Robert Alexy - Teoria dos Direitos Fundamentais (Cap. 3)
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Robert Alexy - Teoria dos Direitos Fundamentais (Cap. 3)


DisciplinaIntrodução ao Direito I88.992 materiais556.960 seguidores
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uma dimensrlo
axiológica. Nesse contexto, elés são sempfe substituíveis por algum deontokil'r
co ou ãxiológico. O mesmo vale para a designação de a$o como "bem jurídico"' tlrt''
se refere a um conceito composto por elementos deontológicos e/ou axiológicos c/rrtt
antropológicos. Sobre esse cõnceitõ, cf., por todos, KnutAmelung' Rechtsgüter';t'ltttr
und Schutz der Glesellschaft,Frankfurt am Main: Athenâum, 1972' e Michael Mrrt 
r
Zur Defini,tion des Begriffi "Rechtsgut", Kõln: Heymann' 1972'
163. Cf., u .rr.".""rpeito, Georg Henrik v. Wright, The Varieties of Gtxxlrt''r'
pp. 156-157; Max Schelór, Der Formalismus in der Ethik und die materiale W(t rt'
thik,Sued., Bern: Francke, 1966, pp. 173 e ss.; Nicolai Hartmann, Ethik, Berlitt 'l '
Gruyter, 1926, pp- 39-40;Edmund ilusserl, Ittgische (Jntersuchunsen,2a ed" llilll''
Niemeyer, 1913, PP. 40 e ss.
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164. Cf.,nesse sentido, William K. Frankena, "Value and valuation", in paul Edwards(â), Try_Encyclopedia of philosophy, v. 7, New york Macmill an, 1967 , w. ní" 
"r.165. Além dos já mencionados trabalhos de Scheler, Hartmann ô uon V/right,
C., a respeito, chdsïian_v. 
_Ehrenfels, system der werttheorie, 2e v., r-eipzig: Reis-Lnd, 1897/1898; Ru-lph B. perry, Geneial Theory of value,New yoik Lãnf-annr,
[92ó; Viç1s1-Krtft, Die Grundtãgen einer wissenschaftlichen Wertlehre,2aed., ]Vien:{1ger, 1951; Rüdiger Lautmann,wert und Norm: itegrffianalysenJiìr die íozioto_
,2lr9.,opladen: westdeutscherverlag, l97l;Milton R"ok"u"ú, TËe Nature 
"ti"values, New York: Free Press, L973;ErvinLaszlolJames B. rvilbur (eds.), "uotu,
ry jy rlilosophy and social science, New york: Gordon and Breach , tól. ..166. sobre essa diferenciação, cf. victor Kraft, Die Grundlagen einer wis-
haftlichen wertlehre, T,_"9., wien: springer, 1951, pp. 10-11; Ralph B. perry,
ns of value, cambidge (Mass.): Harvard úniversity il"rr, lg5;4, pp. l-2. J )
.ló7..O contraponto para o juízo de valor situado nô nível axiológìËo (protótipo:b9T") é o juízo de dever atribuível ao nível deontológico @rútipo': ..1 dËvesobre os conceitos de juízos de valor e de dever, cf. pú Edwards, ine rogrc oyI Discourse, New York: Free press, 1955, p. 141; v/illiam K. Franken a, Aiatyi-gthik, München: DTV 1972, pp.27-2g; Rìuert Alexy, Theorie der juristischen
mentution, pp. 84 e ss.
l6tl. o termo "valoração" é ambíguo. suponha-se que c expresse o juízo de
",t é bom". Há, então, três coisas que podem ser chãmadas àe valoração: (1)
il
I48 TEORIADOS DIREITOS FUNDAMENTAIS
neles utilizados podem ser classificados em três grupos-: classificató-
rio, comparativo e métrico.16e IJm juízo de valor classificatório ó ex-
ternado [uando, por exemplo, uma determinada constituição é classi-
ficada como boã ou ruim.170 O aporte dos conceitos valorativps
classificatórios limita-se à classific açáo dos objetos a serem valorados
entre aqueles que têm um valor poritiuo, uqu"l.t que têm um uálot
negátivò é, casã os critérios para a valoração assim permitam, aqueles
quã tC- um valor neutro.l7l Já os conceitos valorativos comparativos
permitem uma valoração mais diferenciada. Eles são utilizados quan-
ão ," afirma que, dentre dois objetos, um tem maior valor que o outro
ou que ambostêm o mesmo valor. Enunciados valoraliu?:."oTparutt'-
vos, como "a constituição X é melhor que a constituiçáo Y'ou "ambas
as constituições são igualmente boas", expressam juízos de preferên-
cia ou de igualdade valorativa. A valoração mais exata é possível por
meio de um conceito valorativ o métrico, 9ue é utthzado quando aos
objetos a serem valorados é atribuído um número que indica seu valor"
Um exemplo paradigmático de valoração métrica ocoffe quando o vit
. lor de um terreno é expresso por meio de uma soma em dinheiro'''
Com o auxílio de conceitos valorativos classificatórios é possível aÍir
aquilo que o enunciado expresso por a significa, ou seja, que "Í é bom" (concerl"
semântico Oe valoraçao); (d) o atoiingüístLo qre a realtza ao expressar o enuncirttl"
mencionado ("orr."lio piagmático de valoraçãó); (3) o ato físico que' em geral' atrl'
cede ou acompanha a e^põssao de um juízo de valor, e cujo conteúdo é expresso 
't'1"juízo de uatoilcon"eito psicológico deïaloração). Aqui, apenas o conceito semâtrlr' ' '
de valoração será utilizado.
169. Cf, sobre isso, Franz v. Kutschera, Einführung in die Logik der Nrtrrtr' "
Werte und Entscheidungen, pp. 85 e ss'
170. Sobre o p.o.ïOi-ãto classificatório baseado em critérios valorativtt:' ' 
I
James O. Urmson, iEinstufen", in Günther Grewendorf/Georg Meggle- (Orgs')' '\'' ""
nar: sprache und Ethik, Frankfurt am Main: suhrkamp,19'.74, pp. 140 e ss'.
171. O conceito de neutralidade deve ser distinguido do conceito de indilt'r' r' '
De acordo com o critério "Sabor", os alimentos podem ser divididos naqueles 
(ltrt l' r'
um valor positivo, um valor negativo ou um valor neutro' Alimentos têm rlrìì 
r rl"i
neutro quándo não têm um sabor nem bom, nem ruim' Mas nem tudo aquilt) (ltr( ri i'
é nem bOm nem ruim receberá, Com baSe nO critério "Sab6f", uma avaliaÇiìo tr' rrtr '
A uma poesia, por exemplo, à qual esse critério não é aplicável, não será rrlttl 'rrr'l '
nenhum valor. Em relação ao crìtério "sabor", ela é indiferente. Cf., a reslx'rl( ' r" '
com outra terminologiâ, christiane weinbetgetlota 
'weinberger, Logik' '\'t ttt'trti"
Hermeneutift, P. 151.
172. Sobre conceitos valorativos métricos, cf.Franzvon Kutschara. I"trtlt'1" '
in die Logik der Normen, Werte und Entscheidungen' pp' 87 e ss'
A ESTRUTURA DAS NORMAS DE DIREITOS FUNDAMENTAIS Ug
mar que algo tem um valor positivo, negativo ou neutro; com o auxí_lio de conceitos valorativos comparativos, que um objeto a ser varo_rado tem um valor maior ou o mesmo valor que outro; e com o auxíliode conceitos valorativos métricos, que algo tem um valor de determi_nada magnitude. Em todos os casos trata-se de juízos sobre argo quetem um valor. Mas o que significa que algo é um valor? A diferencia_ção entre o objeto e o critério da varorução 
.onduri. á a umarespostaa essa questão.
1.2.2 Valores como critérios de valoração
Muitas coisas podem ser objeto de valoração. Entre eras, podemscr valorados objetos naturais, artefatos, idéias, Lcontecimentos, açõesc situações. Também os critérios de valoração são de nature zavaria_tla. um caÍro pode ser valorado, por exemplo, com base nos critériostlc rapidez' segurança, conforto, preço, economia e beleza. Os crité_
'irs de valoração podem colidii - t^tu p;;;;r, por exemplo, nost'ritórios rapidez e economia. Nesses casos, para que se possa realizattttttit valoração global de determinado 
"*o,é necessário determinartt 
'clação entre esses critérios. Na já mencionada decisão Spiegel os
'lr.ict's da valoração são, dentre outras coisas, situações de reguraçãofrr'rrlica, que são avaliadas com base sobretudo em dois critérios, o dalilrt'nl.de de imprensa e o da segurança nacionar. uma das situaçõesrl' 
^'gulação jurídica valoradas nesse caso refere-se à existência de"trrrr tfireito, garantido à imprensa, de manter sigilo acercade seuslftf 
'r 'rrrantes, mesmo nos casos (...) em que (...) o objeto da investiga_çÃrr st'j. um crime doloso de traição a paìriá 
" 
o, redatores sejamIur|,rit.s de serem os autores do crim., ô o, inroÃuìt"r;;r;;-pll't's".r73 se se parte somente do critério da liberdade de imprensa,Fftf tlrr. essa situação pode ser considerada como ,,boa,,;se se párt. ,o_Fletttt' tla segurança nacional, ela pode ser classificada como .,ruim,,.Attrl's rs critérios colidem. para fazeruma valo raçãoglobal, é neces_Ttkr tlcl' i lrir a relação entre eles.
- 
Nrro sc pode dizer nem do carïo, nem da
*g*lirr,' ir..iurídica, que eles são um valor em
I t r 111t,',.17ìE 20,162 (2lg).
mencionada situação de
si. Como objetos da va_
150 TEORIADOS DIREITOS FUNDAMENTAIS
loração, eles têm um valor e, com certeza, um valor distinto, depen-
denáo de qual dos critérios contrapostos a valoração toma como
ponto de partida. Não são os objetos, mas os critérios da valoração
gue deveà r"t designados como