CCJ0006-WL-PA-22-Direito Civil I-Antigo-34070
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diante de verdadeiro o silogismo barroco: 
 Premissa 1: o homem tem sangue quente. 
Premissa 2: o coelho tem sangue quente. 
Conclusão: o homem é coelho. 
  
Outro exemplo de silogismo: 
Premissa 1. a decadência será conhecida de o\u130cio pelo juiz (CC, art. 211). 
Premissa 2. a prescrição será conhecida de o\u130cio pelo juiz (CC, art. 219, §5º). 
Conclusão: a decadência é prescrição. 
 As conclusões são ilógicas! Portanto, o fato de juiz pronunciar a prescrição de o\u130cio não a transforma em matéria de ordem pública e nem altera seus normais efeitos. 
 Prescrição e decadência eram, são e serão sempre ins\u19ftutos diferentes e com suas conseqüências próprias. 
 PRAZOS DECADENCIAIS NO CDC, SUAS ESPECIFICIDADES 
O CDC nos apresenta alguns prazos, como: 
30 dias: para reclamar de vícios aparentes e de fácil constatação no fornecimento de serviços e produtos não duráveis. (art. 26, I)  
90 dias: na mesma hipótese para serviços e produtos duráveis. (art. 26, II)  
Quando se fala em decadência, muitos doutrinadores observam que o disposto no caput do ar\u19fgo 26 do CDC não é claro no que tange à expressão "direito de reclamar", o que enseja 
discussões acerca do sen\u19fdo da norma: se esta diz respeito à "reclamação" em âmbito judicial, ou meramente perante o fornecedor ou, ainda, a algum órgão de defesa do 
consumidor. Tendo em vista o conteúdo extensivo das normas consumeristas, seu espírito de favorecimento ao consumidor e observando o disposto no inciso I do § 2º do referido 
ar\u19fgo [06], entendemos que o caput se refere ao direito de reclamar judicialmente, visão esta respaldada por Cláudia Lima Marques. 
A data inicial para contagem do prazo de reclamação também é controversa, mas coerente com o espírito do CDC, que dá ao juiz margem para interpretações favoráveis ao 
consumidor, cabendo, assim, ao magistrado determiná -la, de acordo com a natureza do produto ou serviço e visando sempre sua \ufb01nalidade social. 
PRAZOS PARA RECLAMAÇÃO 
O CDC u\u19fliza dois critérios para a \ufb01xação do prazo de reclamação: a facilidade de constatação do vício (oculto ou aparente) e a durabilidade do serviço ou produto. 
O inciso I do ar\u19fgo 26, estabelece o prazo de trinta dias para produtos e serviços não-duráveis, tais como alimentos, no caso de produtos, e de organização de festas, no caso de 
serviços. Já o inciso II, coloca o prazo de noventa dias para reclamações referentes a produtos duráveis (eletrodomés\u19fcos, veículos, máquinas, imóveis etc) e serviços duráveis 
(temos como exemplo aqueles que se renovam ou que são cobrados periodicamente, como televisão por assinatura, assinatura de revistas e serviços bancários, entre outros). Os 
§§´s 1º e 3 º do referido ar\u19fgo estabelecem que os prazos de trinta e noventa dias são os mesmos para vícios aparentes ou ocultos, pois regem-se pela durabilidade do serviço ou 
produto. Entretanto, a contagem desses prazos dá -se a par\u19fr da entrega efe\u19fva do produto ou da execução do serviço no primeiro caso, e da revelação do defeito, no segundo. 
A POLÊMICA DO §2º DO ARTIGO 26: INTERRUPÇÃO, SUSPENSÃO OU CAUSAS MERAMENTE OBSTATIVAS? 
 O § 2º do ar\u19fgo 26 do CDC dispõe que a instauração de inquérito civil até seu encerramento e a reclamação comprovadamente formulada pelo consumidor perante o fornecedor de 
produtos e serviços, até resposta nega\u19fva transmi\u19fda de forma inequívoca "obstam" a decadência. A u\u19flização dessa expressão gerou intensa discussão doutrinária, visto que, 
tradicionalmente, a decadência não era passível nem de suspensão, nem de interrupção. Gerou-se dúvida no sen\u19fdo de saber se o legislador inovou na interpretação do ins\u19ftuto ou 
se inovou com um terceiro gênero de obstaculização de prazos. 
Da discussão, formaram -se três correntes. A primeira, defendida por Rizza\u1a9o Nunes, sustenta que o referido disposi\u19fvo legal não se refere nem à suspensão, nem à interrupção, 
a\ufb01nal, se o legislador assim quisesse, teria u\u19flizado uma dessas expressões. Dessa corrente, decorrem duas interpretações: uma a\ufb01rma que como a decadência a\u19fnge o direito a 
ser cons\u19ftuído e a prescrição, a direito já cons\u19ftuído, nas hipóteses do parágrafo segundo, o prazo decadencial pararia de correr, passando a \ufb02uir o prazo prescricional, enquanto 
a outra interpretação pugna pela aplicação analógica do regime de suspensão ao de obstaculização. A segunda corrente a\ufb01rma que os prazos de 30 e 90 dias dispostos no ar\u19fgo 26, 
somam prazos decadenciais e prescricionais e, portanto, tratar-se -ia de interrupção, devendo retomar o prazo pelo saldo. Já a terceira corrente indica que o prazo disposto no ar\u19fgo 
26 é decadencial, mas que, como prazos dessa natureza não podem ser suspensos, ou interrompidos, dever -se ia aplicar, analogicamente, o artigo 27 do CDC ou a regra geral do 
ar\u19fgo 206 do Código Civil, o que for mais bené\ufb01co para o consumidor. Esta úl\u19fma corrente vem sendo largamente u\u19flizada na jurisprudência há alguns anos. 
O VETO PRESIDENCIAL AO INCISO II DO § 2º DO ARTIGO 26 DO CDC 
Havia previsão no inciso II, do § 2º do ar\u19fgo 26, da possibilidade do consumidor formular, no prazo de noventa dias, a reclamação pelos vícios dos produtos e serviços perante 
en\u19fdades privadas e públicas de defesa do consumidor. Este disposi\u19fvo recebeu veto presidencial sob o fundamento de que ameaçaria a estabilidade das relações jurídicas, pois 
atribuiria à en\u19fdade privada função reservada, por sua própria natureza, aos agentes públicos. 
O Superior Tribunal de Jus\u19fça, no REsp. nº 65.498 -SP, decidiu que a reclamação formulada pelo consumidor perante o Procon, sem qualquer pretensão reparatória, não é causa 
obsta\u19fva da decadência. No entanto, a nosso ver, entendemos que esta posição tende a mudar, visto a crescente atuação e reconhecimento desses órgãos no país \u2014em função do 
crescimento e pro\ufb01ssionalização do terceiro setor e do incremento da representa\u19fvidade associa\u19fva\u2014 somados aos princípios da legislação consumerista, que interpretam sempre 
favoravelmente ao consumidor. 
 INSTITUTOS ASSEMELHADOS 
1. PEREMPÇÃO 
O ins\u19ftuto processual que ex\u19fngue somente o direito de ação é a perempção, decorrente da contumácia do autor que deu causa a três arquivamentos sucessivos (art. 268, parágrafo 
único, CPC). 
Restam conservados o direito material e a pretensão, que só podem ser opostos em defesa ou exceção. 
2. PRECLUSÃO 
É a perda de uma faculdade processual, por não ter sido exercida no momento próprio, impedindo nova discussão em questões já decididas, dentro do mesmo processo. 
. DA PRESCRIÇÃO E DA DECADÊNCIA NO CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR 
Não há muita diferenciação nos ins\u19ftutos da prescrição e da decadência tratados pelo direito consumeirista. O que ocorre é diferenciação de prazos. 
O art. 26 do Código de Defesa do Consumidor trata dos prazos decadenciais, ao contemplar o direito de reclamar por vícios aparentes ou ocultos dos produtos e serviços, que se 
ex\u19fngue em 30 dias, se o produto ou serviço for não durável; e em 90 dias, se for durável. A durabilidade se relaciona com o tempo médio de consumo do produto ou serviço. 
O termo inicial da decadência, para vícios aparentes, começa a par\u19fr da entrega efe\u19fva do produto ou do término da execução dos serviços; já para os vícios ocultos, quando 
evidenciado o defeito. 
Causas suspensivas da decadência, previstas no § 2° do art. 26 do Código de Defesa do Consumidor são: a reclamação comprovadamente formulada pelo consumidor até a resposta 
nega\u19fva do fornecedor e a instauração de inquérito civil pelo ministério público, até seu encerramento. 
Por sua vez, o art. 27 do Código de Defesa do Consumidor regula a prescrição nos casos de responsabilidade por danos, nos acidentes causados por defeitos do produto ou serviço. 
O prazo prescricional é de cinco anos, contados a par\u19fr do conhecimento por parte do consumidor do dano e de sua autoria. 
. DIREITO INTERTEMPORAL 
O art. 2.028 das disposições transitórias do Código Civil de 2002 contém normas que devem ser aplicadas aos prazos em curso quando da vigência do estatuto civil em vigor.