esses três grupos de*conceitos abarcam o
Ë;;; a" áirp 
" 
iu"ou-"ntais tantõ nâ ritòsoïïàpátlú qge\u20acn*
Ciência ao Oireitó. Aqui é possível mencionar, por exemplo, as con-
trovérsias acerca dò caráter deontológico ou teleológico da 'btrca' as
quais são, em grande parte, uma disputa sobre o primado do conceito
de dever-ser ou do conceito de bom;163 é possível também mencionar
o desenvolvimento da jurisprudência dos conceitos, passando pela ju-
risprudência dos interesses ,ãté a junsprudência d9s valores, o qual pode
,"i upr"r"ntado como uma seqüência do primado dos conceitos deon-
tológicos, antropológicos e axiológicos'
Se se acertaa tripartição aqui esboçada, fica fâcll perceber a di-
ferença decisiva entre o cônceito de princípio e o conceito de valor'
A ESTRUTURA DAS NORMAS DE DIREITOS FUNDAMENIAIS 147
Mas isso é apenas uma primeira e rudimentar caracteização do con-
ceito de valor. Para determinar com maior precisão sua relação com o
conceito de princípio, é necessiíria uma análise mais detahãda.
1.2 Sobre o conceito de valor
O conceito de valor é utilizado de formas muito distintas tanto na
linguagem coloquial, quanto no jargão filosófico, quanto na lingua-
gem técnica das diferentes ciências.ln Aqui não é nècessiírio descre-
ver esses diferentes usos, nem abordaÍ suas inúmeras tentativas de
classificação.tut A comparação entre valor e princípio pode se basear
em algumas características estruturais gerais e elementares dos valo-
res. Elas ficam visíveis quando se observa uma diferença fundamental
na utilização da expressão "valor": a diferença entre a constatação de
gue algo tem am valor e que algo é um valor.r66
L,2.r Juízos classificatórios, comparativos e métricos
--$"9T 
gi? que algo tem um valor expressa um juízo de valorttT e
rcalizaumavaloraçãq.tí9 Os juízos de valor e os conceitos valorativos
TEORIA DOS DIREITOS FUNDAMENTAIS
162. Acaracteizaçáodos objetos do sopesamento com o auxflio de termos antro-
. pológicos parece ser mais freqüente q.re soJ"atuctenzação por meio de termos deon-
- 
iológ"icos e axiológicos. Assim, nas duas decisões mencionadas no texto encontram-se'
entre ouffos, os seguintes termOs antropológicos:'lmportância"' "necessidades"' "in-
teresses" e "finaliíade s" (BVerfiE 36,-264 (269-270);20, 162 (176 e ss'))' Um outrtt
termo é "preocup açáo" (ÈUeríCn 35,79 (122)). É claro que' como caracterização dc
objetos de um ,opãru,,'àttto iurídico, esses termos não são utilizados paÍa designitt
conceitos puramente antropõlógicos. Um conceito puramente antropológico seri:r
expresso pã1o t"r-o "interésse'i por exemplo, caso ele designasse algo que alguérrr
de fato desejasse. Que alguém de iato desejè algo não é uma condição nem necessárirr
nem suficiente para- qo" ìrro seja considerãdo em um processo de sopesamento' aintlir
que possa ser uma razáo- dentre outras -paratanto' Para que seja considerado em tttrt
àp.ìu*"nto, é preciso que se trate de um interesse que, do ponto de vista do dircito'
deva ser levado 
"m 
consid"ração ou que mereça ser levado em consideração' Portanlrt'
termos antropológicos que t"3* o*ádot para designar- objetos de sopesamentos 'ittrr
dicos refere--r" ã 
"oóito, 
que têm o*ã ditnettsão deontológica ou