CCJ0006-WL-PA-22-Direito Civil I-Antigo-34070
5 pág.

CCJ0006-WL-PA-22-Direito Civil I-Antigo-34070


DisciplinaDireito Civil I54.093 materiais621.961 seguidores
Pré-visualização20 páginas
pelo art. 198 do Código Civil de 2002. 
  
O Código Civil de 2002 foi mais prá\u19fco, ao determinar serem os prazos de prescrição, apenas e exclusivamente, os taxa\u19fvamente discriminados na Parte Geral, nos arts. 205 (regra 
geral, prazo de 10 anos) e 206 (regras especiais), sendo de decadência todos os demais, estabelecidos como complemento de cada ar\u19fgo que rege a matéria, tanto na Parte Geral 
como na Especial. Essa foi uma das principais inovações trazidas pelo Código Civil em vigor. 
En\ufb01m, para evitar a discussão sobre se a ação prescreve ou não, adotou -se a tese da prescrição da pretensão, por ser considerada a mais condizente com o direito processual 
contemporâneo, afastando a possibilidade de envolver o direito subje\u19fvo público abstrato de ação. 
  
. EXCEÇÕES 
A prescri\u19fbilidade é a regra, diante dos mo\u19fvos anteriormente apresentados. 
No entanto, há ações que não são prescri\u1a1veis, pois certas relações jurídicas não se coadunam com os ins\u19ftutos da prescrição ou da decadência, tais como o direito de 
personalidade, a vida, ao nome, a nacionalidade, as de estado das pessoas (tais como \ufb01liação, cidadania, condição conjugal). Os imóveis públicos não podem ser adquiridos por 
usucapião, logo não são subme\u19fdos à prescrição aquisi\u19fva, a teor dos arts. 183, § 3°, e art. 191, parágrafo único, da Cons\u19ftuição Federal de 1988. 
No estudo da prescrição e da decadência sempre estão presentes um embate de princípios  - o da jus\u19fça e o da segurança jurídica, que devem ser harmonizados para a efe\u19fva 
aplicação do ordenamento jurídico. 
Por outro lado, o direito não dá a mesma proteção a todos os direitos existentes. O ordenamento jurídico traduz uma escala de valores, que conduz à classi\ufb01cação de direitos de 
acordo com a sua importância, sendo aos mais importantes atribuída uma proteção maior. 
A regra geral de prevalência da segurança jurídica sucumbe ao princípio da jus\u19fça quando estão violados direitos anteriormente referidos, de modo que o tempo deve ser 
desconsiderado. Entendimento em contrário comprometeria o próprio \ufb01m do direito, alcançado via prescrição e decadência, qual seja, a resolução de con\ufb02itos em prol da 
paci\ufb01cação social. Vale dizer, a sociedade, por exemplo, não aceita que a violação ao direito à paternidade seja consolidada por meio do decurso de tempo, o que impediria a 
resolução de con\ufb02ito(6) . 
 Se \ufb01zéssemos um quadro compara\u19fvo entre as diferenças conceituais e seus efeitos dos ins\u19ftutos da prescrição e da decadência chegaríamos a seguinte conclusão 
 A pergunta que se faz é a seguinte: o fato de juiz pronunciar a prescrição de o\u130cio signi\ufb01ca que a matéria se tornou de ordem pública? 
 A segunda pergunta é a seguinte: se a resposta à primeira questão for posi\u19fva,  tornando-se a prescrição matéria de ordem pública, não seria mais possível a renúncia à prescrição, 
estando, portanto, revogado o ar\u19fgo 191 do Código Civil? 
 A resposta a ambas às perguntas é nega\u19fva. Primeiramente, cabe diferenciar matéria de ordem pública de matéria em que há interesse público. 
 Conforme explica de maneira cristalina HENRIQUE HERKENHOFF \u201cos juízes não conhecem de o\u130cio apenas matéria de ordem pública, mas também aquelas em que há mero interesse 
público na proteção de matéria privada (menores, fazenda pública, direitos indisponíveis), bem como os pedidos que se consideram implícitos (juros legais, correção monetária) ou 
quaisquer outras que o legislador escolha, segundo sua discricionariedade legislativa\u201d (e -mail enviado ao autor em 16 de março de 2006). 
 Assim, a alteração foi apenas programá\u19fca, para facilitar aos juízes a ex\u19fnção de um feito sem a necessidade de citação, sem a necessidade de análise de mérito. A ex\u19fnção é a 
forma mais rápida de redução do trabalho que gera a morosidade do Poder Judiciário. 
 Há um forte argumento no sen\u19fdo de que a renúncia da prescrição não mais produziria efeitos, ainda que o devedor \u19fvesse se despojado do direito de invocá-la. Se o juiz a 
pronuncia de o\u130cio, o processo seria ex\u19fnto de imediato, mesmo sem a citação do devedor, que, portanto, não teria chance de renunciá-la. Assim,a renúncia não produziria efeitos. 
 A proposição tentadora parte de premissa equivocada. Isso porque renúncia à prescrição é o ato pelo qual o prescribente se despoja do direito de invocá -la. Pode ter ela duas 
modalidades: expressa ou tácita. 
 a)      expressa: em decorrência de manifestação de vontade do devedor. 
b)      tácita: caracteriza -se quando o devedor, ciente de que a prescrição se consumou, pra\u19fca algum ato ostensivo que envolve reconhecimento do direito prescrito  
 Se a renúncia for expressa, e, portanto, o devedor declara por escrito que não invocará a prescrição, pode o autor propor a demanda, junta a declaração com a pe\u19fção inicial, e não 
poderá o juiz pronunciá -la de o\u130cio, pois a renúncia já ocorreu. A demanda prosseguirá e o mérito será analisado. 
 Da mesma forma, a renúncia foi tácita e o devedor espontaneamente pagou dívida prescrita, não haverá demanda de cobrança e a renúncia terá produzido todos os seus efeitos. 
 Colaborando com o debate jurídico, entende FLÁVIO TARTUCE que se alguém cobrar uma dívida prescrita o juiz não irá pronunciar de o\u130cio a prescrição, mas sim determinar a 
citação do réu para que se manifeste sobre a renúncia à prescrição. Assim, con\u19fnuaria sendo possível a renúncia judicial, inclusive porque se trata de um exercício da autonomia 
privada do devedor. 
 TARTUCE explica, ainda, que no Direito Comparado a prescrição já é reconhecida de o\u130cio (Itália e Portugal), mas isso não faz com que a prescrição seja reconhecida como matéria 
de ordem pública naqueles Países por se tratarem de matérias de cognição privada que podem ser reconhecidas de o\u130cio (e-mail enviado ao autor em 20 de março de 2003). 
Agora, uma certeza con\u19fnua prevalecendo. O legislador igualou a prescrição e a decadência apenas com relação a um de seus efeitos: ambas podem ser declaradas de o\u130cio pelo 
juiz. 
 De resto, nada mudou. Igualar um ins\u19ftuto ao outro em razão da semelhança de efeitos revela atecnia. Estaríamos diante de verdadeiro o silogismo barroco: 
 Premissa 1: o homem tem sangue quente. 
Premissa 2: o coelho tem sangue quente. 
Conclusão: o homem é coelho. 
  
Outro exemplo de silogismo: 
Premissa 1. a decadência será conhecida de o\u130cio pelo juiz (CC, art. 211). 
Premissa 2. a prescrição será conhecida de o\u130cio pelo juiz (CC, art. 219, §5º). 
Conclusão: a decadência é prescrição. 
 As conclusões são ilógicas! Portanto, o fato de juiz pronunciar a prescrição de o\u130cio não a transforma em matéria de ordem pública e nem altera seus normais efeitos. 
 Prescrição e decadência eram, são e serão sempre ins\u19ftutos diferentes e com suas conseqüências próprias. 
 PRAZOS DECADENCIAIS NO CDC, SUAS ESPECIFICIDADES 
O CDC nos apresenta alguns prazos, como: 
30 dias: para reclamar de vícios aparentes e de fácil constatação no fornecimento de serviços e produtos não duráveis. (art. 26, I)  
90 dias: na mesma hipótese para serviços e produtos duráveis. (art. 26, II)  
Quando se fala em decadência, muitos doutrinadores observam que o disposto no caput do ar\u19fgo 26 do CDC não é claro no que tange à expressão "direito de reclamar", o que enseja 
discussões acerca do sen\u19fdo da norma: se esta diz respeito à "reclamação" em âmbito judicial, ou meramente perante o fornecedor ou, ainda, a algum órgão de defesa do 
consumidor. Tendo em vista o conteúdo extensivo das normas consumeristas, seu espírito de favorecimento ao consumidor e observando o disposto no inciso I do § 2º do referido 
ar\u19fgo [06], entendemos que o caput se refere ao direito de reclamar judicialmente, visão esta respaldada por Cláudia Lima Marques. 
A data inicial para contagem do prazo de reclamação também é controversa, mas coerente com o espírito do CDC, que dá ao juiz margem para interpretações favoráveis ao 
consumidor, cabendo, assim, ao magistrado determiná -la, de acordo com a natureza do produto ou serviço e visando sempre sua \ufb01nalidade social.